PORTEIROS
Antônio Moura Castro - Condomínio Edifício Juruana
 

DISPOSIÇÃO E ALEGRIA PARA MAIS 40 ANOS

Antônio Moura CastroAntônio Moura Castro trabalha desde 1972 no Condomínio do Edifício Juruana, no Flamengo. E ao longo de todos estes anos colecionou muitas histórias. Mas as suas aventuras começaram muito antes e sempre movidas pelo trabalho. De oficina mecânica a orquidário, de empresa de transporte a serviço de coleta de lixo, o hoje porteiro há quase 40 anos passou por inúmeras experiências sempre com a mesma disposição e alegria. Comunicativo, é querido pela comunidade, por moradores do Juruana e vizinhos do edifício. “Quando cheguei para trabalhar na faxina, era tudo novo. Nunca havia pego numa vassoura, limpado uma vidraça. A síndica era “das boas”, exigente, e fui aprendendo no dia a dia. As amizades foram surgindo e o ambiente sempre foi muito bom. Tive aqui mais que amigos, muitos foram como pais para mim. Depois veio o serviço de porteiro, mas tudo já era diferente e esta já era a minha casa”, conta.

No condomínio todos reconhecem e admiram as histórias de idas e vindas, que demonstram o desprendimento e a determinação de Antônio. “Graças a Deus, gosto de trabalhar. Uma única vez parei porque meu pai me tirou do trabalho vendo que eu precisava descansar”, recorda. E o pai tinha razão: com menos de 15 anos, Antônio virava a noite em um trabalho numa padaria. Infelizmente, também ficou sem trabalhar em uma outra ocasião, desta vez por causa de um acidente grave. Com apenas 17 anos, já trabalhando em uma transportadora onde carregou até toras de madeira, sofreu um acidente que exigiu um ano e meio de recuperação. “Mesmo depois deste tempo, não conseguia dobrar o joelho. Mas, quando o seguro me liberou para trabalhar, fui à luta”, lembra. Um primo era responsável pela garagem da empresa de coleta de lixo de São Paulo, e lá foi Antônio cheio de disposição. No entanto, pouco tempo depois, uma tragédia tirou a vida do primo, e Antônio voltou para Petrópolis. Foi quando um amigo que trabalhava como porteiro no Juruana chamou-o para o trabalho como faxineiro. Apesar de ser algo novo para ele, que já experimentara tantos trabalhos diferentes, não teve dúvidas e mudou-se para o Rio.

E o Juruana e o Rio tornaram-se sua casa. Com o tempo, veio o apelido de PC, como hoje é mais conhecido, por causa das partidas de futebol no Aterro com os colegas da vizinhança do prédio. Na época, Antônio jogava muito parecido com um jogador famoso de nome Paulo Cesar. O apelido pegou.

Futebol é um de seus maiores prazeres, assim como dançar, namorar... “Ontem mesmo, estive com a minha namorada na Feira de São Cristovão”, conta. Ele e os colegas de prédios vizinhos enfeitaram toda a rua para a Copa e programaram uma festa com direito a churrasco e cerveja para o dia dos jogos. “Moradores e o pessoal que trabalha por aqui participarão; todos torceremos juntos”, enseja.

Antônio foi casado por oito anos, mas não teve filhos e o tempo dele é dividido entre o trabalho no condomínio, o convívio com os amigos e a namorada. “A rotina no Juruana é tranquila, pelo conhecimento das pessoas, do trabalho, do funcionamento do prédio”, diz Antônio, acrescentando que o trabalho é muito bom.

A síndica confirma que o porteiro não precisa de muita ajuda ou orientação. “É um excelente funcionário, querido por todos, que além de cumprir bem as suas funções mantém um ótimo relacionamento com os condôminos”, afirma Ana Luisa Mena Barreto.

Para quem quer construir uma carreira e um ambiente igual ao que Antônio conseguiu, o porteiro diz que o mais importante é ser responsável e respeitoso, e não bajulador de um ou outro. “O tratamento deve ser igual, seja à empregada de um patrão, seja ao patrão, seja a um entregador. Não interessa se tem carrão ou fusca, se é branco ou preto. Todos merecem e gostam de ser bem tