Este documento é parte do nosso Acervo Histórico

Lowndes Report – A Revista do Condomínio Nº 109

1 de março de 2013
É fundamental destacar que as informações contidas em nosso arquivo histórico são uma expressão do contexto da época em que foram produzidas. Elas não necessariamente refletem as opiniões ou valores atuais da nossa empresa. À medida que progredimos e nos ajustamos às mudanças em nosso entorno, nossas visões e princípios também podem evoluir.
Capa Lowndes Report N 109
Editorial

Dizem que organização é um grande aliado para se ganhar tempo. Imagine organização para um condomínio! Significa muito mais que tempo, significa memória, segurança e futuro. Lendo a matéria sobre memória do condomínio, você entenderá a importância que tem um arquivo e uma documentação bem organizados. 

Os Espaços Gourmet estão na moda e são praticamente uma obrigação nos novos empreendimentos, mas será possível implementar nos condomínios já existentes? Veja dicas e sugestões da arquiteta Adriana Roxo, assim como a opinião de Guilherme Teixeira, Gerente de Condomínios da Lowndes. 

Nunca é demais esquecer de economizar, então coloque em prática as dicas de economia e égua que estamos dando nesta edição. 

Receba um parabéns especial da Lowndes por todo seu empenho pela coletividade condominial em comemoração do dia do síndico, dia 23 de abril!


Espaço Lowndes
Espaço Lowndes

Para o Porteiro que se Quer Ter

O nível de exigência no mercado de trabalho aumentou em todos os setores. Atenção, iniciativa, discrição, gentileza, responsabilidade e confiabilidade já não bastam para ser um bom porteiro. Ele necessita ter mais que os requisitos básicos. E, se por um lado, ainda persiste o preconceito social contra estes profissionais, por outro cresce a consciência de que são responsáveis por promover a segurança dos condôminos, motivo suficiente para cobranças de que sejam melhor preparados e mais valorizados.

Aos condomínios fica a exigência de buscar e depois manter em sua equipe um porteiro qualificado, o que é cada vez mais difícil. Novos empreendimentos não param de abrir vagas e disputar os melhores profissionais em atuação.

Por anos, a Lowndes oferece cursos e treinamentos especialmente destinados aos porteiros, entendendo que este é o melhor caminho para formar e manter a mão de obra qualificada de que tanto os condomínios necessitam. Qualidade nos Serviços de Portaria, Segurança Predial, Orientações e Prática e Prevenção e Combate a Incêndio são cursos regulares que buscam cobrir todas as demandas, seja para a formação, seja para a atualização destes profissionais.

Atualizar os que já estão inseridos no mercado de trabalho é também uma forma de oferecer um benefício valorizado. Para os porteiros, ter a oportunidade de aprender mais e estar em dia com as novidades que envolvem a profissão é um reconhecimento. É comum que saiam dos cursos mais confiantes, levando entusiasmo e motivação para toda a equipe.

É com base neste conhecimento profundo que a Lowndes detém a realidade dos condomínios que ela oferece estes cursos. Qualificar os profissionais de portaria é levar para a administração do condomínio maior tranquilidade; para os porteiros, mais consciência da importância de seu papel no cumprimento de suas obrigações; e, para os condôminos, mais comodidade e segurança. ■

A Lowndes oferece cursos e treinamentos especialmente destinados aos porteiros, entendendo que este é o melhor caminho para formar e manter a mão de obra qualificada de que tanto os condomínios necessitam.


Espaço Gourmet

Espaço Gourmet no condomínio

Como oferecer a área comum que está entre os itens de maïor valorização dos novos empreendimentos

Poder receber em casa para um jantar ou almoço de confraternização não é algo fácil para a maioria dos que vivem em apartamento. Foi assim que surgiram os espaços gourmets, que vieram para suprir a falta de área útil de cozinha e sala de jantar das exíguas unidades, justo quando cada vez mais as pessoas buscam preservar-se no conforto e na segurança de seus lares. 

“É uma opção mais segura para quem gosta de se reunir com os amigos para uma refeição sem precisar dirigir depois, por exemplo”, afirma Luiz Henrique Ribeiro, síndico do condomínio Duo Prime, em Botafogo.

Síndico Luiz Henrique

Luiz Henrique Ribeiro, síndico do Duo Prime, no espaço gourmet do condomínio

No caso do condomínio, oempreendimento já foi entregue com um espaço gourmet, e o síndico busca garantir o máximo de condições para o melhor aproveitamento do local pelos moradores. “A maioria dos apartamentos é de 2 quartos e a ideia é oferecer aos que gostam de cozinhar e fazer uma refeição com os amigos uma área onde possam receber como se fosse em casa”, diz.

Local para recepções intimistas

Conceitualmente, um espaço gourmet é uma cozinha integrada com a sala de jantar e a sala de estar. A arquiteta Adriana Roxo explica que o básico é que ele promova interação. “Deve permitir o preparado alimentar sem que a pessoa precise ficar isolada na cozinha, distante dos convidados que, por sua vez, podem ajudar na feitura da refeição ou sentar em um confortável sofá interagindo com quem está no fogão”, exemplifica. 

Adriana afirma que qualquer condomínio que disponha de um espaço capaz de abrigar, pelo menos, oito pessoas, pode adotar um espaço gourmet, valorizando ainda mais o imóvel. “O espaço deve ser menor do que o de um salão de festas e maior que a sala de estar de casa. As reuniões ali devem ter um cunho mais intimista. Se não for assim, não faz sentido”, afirma. 

“O espaço deve ser menor do que o de um salão de festas e maior que a sala de estar de casa. As reuniões ali devem ter um cunho mais intimista. Se não for assim, não faz sentido

Um profissional de arquitetura é a pessoa ideal para orientar o síndico, sendo capaz de oferecer as melhores soluções para o aproveitamento do espaço de acordo com a demanda dos usuários e a finalidade do projeto. Beleza, funcionalidade e conforto são quesitos fundamentais. 

Para a arquiteta, se há um espaço ocioso, vale pensar na opção, mas é preciso ouvir os moradores. Essa é a mesma orientação do gerente de condomínios da Lowndes, Guilherme Ferreira. “Para condomínios com mais crianças, investir no salão de festa, ou na implantação de uma brinquedoteca, pode ser mais interessante. De qualquer modo, antes de qualquer investimento, o síndico deve considerar o perfil dos moradores e ouvi- los para saber de seu real interesse”, aconselha. 

Outra orientação do especialista é estabelecer e fazer cumprir normas de utilização, tais como o número máximo de convidados, o valor do aluguel e a aplicação de multa para o não cumprimento das regras. 

Receita própria e adequações às exigências de uso

O espaço gourmet do Duo Prime é um exemplo de sucesso devido às iniciativas do síndico, que adotou a separação da receita com a locação para uso exclusivo na manutenção e melhorias do local. “A cobrança é feita no boleto, mas a verba não entra para despesas gerais. É usada apenas para suprir as necessidades do espaço, de modo que ele possa se autogerir”, explica.

O condomínio também acrescentou e fez adaptações nas regras de uso sugeridas na entrega do empreendimento. “A exemplo do que acontece com as demais áreas comuns, as suas regras estão previstas no regimento interno, como o valor da locação e o horário de utilização. O que a gente fez foi adequá-las às exigências do uso. Por exemplo, incluímos a restrição do uso de churrasqueira no local”, diz. 

Quanto às melhorias, o espaço ganhou ar condicionado split e mobiliário mais moderno. “Substituimos a geladeira comum por uma frost-free, o freezer, por outro semelhante ao de bares em que se controla a temperatura das bebidas, e colocamos um grill. Aos poucos e de acordo com a necessidade, vamos modernizando”, acrescenta. 

Outra medida que o síndico considera importante é manter a locação com preço razoável. O resultado é uma boa taxa de ocupação ao longo de todo o ano. 

Mobiliário e utensílios 

Os espaços gourmet podem ter em sua decoração e mobiliário estantes com vasos de hortaliças. Outras sugestões que também valorizam são frigobar, adega ou chopeira. Mas eles devem ter, obrigatoriamente, bancada de trabalho, mesa para refeições, geladeira e fogão, além de outros utensílios de cozinha. A climatização é considerada item essencial ao conforto, assim como uma boa iluminação, que pode ter ainda função estética, com o uso de luz indireta para a sala de estar.

Adriana Roxo desaconselha disponibilizar utensílios miados ou mesmo liquidificador, cafeteira e multiprocessados por exigirem maior controle na vistoria do local, antes e depois do uso. “O melhor seria ter panelas e demais objetos e aparelhos comuns a uma cozinha, mas isto é mais complexo em condominios”, considera.

Para Guilherme Ferreira, as vistorias devem fazer parte dos procedimentos de locação, dentro das normas estabelecidas de uso do espaço gourmet, a fim de resguardar o condomínio no caso de quaisquer danos que venham a ocorrer durante a utilização do espaço. “Todos os detalhes devem estar previstos, assim como as multas e penalidades a serem aplicadas em caso de descumprimento das regras. Elas devem ser capazes de evitar que a administração do espaço se transforme em motivo de preocupação para o síndico “, conclui. ■

Um espaço gourmet para o condomínio

• Qualquer espaço, amplo ou compacto, capaz de abrigar pelo menos 8 pessoas pode ser aproveitado para a implantação de um espaço gourmet. Consulte um arquiteto. 
• Capriche também na decoração e ofereça itens modernos, como um home theater. 
• Quanto maior a comodidade e a funcionalidade oferecidas (com móveis, utensílios e eletros) maior será o valor agregado ao imovel e à utilização do espaço pelos moradores. 
• Estabeleça regras de uso, tais como: proibição ou não de locação por não moradores; vedação para usos de ordem lucrativa, religiosa ou outras, assim como a utilização associada com outras áreas comuns, como piscina, por exemplo; dias e horários de funcionamento; cessão condicionada à entrega de documentos como declaração de ciência de normas e vistoria prévia para ônus referentes a quaisquer danos durante a utilização do espaço; procedimentos de identificação de convidados; prazo para a reserva e cancelamento da locação e ainda para a retirada de objetos, alimentos e bebidas depois do uso. Consulte a administradora para ajudar na elaboração das regras mais aplicáveis para o seu perfil de condomínio. 


Memória do Condomínio

Mantidos de forma organizada e de fácil acesso, os documentos de um condomínio se revelam um importante instrumento para melhor administrar 

Na hora de uma necessidade, onde estão as plantas, os contratos ou os documentos fiscais do condomínio? Uma das responsabilidades do síndico é a guarda de documentos. Quando estão organizados e são mantidos com fácil acesso, estes documentos servem não apenas para garantir a segurança em caso de fiscalizações, mas também para ajudar no planejamento de ações futuras. Ou mesmo para resolver questões pontuais com empresas prestadoras de serviço. 

A síndica do Condomínio Missões, no Cosme Velho, Maria Salete Lopes Paulo, queixou-se com uma prestadora porque alguns dos procedimentos previstos em contrato não vinham sendo realizados. A resposta que ouviu foi que desconhecia, pois o documento era tão antigo que possivelmente não o teria mais. “Mas de pronto pode retrucar: você pode não ter, mas eu tenho. Se quiser, faço uma copia”, conta.

Síndica Maria Salete

Maria Salete Lopes Paulo, síndica do Condomínio Missões

O condomínio dispõe de uma sala só para o arquivo de documentos, um gaveteiro para contratos em andamento e duas estantes do chão ao teto para demais papeladas, inclusive para cada planta do prédio e projetos de obras realizadas. Tudo com muito capricho. “Mantemos o serviço de uma profissional que já trabalhou em uma administradora para fazer a organização e o arquivamento”, conta, acrescentando que, sem a tranquilidade de poder dispor de tudo à mão, não continuaria como sindicato. 

Para quando for preciso consultar um documento 

A próxima grande obra no condomínio será a reforma da parte interna da fachada, e a síndica está aproveitando os arquivos de obras de impermeabilização de pisos e paredes realizados no passado para ajudar. “Quando acontece uma situação que remete a algo já ocorrido, recorro à memória do condomínio; ela ajuda a tomar decisões”, afirma. Sua intenção é, no futuro próximo, desenvolver um trabalho de microfilmagem e digitalização dos documentos, o que diminuirá o volume de papéis, permitindo que a guarda continue a ser feita no mesmo espaço físico por mais tempo.

Ivany Pinto Tancredo, síndico do Alfa Classic, também não encontrou os documentos organizados. Mas, no seu caso, ainda teve que sair em busca da memória perdida do condomínio. Quando assumiu, recorreu à construtora e à prefeitura para resgatar as plantas e os demais documentos referentes ao projeto construtivo e deu início ao que viria a ser o arquivo completo que tem hoje. “Mantemos tudo aqui, cada contrato já assinado, serviço feito, ata ou livra de reclamação preenchido”, conta.

Síndico Ivany Pinto

Ivany Pinto Tancredo, síndico do Alfa Classic.

Nas estantes ou no armário, muitas caixas com etiquetas identificadoras mantêm toda a vida condominial devidamente registrada. ”É útil à administração. Além disso, é de fácil acesso ao morador, caso ele précisé”, diz. 

Guarda da maioria dos documentos é obrigatória A iniciativa dos síndicos é elogiada por Catarina de Oliveira, gerente de qualidade da Lowndes. Dentre as tarefas que considera mais importantes em seu trabalho está a de orientar os síndicos e, especialmente, os novatos, para a necessária guarda de documentos. “Muitos não sabem que há legislação que obriga a guarda de certos documentos e, mais que isto, que é uma salvaguarda contra eventuais ações trabalhistas e fiscalizações, seja da Previdência Social ou do Ministério do Trabalho, seja da Receita Federal”, alerta.

Muitos não sabem que há legislação que obriga a guarda de certos documentos e, mais que isto, que é uma salvaguarda contra eventuais ações trabalhistas e fiscalizações, seja da Previdência Social ou do Ministério do Trabalho, seja da Receita Federal.

A quantidade de novos documentos gerados a cada ano por um único condomínio é enorme e a tarefa de organizar tanto papel não é fácil. A relação inclui todos os documentos contábeis, financeiros, jurídicos e trabalhistas, alguns com guarda necessária por 30 anos e outras até indefinidamente. Folhas de pagamento e de ponto, guias de contribuições sindicais, Darfs de Imposto de Renda na Fonte, recibos de vale-transporte e vale-refeição, guias de INSS e Fundo de Garantia, dentre outras da área trabalhista. Comprovantes dos tributos sobre serviços prestados por terceiros no prédio, tais como PIS, Cofins e CSLL, notas Fiscais, contas de água, luz e telefone, extratos bancários, pasta de prestação de contas e balancetes, cópias de contratos de manutenção e conservação, atas de assembleias gerais, convenção e regïmento interno, plantas da edificação e apólices de seguros. 

“Além de fundamental para a garantia do condomínio, este arquivo preserva a sua memória. As pessoas mudam de endereço, morrem, deixam de ser síndicos, conselheiros. O papel guarda cada ato realizado, o que é importante para quem está administrando e para quem administra o edifício no futuro”, ressalta Catarina. 

Saber o que é preciso ser arquivado, como organizar, guardar e manter pelo tempo correto é trabalhoso e exige espaço físico. Para facilitar, a administradora mantém um departamento inteiro apenas para realizar parte deste trabalho para o condomínio, mantendo consigo e do modo mais organizado as pastas de prestação de contas, de pessoal e financeira do ano vigente.

“Esta preocupação com os documentos do condomínio deve ser constante. Por exemplo, na prestação de contas, o síndico deve estar atento à entrega de documentos fiscais aptos. Embora digam respeito à empresa que prestou o serviço, o condomínio pode ser solicitado a comprovar o pagamento realizado. Temos que lembrar que o condomínio pode responder por isto em um prazo posterior a 5 anos, mas o síndico pode responder a qualquer tempo”, diz.

Esta preocupação com os documentos do condomínio deve ser constante. Por exemplo, na prestação de contas, o síndico deve estar atento à entrega de documentos fiscais aptos. 

Plantas e projetos facilitam novas obras e evitam acidentes

O arquiteto Renato Giro, que trabalha com impermeabilização, conta que os projetos de seu setor passaram a ser de guarda obrigatória. Um ah viu, pois já passou por situações difíceis em condomínios que não dispunham de plantas e projetos de obras anteriormente realizadas. Em uma delas, por pouco não perfurou uma tubulação de gás. “Séria necessário chamar a concessionária para esvaziar toda a tubulação. Uma semana, no mínimo, com os moradores sem gás. Seria o caos. Tudo porque não se tinha uma planta de onde corria uma tubulação tão importante”, afirma. 

Para ele, este tipo de situação é mais comum do que se pensa e exige uma investigação que atrasa e encarece as obras, além de levar a riscos como o do caso citado. “Hé pessoas furando vigas para a instalação de ar condicionado. Isto é um absurdo. E o fechamento de varandas, cada vez mais comum. Ninguém pensa que a questão não é se muda a fachada ou não, mas se o peso que será usado não é excessivo para o que foi projetado”, alerta. 

O arquiteto gosta de fazer uma comparação entre a manutenção predial e a da saúde humana. “Na primeira consulta médica há a necessidade de saber o histórico da pessoa, consultas exames e buscar informações sobre procedimentos já realizados. Com a engenharia não é assim, mas deveria”, reclama, destacando que, assim como o corpo, o prédio com o tempo também muda e nem sempre se registram estas mudanças.

Quem também gosta desta analogia é o engenheiro civil e consultor de engenharia legal, Antero Parahyba. “O seu dentista tem a sua ficha com todas as informações. Quando você troca de dentista, leva as informações e entrega a ele. Isto é fundamental para que tenha sempre um bom atendimento e preserve a sua saúde bucal. Com os prédios, também precisa ser assim. Cada novo síndico ou morador deve ter acesso a todas as informações de uso e manutenção da edificação”, afirma.

Cada novo síndico ou morador deve ter acesso a todas as informações de uso e manutenção da edificação. 

Segundo Parahyba, é de 1998 a norma técnica brasileira que estabelece informações mínimas que as construtoras devem passar para o primeiro síndico e para cada proprietário. É o manual de informações de operação, uso e manutenção. A norma também estabelece que estas informações devem ser mantidas atualizadas. Ou seja, cada nova intervenção deve ser registrada para a correta manutenção da edificação. “No Brasil não há uma cultura de guardar documentos e registrar ações. Hoje existe esta norma técnica, mas leva um tempo para as pessoas perceberem a importância disto”, diz.

É muito comum que engenheiros e Contratos de assistência técnica arquitetos não encontrem nenhum documento, o que lamentam, pois, para contornar um problema sem referências, o tempo gasto é maior. “Sem plantas, uma simples fissura pode exigir um estudo, a necessidade de contratar desenhista para fazer o desenho dos pavimentos e tudo o mais. Se temos o projeto, vamos direto à possível fonte do problema. Fica fácil realizar qualquer intervenção com segurança”, completa. ■


Entrevista

Major Marcus Vinicius Teixeira Guastini Grilo 

Chefe da Divisão de Doutrina da Diretoria Geral de Serviços Técnicos dos Bombeiros 

As normas de segurança contra incêndio e pânico aplicadas pelo Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro estão consignadas no Decreto-Lei n° 247, de 1975, regulamentado pelo Decreto n° 897, de 1976. A legislação prevê diversos parâmetros para os dispositivos preventivos fixos e móveis de uma determinada edificação, a fim de garantir sua segurança contra incêndio. Mas os recorrentes incêndios de grandes proporções deixam claro que elas não bastam. O Major Guastini, com longa experiência na chefia da Divisão de Doutrina do Corpo de Bombeiros, alerta para a falta de cultura de prevenção. Ele nos fala de cuidados básicos para evitar que o pior aconteça.

Lowndes Report – Como os sistemas preventivos das edificações têm sido encontrados nas emergências ou vistorias realizadas pelo Corpo de Bombeiros? 

Major Guastini – O Brasil carece de uma cultura de prevenção. Isso faz com que os sistemas preventivos não sejam prioridade em uma edificação. A experiência nos mostra que muitos preferem melhorar a decoração da portaria, por exemplo, do que fazer a manutenção dos sistemas preventivos. Os problemas mais comuns são extintores fora do prazo de validade, caixas de incêndio sem mangueiras e bombas de pressurização inoperantes, entre outros.

Lowndes Report – Quais são os equipamentos de manutenção contra incêndio em uma edificação que mais devem merecer atenção? 

Major Guastini –A legislação prevê diversos parâmetros para a definição das exigências de dispositivos preventivos. Dentre estas podemos citar: extintores portáteis, canalização preventiva (caixas de incêndio com mangueiras), sistema de proteção contra descargas atmosféricas (pára-raios), detecção de incêndio, canalização de chuveiros automáticos sprinklers, escada enclausurada à prova de fumaça e sinalização e iluminação de emergência.

A canalização preventiva é o dispositivo mais comum em edificações. É composta por uma canalização em ferro fundido, galvanizado ou aço carbono, geralmente com 2 ½”(63 mm) de diâmetro, dispondo de caixas de incêndio com hidrante e mangueiras. No caso de um incêndio, o seu pleno funcionamento, assim como o dos demais dispositivos preventivos, é fundamental.

Lowndes Report – Existe uma periodicidade obrigatória de manutenção para estes equipamentos? 

Major Guastini –No Brasil, a Associação Brasileira de Normas Técnicas edita normas para cada dispositivo preventivo. No Estado do Rio de Janeiro, o Corpo de Bombeiros utiliza estas normas para determinar o prazo de manutenção dos equipamentos. A manutenção mais comentada e a menos conhecida é a dos extintores portáteis. A grande maioria das pessoas acredita que efetuar manutenção de extintores significa efetuar “recarga” quando na verdade não necessariamente uma manutenção em extintor necessita de recarga. Na maioria das vezes, a manutenção não passa de uma inspeção visual.

Lowndes Report – O que o síndico precisa saber para realizar a correta manutenção destes dispositivos? 

Major Guastini – As empresas que fazem instalações e manutenções em sistemas preventivos fixos e móveis de segurança contra incêndio devem, obrigatoriamente, estar credenciadas no Corpo de Bombeiros. A lista com todos os credenciados está disponível no site do CBMERJ e no site da DGST (Diretoria Geral! de Serviços Técnicos) mvw.dgst. cbmerj.rj.gov.br.

Lowndes Report – Que conselho pode dar aos síndicos que querem ter o prédio em dia no quesito segurança?

Major GuastiniOs síndicos podem procurar o quartel do Corpo de Bombeiros mais próximo para se informar sobre a documentação do CBMERJ. Caso a edificação já possua o documento, o importante é manter a estrutura de segurança contra incêndio e pânico com a manutenção em dia. Se os dispositivos estão de acordo com as exigências da Iei e em pleno funcionamento, o quesito segurança dependerá dos cuidados que cada morador deve ter em casa.

Lowndes Report – Quais documentos o síndico precisa ter em mãos para comprovar que cumpriu com suas obrigações, no caso de uma ocorrência? 

Major Guastini –Ele deve possuir o Laudo de Exigências e o Certificado de Aprovação. Esta documentação comprova que as exigências da Lei foram cumpridas. Entretanto, a manutenção dos dispositivos é de responsabilidade do condomínio.

Lowndes Report –  divulgou que as principais causas de incêndio em edificações são por sobrecarga da rede elétrica e instalações de aparelhos de ar condicionado, problemas que, na maioria das vezes, dizem respeito aos apartamentos. Que orientações o CB vem dando à população para ajudar a conscientizá-la para a necessidade de correta manutenção de suas instalações?

Major Guastini – O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro está sempre pronto a atender à população. O principal canal para dúvidas relacionadas à segurança contra incêndio é o e-mail [email protected].

Informações para a prevenção estão disponíveis através da legislação vigente.


O Decreto-Lei n° 247, de 1975, regulamentado pelo Decreto n° 897, de 1976 instituiu o Código de Segurança Contra Incêndio e Pânico (COSCIP), estipulando como uma das condições necessárias para a autorização de funcionamento das edificações a sua regularização perante o CBMERJ. Esta legalização se dá, em um primeiro momento, através da aprovação de um projeto de segurança contra incêndio e pânico elaborado por um engenheiro ou firma credenciada no Corpo de Bombeiros Militar.
Com sua aprovação, é expedido laudo de exigências, documento que averba a aprovação do projeto com as exigências do CBMERJ para edificação. Após a execução do projeto aprovada através da emissão do Laudo, é realizada uma vistoria por oficiais da organização de Bombeiros Militar responsável pela área onde se encontra a edificação, para averiguação da compatibilidade do projeto com arquitetura e as instalações realizadas. No caso de constatação da efetiva execução do projeto apresentado e aprovado, é emitido o certificado de aprovação. Mas informações podem ser obtidas no site do CBMERJ e no site da DGST (Diretoria Geral de Serviços Técnicos) www.dgst.cbmerj.rj.gov.br.

Tome Nota

Estudo do Secovi Rio aponta que fiador perde cada vez mais lugar para o seguro fiança. A opção, que em Janeiro de 2012 representava a garantia de 24,9% dos contratos de locação, terminou o ano com 26,1%. A expectativa é de que, a médio prazo, isso deverá baratear o custo de contratação. Segundo um levantamento do Sindicato feito junto às maiores administradoras do Rio nos últimos seis meses, o seguro já esteve presente em 45% dos novos contratos. 
CONDOMÍNIOS DEVERÃO RECICLAR EXCESSO DE LIXO 
Foi publicada no Diário Oficial do Município, do dia 7 de fevereiro de 2013, uma lei que obriga os condomínios que produzem mais de 60 kg ou 120 litros de lixo, diariamente, a separar os detritos para reciclagem.


Ações Positivas

Aldeias Infantis SOS Pedem Socorro

Aldeias Infantis

Afetada pela crise na Europa, a organização precisa de ajuda urgente.

Apesar de o Brasil viver um momento de relativa estabilidade em sua economia, ainda há no país muitas desigualdades e pedidos de ajuda. São muitas crianças, adolescentes e jovens sem um teto ou uma família que se responsabilize por seus cuidados. Uma responsabilidade que é de toda sociedade, ainda que, muitas vezes, não se dê atenção suficiente ao problema. É hora de fazer a nossa parte.

Organizações sociais que se dedicam a cuidar do desenvolvimento de nossas crianças em estado de risco foram drasticamente afetadas pela crise na Europa e precisam de ajuda urgente.

É o caso da Aldeias Infantis SOS. A organização internacional, sem fins lucrativos, presente há 45 anos no Brasil, atende a cerca de 10 mil crianças adolescentes e jovens, e passa por mudanças e diminuição no atendimento depois de depois que recursos vindos de outros países foram reduzidos, encolhendo em 30% o total de seu orçamento ponto no Rio de Janeiro, onde tem instalações em Jacarepaguá, aproximadamente 120 crianças deixaram de ser atendidas no Centro Social, que atualmente mantém suas portas fechadas por falta de financiamento ponto com isto deixa de oferecer um ambiente familiar protetor e seguro que garanta desenvolvimento para que essas crianças e jovens alcancem autonomia.

O trabalho da Aldeia infantis SOS é desenvolvido por meio de acolhimento e fortalecimento familiar e comunitário. Em seus centros, casas e mães sociais acolhem até nove crianças cada uma, permitindo retirá-las de suas realidades de risco para dar-lhes uma experiência de família, proteção e apoio. Encaminhadas por Varas da Infância e Conselhos Tutelares, geralmente já foram vítimas de negligência, discriminação, abuso e exploração.

E é este trabalho que precisa de sua ajuda. 

Como ajudar 

Todo o trabalho da Aldeias Infantis SOS é subsidiado por pessoas físicas (Amigos SOS), que aportam um valor mensal e por parcerias com empresas, que financiam projetos e convênios com o Poder Pùblico.

Uma boa maneira de contribuir é tornar-se um Amigo SOS, ou seja, um doador de pequenas quantias mensais, a partir de R$25,00. O cadastro pode ser feito no site www.aldeiasmfantis.org.br, através de contato com a organização ou, ainda, respondendo a fichas encartadas em revistas. 

Os interessados também podem entrar em contato com a unidade de atendimento mais próxima para realizar doações de materiais em bom estado, alimentos e produtos de consumo, além de obter informações sobre voluntariado.

Para saber mais

www.aldeiasinfantis.org.br [email protected] Escritorio Nacional: Rua José Antônio Coelho, 400, Vila Mariana, São Paulo – CEP 04011- 061 – Tel: (11) 5573-1533 ou 5574-8199. ■


Deu Certo

Procedimentos para o Sucesso

Edifício Residence Paradiso 

Residence Paradiso

Residence Paradiso, um residencial com serviços que tem a receita do sucesso.

Hebert Façanha é síndico do condomínio do Edifício Residence Paradiso, em São Conrado, há três anos. Em sua primeira experiência de administração, enfrentou uma verdadeira prova de fogo. Mas ele tem uma receita de sucesso para gerir um residencial com serviço: implantar procedimentos como suporte para ordenar e garantir a eficiência ao trabalho.

Arrumação, lavanderia, manutenção, telefonia, segurança e mensageiro. Este último proporciona ao morador o conforto de ter as suas compras de supermercado feitas, incluído nos serviços. “Aqui o condômino não precisa se preocupar com nada. Enquanto estiver adimplente, é claro”, afirma. Morador desde a entrega do empreendimento, em 1997, Flaubert é rigoroso quando o assunto é o bom andamento tanto dos serviços, quanto das contas. “Todo morador quer ver o condomínio funcionando bem, ordenado e sem dívidas. Como síndico, não poderia ver de modo diferente”, afirma.

Ele credita o seu sucesso ao apoio da equipe. “Minna área de atuação é a educação física, o que contribuiria somente para ajudar com a academia do condomínio. Então, tive a preocupação de contar com gente que entende do assunto e formar uma boa equipe. E dei a cara a tapa mesmo. Foram cerca de dois anos para organizar, reduzir a alta rotatividade de empregados e ver tudo funcionar bem”, completa. 

Minha área de atuação é a educação física, o que contribuiria somente para ajudar com a academia do condomínio. Então, tive a preocupação de contar com gente que entende do assunto e formar uma boa equipe.

Avaliação regular do trabalho

Para auxiliá-lo, o síndico conta com uma gerente de condomínio, um subgerente e mais 20 funcionários, inclusive para os serviços nos apartamentos. Para cada grupo, um conjunto de procedimentos foi elaborado com a ajuda do conselho e de toda a equipe, com critério e sem pressa. Periodicamente, nas reuniões para aprofundar conceitos comportamentais dentro da filosofia da administração, pede que avaliem o andamento do trabalho. Assim, a partir do que é necessário fazer, explorando o que já funciona bem, foi corrigindo e aperfeiçoando normas até conseguir um conjunto de procedimentos para todas as áreas, incluindo jardim e piscina, a fim de que cada um saiba o que fazer.

Administração

Em sua administração, o síndico conta com o apoio de uma gerente, um subgerente e mais 20 funcionários.

E há ordenação para tudo. As regras chamam a atenção. É motivo de elogios por parte dos moradores e de exemplo para empresas terceirizadas. A empresa de vigilância até adotou os mesmos procedimentos de segurança do prédio em outros condomínios que atende.

Para a gestão da arrumação, por exemplo, essas regras fizeram toda a diferença. “Antes, cada arrumadeira trabalhava de um jeito. Agora não tem mais isto. O morador não precisa sequer se preocupar com material de limpeza; tudo é controlado pelo serviço”, diz. As arrumadeiras ficaram felizes com as normas e também com investimentos feitos para tornar o serviço ainda melhor. “Compramos carrinhos novos, semelhantes aos usados nos aeroportos, mais leves e funcionais, e um uniforme bonito. Tudo isto contribuiu para elevar a autoestima”, relata, acrescentando que esta dobradinha — normas e investimento em uma atuação mais profissional — tem sido a base de sua administração. 

Foi o síndico que implantou as festas de fim de ano para os empregados no condomínio, como ação de integração. A turma adorou. Os condôminos são receptivos, apesar da política de colocar para o empregado que o papel dele não é o de agradar o morador, mas o de fazer o seu serviço dentro dos procedimentos. “Bato na tecla que não pode ser subserviente porque, quando o empregado se impõe, tem mais autoconfiança e pode ser mais profissional. Tudo, é claro, sem perder o respeito”, explica. 

Todos contam com treinamentos periódicos e um sistema de controle por meio de planilhas, que permite ter toda a rotina de trabalho organizada a partir dos procedimentos previamente estabelecidos. “Além dos treinamentos específicos, fazemos reuniões focando na eficiência e na regularidade dos serviços”, conta. 

Parte da aprovação ao síndico tem a ver também com a transparência que implantou como norma. A cada assembleia apresenta fotos de antes e de depois das obras pretendidas e das já realizadas. “Com a possibilidade de ver o resultado do que está sendo feito, vem a confiança”, garante. Ele também divulga todas as ações através de relatórios de atividades executadas por período.

Três anos de muito trabalho

E o síndico fez muito. Ao longo dos très anos de gestão, modernizou os elevadores social e de serviço, impermeabilizou e restaurou a fachada, fez melhorias na academia com a instalação de piso emborrachado e a aquisição de equipamento de musculação e outros de nível profissional, além da instalação de ventiladores, reformou a sauna e a sala de repouso, pintou e aparelhou o salão de festas, a área do play e da lavanderia, além de pintar a garagem, instalando sinalizadores e sensores.

Um dos itens de maior relevância dentro da sua administração é a segurança e para ela foram destinadas muitas de suas ações, como a reforma da guarita, a colocação de novos portões eletrônicos, a modernização do sistema de câmeras e alarmes e a instalação de câmeras para uma melhor visualização da entrada e do interior das garagens, com a implantação de cartões de estacionamento padronizados e placas indicativas de acordo com os quesitos de segurança adotados pelo condomínio. Ainda dentro do item segurança, foi feita toda a reforma da parte elétrica do edifício e a modernização do sistema de proteção contra incêndio, incluindo novo pára-raios, bombas de água e sprinklers.

O síndico também redecorou a portaria, tendo feito a aquisição de novos móveis e a instalação de ar condicionado, entre outros itens para oferecer beleza e conforto para quem chega. Ainda, para uma maior comodidade aos moradores, reformou o quiosque que atende à área da piscina. Ele passou a contar com nova arquitetura, decoração e mobiliário e, em breve, terá um chefe de cozinha para preparar os pedidos.

“Todas as ações visam a manter o patrimônio e reduzir custos, sempre focando na adaptação das ações às normas legais e às normas que estabelecemos como critério para oferecer bons serviços. Aprendi fazendo que esta é a melhor forma de administrar o condominio”, conclui. ■


Reduzindo Gastos

Economizar energia elétrica e água é possível e ainda garante outros benefícios para o dia a dia do condomínio  

Dois dos principais vilões das despesas condominiais, os consumos de luz e água, ganham cada vez mais soluções para a sua redução. Quem investiu comemora os resultados e passa a experiência adiante. Além dos ganhos na economia, as iniciativas tornam os condomínios mais seguros. Afinal, instalações elétricas em mau estado de conservação representam graves riscos. Quando dimensionados, os desperdícios, resultados de perdas de energia e de vazamentos que provocam danos por meio de infiltrações, demonstram o quanto causam prejuízos àqueles que não encaram estes vilões de frente. 

Alívio para a conta de Luz 

O especialista Arlindo Soares de Oliveira, engenheiro elétrico e sócio de uma empresa de soluções tecnológicas e elétricas, explica que uma reforma na área dos PCs e a substituição de cabos e proteção já é um bom início para um programa de redução do consumo elétrico do condomínio. “As condições das instalações elétricas nos edifícios com 20 a 30 anos de idade, às vezes, chega a ser alarmante. Além de comprometer a segurança do próprio imóvel, elas também geram gastos adicionais de energia”, relata. Para ele, este fator passa, na maioria das vezes, despercebido, pois é comum que as pessoas apenas se deem conta dos problemas quando algum evento ocorre, como um curto ou a falta de energia. 

Outros fatores que podem gerar um consumo maior são a falta de atualização tecnológica dos equipamentos de iluminação, acionamentos, sensores, temporizadores para motores. A substituição destes e dos demais equipamentos que apresentam desgaste e consumo acima do normal é uma das maneiras de reduzir a conta de luz. “So para ilustrar o alcance de um programa de redução de consumo que engloba a modernização das instalações a partir do conceito de eficiência energética, registramos condomínios em que a economia chegou a 50%. Ou seja, onde o custo mensal com a conta de luz era de R$20 mil e passou para R$10 mil. Estamos falando em R$120 mil a mais por ano na conta do condomínio”, afirma. 

Foi o resultado obtido pelo condomínio comercial Aventura Center, na Barra da Tijuca. “Nosso custo de energia elétrica era alto e estávamos ficando sufocados”, diz o síndico Carlos Adolfo, que buscou empresas especializadas para encontrar uma solução.

Síndico Carlos Adolfo

Ele conta que a empresa, primeiramente, fez um estudo de carga e potência, avaliando cada equipamento e instalação elétrica do condomínio. Depois, foi feito um relatório apontando ações corretivas e resultados previstos. “Todo o processo foi rápido e sem maiores impactos para a nossa rotina, mas o resultado foi extraordinário. Saímos de uma conta de luz de R$9 mil a R$10 mil, para R$4 mil a R$5 mil, o que em um condomínio é muito significativo”, comemora.

O Aventura Center, que consumia uma média mensal de 18 a 20 kl watt, passou a consumir entre 9 e 10 mil kilowatts. O profeta teve custo de 55 mil reais, e envolveu a substituição de luminárias e lâmpadas, a instalação de sensores de presença e timer para alguns equipamentos e a revisão de todas as instalações elétricas da edificação. Tudo pago em dois anos, apenas com a economia alcançada. A empresa realizou os serviços e deu o material e recebeu ao longo de 24 meses 70% da economia gerada, até alcançar o valor do projeto. “Não precisamos sacar R$55 mil e entregar à empresa. Do que economizamos fomos pagando e ainda recebendo 30%”, destaca. 

Carlos Adolfo ressalta, ainda, os ganhos para a segurança da edificação, com instalações elétricas modernas e eficientes, e a orientação, específica, para a funcionalidade de cada equipamento e a demanda do condomínio. “Queríamos mexer na estação de tratamento de água, cujos motores potentes rodam 24 horas, mas fomos orientados a não fazer isto, pois afetaria a sua eficiência e as multas por danos ambientais são altas. Então, temos a consciência de que o condomínio fez o que foi possível fazer, e estamos satisfeitos com o resultado”, afirma.

Alívio para a Conta de Água

No Condomínio Golden Garden, em Botafogo, a conta que deixava o síndico Saul Cusnir e os demais moradores sobressaltados era a de água, que ultrapassa os RS 16 mil mensais. A questão era considerada tão grave que o síndico adotou a redução do consumo como principal foco de sua administração assim que assumiu. A primeira iniciativa foi empreender uma política de boa utilização da água, com a conscientização de moradores e empregados para a importância da economia desse recurso finito é tão caro. “No entanto, a questão com a conscientização é que bons hábitos sozinhos têm um limite de economia. Depois que todos já cuidam de evitar desperdícios, avanços podem ser conseguidos apenas com o uso de novas tecnologias, o que exige investimento”, destaca o síndico.

A questão com a conscientização é que bons hábitos sozinhos têm um limite de economia. Depois que todos já cuidam de evitar desperdícios, avanços podem ser conseguidos apenas com o uso de novas tecnologias, o que exige investimento.

Pois foi em uma viagem a Israel, em 2008, que o síndico encontrou o que de imediato considerou ser uma solução eficaz. Israel é um país que não tem água e, por isso, investe pesado em tecnologias, seja para reduzir o consumo, seja para transformar em pontual a água do mar, por exemplo. Saul viu um vaso sanitário com uma descarga com dois diferentes acionamentos, um para sólidos e outro para líquidos, utilizando para o segundo caso uma quantidade menor que 50% do volume de água do segundo. Já no Brasil, foi preciso buscar o produto, que ainda não estava disponível no mercado, e encomendar a um fabricante as 264 privadas com o duplo acionamento um para cada unidade ou banheiro social do condomínio. 

“Logo a conta baixou para R$13 mil”, comemora. A substituição foi feita pelo condomínio, com os moradores pagando apenas pelos vasos sanitários, financiados junto ao fabricante e pagos em parcelas no boleto da cota condominial. 

Mas o síndico não parou por aí. Ele trocou a hora da rega das plantas, que antes era feita ao longo do dia, quando o calor ajudava a evaporar a água, por um horário mais cedo. Também substituiu a rega feita por um empregado, que passava horas com a mangueira aberta, por um sistema de tubulação furada, cujo funcionamento se dá a partir de torneiras abertas e fechadas em 15 minutos. “Foi melhor para as plantas, para o empregado e para a conta de água, que caiu ainda mais”, destaca. 

Em uma nova viagem a Israël, em 2010, as ações do país mais uma vez lhe chamaram a atenção. Ele viu uma campanha para que a população deixasse entrar em casa um profissional da companhia de égua para a troca de rabichos e arejadores, por outras de menor vazão. “Aqui, as nossas torneiras vertiam 12 litros por minuto. Com a iniciativa, passou para 6 litros. Nos chuveiros, a redução foi de 30 para 6”, conta. 

Neste caso, o investimento foi pequeno e assumido totalmente pelo condomínio.

Saul explica que a solução pode ser usada apenas para os andares do nono para baixo, pois os últimos andares, 10 e 11, muito próximos ao reservatório, não tinham pressão de água suficiente. Apesar disto, a aprovação dos moradores foi total. “Atualmente, a nossa conta de água do condomínio é de R$11 mil mensais. Foi uma redução de R$5, quase R$6 mil, mas queremos mais e estamos atentos a qualquer solução que nos ajude a economizar ainda mais este recurso tão precioso”, afirma.

Ideia simples também ajuda

No Condomínio Missões, no Cosme Velho, o chefe da faxina perguntou à síndica Maria Salete Lopes Paulo quanto custavam os sacos de lixo maiores, capazes de forrar todo o container da Comlurb. Explicou que, com eles, poderia evitar colocar um empregado para lavar os contêineres a cada dois dias, o que o liberaria para outra atividade e ainda economiza água. A síndica acatou a sugestão e o resultado foi 2 mil reais a menos na conta de água. “O custo dos sacos é pequeno e nosso ganho foi significativo”, comemora.

Projeto prevê adoção de captação e reuso de água de chuva

Um projeto aprovado no Senado, 2457/11, quer tornar obrigatório o reaproveitamento das águas da chuva e águas já utilizadas em todos os edifícios do país. O objetivo é que sejam utilizadas para evitar utilizar água potável, cujo tratamento é muito caro, para atividades menos nobres, como lavar carros, áreas comuns e os vasos sanitários. 

Segundo o especialista André Luis da Silva São, atualmente existem vários produtos que facilitam a montagem dos sistemas para a captação, filtragem e armazenamento das águas da chuva, como calhas em alumínio sem emendas, filtros fáceis de instalar e tanques corn qualquer capacidade para armazenamento que variam de 300 a 15000 litros, que podem ser enterrados ou externos.

Entre os itens básicos para a montagem de um bom sistema de aproveitamento das águas da chuva estão uma área de captação, telhados ou lajes com boa área métrica (a partir de 100m2). “A filtragem e o armazenamento das águas são fundamentais. Quanto maior a área para armazenamento, melhor será o custo benefício, referente à colocação de tanques”, explica.A distribuição eficiente dos pontos de uso, como torneiras de jardim e limpeza de pátios, escadas etc., é outro item importante a ser considerado. “É importante que técnicos especializados façam um levantamento do local para fazer cálculos sobre o índice pluviométrico da região e a área de captação, a fim de confirmar a viabilidade da solução”, acrescenta.

É importante que técnicos especializados façam um levantamento do local para fazer cálculos sobre o índice pluviométrico da região e a área de captação, a fim de confirmar a viabilidade da solução.

O fator economia vai depender da captação e da quantidade de águas armazenadas, mas, na prática de sistemas instalados em condomínios, a economia gira em torno de 15 a 30%. “Esses números são variáveis, pois o sistema depende também de São Pedro liberar as águas da chuva”, brinca.

Vice-presidente jurídico do Secovi-Rio

O custo médio do sistema também depende, principalmente, deste volume. Considerando que haja disponibilidade de armazenamento de 7.000 a 20.000 litros, o custo parcial é de RS 8 mil a R$25 mil, com um retorno do investimento entre 12 a 24 meses.

Outra dica do técnico é para a escolha de empresas que trabalhem com sistemas práticos, eficientes e de baixa manutenção, utilizando uma tecnologia moderna, como filtros e acessórios que facilitem o processo, com menor custo. ■

Contas da Cedae podem ser questionadas

Condomínios comerciais podem questionar a cobrança por economia nos moldes que a concessionária de égua do Estado do Rio vem aplicando, pois já há jurisprudência consolidada pela ilegalidade da prática. “A decisão, inclusive do Supremo Tribunal Federal, é a de que a Cedae só pode cobrar dos consumidores, especialmente dos condomínios comerciais, o consumo medido pelo hidrômetro, ou seja, pelo consumo real. Sendo assim, a Cedae está proibida de cobrar o consumo mínimo multiplicado pelo número de economias”, afirma Rômulo Cavalcante Mota, vice-presidente jurídico do Secovi-Rio.
Com os condomínios residenciais, a prática pela progressão também é condenável, pois é irreal. “A Concessionária diz que mais que um consumo superior a 15 m3 é desperdício, mas a multa que deveria ser de 2%, como todas as demais, chega a 700%. Como é que pode?”, questiona. Mas, para este caso, ainda não é instrumental para o enfrentamento da Concessionária. “Infelizmente, os Tribunais que antes consideravam ilegal essa progressividade, passaram a admiti-la, com fundamento na Lei 11.445/2007”, explica, acrescentando: “Para os residenciais a saida é verificar e eliminar desperdicios e adotar os medidores individuais. À Cedae não interessa o uso destes dispositivos, mas para os condomínios eles são fundamentais, seja para a conscientização para a economia necessária, seja para comprovar o real consumo de cada um”, conclui.


DIGA AO POVO QUE FICO!

Os síndicos falam sobre as vantagens e desvantagens das reeleições sucessivas 

Motivo de orgulho e de certo peso sobre as costas. Estes são os relatos mais comuns quando os sindicos falam das sucessivas gestões. Orgulho pelo reconhecimento pelos serviços prestados, na maioria das vezes motivado pelo interesse de manter valorizado o seu patrimônio e o de terceiros. E um sentimento que é quase uma sombra, uma nuvem escura que surge ao pensarem que, ao menos de vez em quando, outro poderia assumir e dar-lhes uma folga. 

É a preocupação de que outras venham desfazer o já feito, deixando o condomínio entregue ao abandono, o que também faz com que todos os dias síndicos retomam a sua função, com o mesmo empenho e dedicação. 

Trabalhoso sim, mas também motivo de satisfação por poder dar a sua contribuição e depois ser reconhecido por isto. Com a palavra, os próprios síndicos: 

A mudança anual traz como desvantagem a descontinuidade e a falta de conhecimento do novo gestor sobre a dinâmica do prédio. Quem chega, geralmente, traz na mente alguma coisa o que fazer. Mas, muitas vezes, não dá continuidade a ações que vinham sendo realizadas. E é claro que, na reeleição em que o síndico não apresenta melhoria para as condições gerais do prédio e para a convivência das pessoas, haverá prejuízos. Por isso, vejo como positiva a reeleição quando o síndico está valorizando o prédio e contribuindo para o bem-estar dos moradores. A reeleição é, assim, uma forma de tornar o trabalho duradouro. Quantas mudanças nós fizemos? Porque não é o síndico sozinho; há sempre um grupo de moradores que participa mais, seja nas comissões de obras ou em outra qualquer, ou do conselho. É claro que penso em sair, tirar umas férias, mas ouço muito que em time que está ganhando não se mexe, e nas eleições acabam optando por me manter e vou me manter, fazendo o melhor que posso.

José Alexandrino Souza, síndico há 14 anos do Edifício Porto das Palmeiras.  

Quem pode falar melhor sobre isto são os condôminos, que vêm se reelegendo todos estes anos. A reeleição é positiva porque, com o tempo, você vai conhecendo mais o condomínio, sabendo os hábitos dos moradores, formando uma administração capaz de atender melhor às necessidades de ambos. Se houver uma espontaneidade nesta reeleição, sem que a pessoa tente se impor, não vejo porque não. É uma demonstração de confiança. Se você faz uma administração honesta e transparente, mantém o imôvel conservado e valorizado, o respeito mútuo, a disciplina e ainda um diálogo capaz de ouvir e atender o morador naquilo que ele precisa, e é o necessário para o condomínio, tudo bem. Quando há interesse desmedido na função, quando há interesses outros ou a pessoa não tem aptidão para este tipo de trabalho, então a reeleição não é recomendável. Não vejo nada de negativo na reeleição de outro modo.

Ivany Pinto Tancredo, síndico do Alfa Classic, fez 12 gestões. 

O bom da reeleição é poder dar continuidade ao trabalho. Fiquei à frente da gestão por 14 anos, outro entrou e a situação ficou ruim. Assim, de novo, eu voltei. O lado ruim é ter que recomeçar sempre, especialmente com os novos condôminos, que não conhecem a filosofia da administração, questionam a administradora e querem empreender ações mirabolantes. Mas não chamaria de desvantagem. A função é um espinho, ocupa muito, são vários problemas constantes e o que se realiza nem sempre aparece. Isto desgasta. Mas não faz sentido ser proprietário de um imóvel e não querer cuidar. É preciso preservar o lugar que a gente mora. Infelizmente a maioria pensa de outra forma. Que não é fácil, não é. 

Manoel Vieira, síndico do Condomínio Ocaporan há 14 gestões.

A reeleição de um síndico demonstra, de certa maneira, que os condôminos estão satisfeitos com a administração executada visando o bem comum. A vantagem de ser um síndico está no aprimoramento de conhecimentos de várias áreas de atuação, como segurança patrimonial, recursos humanos, manutenção predial e outras. A desvantagem está concentrada no desgaste que advém das situações emergenciais, pela urgência constante por soluções.

Sérgio Ramos, síndico do Terminal Garagem Menezes Cortes por cinco gestões.

Síndico Sérgio Ramos

Sérgio Ramos, síndico do Terminal Garagem Menezes Cortes por cinco gestões.

A reeleição demonstra o nível de confiabilidade de um síndico. É o resultado de um trabalho que é, em grande parte, realizado em prol do próprio imôvel. Foco muito tambèm na transparència e na integração das pessoas. O bom ambiente faz o resto. Gosto de saber que faço parte disso, que é resultado do que eu faço com dedicação. Já fui até convidado para ser síndico profissional, mas não quero. Cuido daqui porque é o meu patrimônio também. Quanto a pontos negativos ou desvantagens, não vejo nenhuma. 

Paulo Roberto Fernandes, síndico do Condomínio Residencial Garden Park há 4 gestões. ■


Porteiros

Edifício Miss brasil

Gilvandro Lourenço Porto

Porteiro, Gilvandro Lourenço

Ao completar 50 anos de serviço, os condôminos organizam uma grande festa para ele. “Veio jornalista e tudo”, lembra.

Mais de Meio Século de Histórias

“Essa foi de lascar…” É assim que Gil, como é conhecido Gilvandro Lourenço Porto, começa todas as suas histórias. E são muitas. Com 76 anos de vida e 54 anos como porteiro do condomínio do Edifício Miss Brasil, na Tijuca, é um dos porteiros há mais tempo na profissão no Rio de Janeiro. Ele participou da construção do prédio de 1950 e lá segue sem a menor vontade de parar. 

Ao completar 50 anos de serviço, os condôminos organizaram uma grande festa para ele. “Veio jornalista e tudo”, lembra mostrando a placa feita em sua homenagem, que carrega no bolso sem esconder a emoção. Estas também foram muitas. A primeira ele conta, com divertimento, apesar da gravidade do evento. Transportava um carrinho de concreto sobre uma tábua suspensa no quarto andar quando despencou: carrinho, concreto e tudo. “Eu cai de um lado e o carrinho do outro, o concreto sobre mim. Ainda estava acordado quando a ambulância chegou e depois só dei por mim quando a enfermeira limpava o cimento do meu corpo. Por causa do acidente, passei um mês no hospital, todas as noites com um saco de gelo na cabeça, às vezes pegava um punhado de cabelo e puxava. Não sentia nada, tudo congelado”, conta rindo. 

De Campina Grande, na Paraíba, veio para o Rio com 24 anos. “Vim com a ilusão de ter uma vida melhor. Lá sabia que não conseguiria o que queria. Vivi no interior e só conheci o trabalho de agricultura familiar. Depois que servi o Exército, achei que era a hora de buscar outra vida”, lembra. Sua primeira desventura na cidade foi não ter sido recebido pelo cunhado. “Cheguei com uma mão na frente e outra atrás e fui direto para a casa dele, acreditando que poderia ficar por lá até conseguir trabalho. Pois não me deixou sequer entrar. Foi um vizinho de porta que viu a cena e me deu abrigo”, diz sem mágoa. 

Vim com a ilusão de ter uma vida melhor. Lá sabia que não conseguiria o que queria. Vivi no interior e só conheci o trabalho de agricultura familiar. Depois que servi o Exército, achei que era a hora de buscar outra vida.

Já na manhã seguinte, o jovem, grande e forte, saiu decidido a conseguir um trabalho. Bateu de porta em porta até chegar a uma cervejaria. Quando olharam para ele disseram que já poderia começar. “Olhei os homens carregando engradados que, na época, eram de madeira, com todas aquelas garrafas de cerveja, achei que seria muito pesado e segui em frente. Subindo a Haddock Lobo, vi um tapume da obra do prédio, entrei e pedi trabalho. Colocaram-me no setor de pedra, o mais pesado da obra, mas a garagem já estava pronta e poderia dormir por 1 a. Fiquei”, diz, acrescentando que na época não fazia ideia de que ficaria ali por tanto tempo. 

Gil lembra que os outros operários ainda o criticavam, dizendo que não sabia trabalhar. Mas o encarregado gostou dele e com uma semana o colocou para fazer outro serviço, o de espalhar terra e molhar para fazer o piso. “Jé melhorei, mas com 20 dias voltei a reclamar. Estava bom, mas queria aprender outros serviços. Passei a pedreiro e novamente em um trabalho pesado, mas queria o desafio e seguir aprendendo e, em pouco tempo, sabia fazer de tudo na obra”. 

Mas foi aí que aconteceu o acidente. Dois anos depois o prédio estava pronto e Gil teve que procurar outro trabalho, como eletricista. Mas logo o engenheiro da obra disse que havia uma vaga no prédio. Começou como zelador. “Conforme os moradores começaram a chegar, me passaram a porteiro, função em que estou até hoje”, diz, adiantando que mais histórias estavam por vir.

Com o tempo, o prédio contratou outro empregado para dividir o trabalho com ele. Os dois ficaram no apartamento, mas seu colega foi nas férias para a Paraíba e voltou casado, pedindo que procurasse outro lugar, porque era sozinho e seria mais fácil para ele. “Deus me deu um coração bom e fui para um quarto em uma casa de cômodos”. No período de um ano em que ficou por lá, o dono de um botequim da esquina lhe falou de outro emprego de zelador com moradia e 1a foi Gil, acumulando os dois empregos. Mas logo voltaria para o prédio. “O Severino tinha horário de trabalho e horas livres, mas nunca estava na portaria, ficava o tempo todo no apartamento. Cobria a sua falta como podia, mas chegou uma hora que não deu mais para ele e pediu as contas”, conta rindo às gargalhadas.

O porteiro voltou a morar no prédio, mas não para se acomodar. Trabalhou muito como eletricista, bombeiro hidráulico, motorista particular, manobrista. Horas de folga para ele sempre foram oportunidades de aprender e trabalhar mais. “Hoje estou igual ao pássaro, com dor nas costas, com dor no pescoço, em tudo. Quanto é serviço pesado, não dá mais. Com 76 anos, já não sou mais uma criança”, brinca. O biscate que ainda faz é o trabalho de motorista.

Em todos os anos que passou no prédio fez muitos amigos, formou família, viu crescer os filhos e partiu a esposa em longo e doloroso processo devido a um câncer. Ajudou-os neste período um morador médico. Nunca faltou e só se afastou do prédio por três anos, depois que pediu as contas para comprar um terreno e construir sua casa, feita totalmente com suas próprias mãos. 

Hoje divide o trabalho com o colega Gerônimo, que já está no prédio há 10 anos. “Um rende o outro e nos damos bem; o trabalho é bem feito. O síndico e os moradores ficam tranquilos. O tempo livre passo com os filhos e netos”, afirma. Para o síndico Julio Monteiro, Gil é uma unanimidade como nunca viu em condomínio algum. “Muito expansivo e sentimental, tem coração mole. Assíduo e prestativo, qualquer pessoa que precise tem nele um trabalhador dedicado, muito disposto, afirmativo, sempre pronto a conversar e rir. É um trunfo, seja porque ajudou a construir o prédio, seja porque aprendeu serviços fundamentais em um edifício, seja porque, como é muito conhecido na região, é respeitado por todos, desde os vizinhos, aos camelôs e malandros. Ninguém vem tentar nada aqui no prédio”, afirma, não escondendo que tem até receio de quando ele deixar o serviço, por causa do espaço que ocupa como profissional e pessoa, difícil de ser preenchido.

Assíduo e prestativo, qualquer pessoa que precise tem nele um trabalhador dedicado, muito disposto, afirmativo, sempre pronto a conversar e rir.

Para Gil, qualquer um que queira trabalhar como porteiro tem que saber que ser honesto é o principal. Outras dicas do profissional mais antigo na profissão são: “Um porteiro não deve ser cachaceiro. Deve ser cumpridor de suas obrigações e não deixar os colegas na mão, muito menos ser puxa-saco. Mas o mais importante mesmo é saber que, quando se trabalha em condomínio, o serviço é para famílias e, por isto, o profissional tem que ser do bem”, ensina.

Porteiro Gilvandro Lourenço

Talvez por seu dinamismo e disposição bem humorada, Gil nem de longe aparenta sua real idade. Nem mesmo dá grande atenção a isto. Pelo contrário. Para ele, a vida segue levando-o a viver mais e mais histórias, sem fim. “Um dia vou parar, mas não penso nisto nào”, conclui, pronto a chamar a atenção para mais uma história: “Esta é de lascar, escuta só…”. ■

DIA 23 DE ABRIL É O DIA DO SÍNDICO

No calendário carioca, o próximo dia 23 é o feriado de São Jorge, Jorge Guerreiro, como é chamado por muitos. Nenhuma referência histórica ao fato de que este também é dia do síndico, mas não é difícil associar a imagem daquele que “mata um dragão” com a figura do síndico. Ainda que sem as roupas e armas de Jorge, o síndico enfrenta as adversidades sem fraquejar. Suas batalhas são diárias e envolvem dragões dos tipos mais diversos, alguns ferozes, outros apenas chatos. Mas ele não se dá por vencido. 
Sua vitória é o bem comum. Com sua coragem e desprendimento, dignifica a função que assume; demandas, dúvidas, queixas, erros e acertos, aprimora o trabalho das administradoras. 
Por sua iniciativa, flexibilidade, educação e respeito na defesa da valorização do patrimônio comum, nos cuidados com a manutenção, conservação, ordem e asseio do condomínio, nos investimentos na qualidade de vida e boa convivência, parabéns pelo seu dia, Síndico.

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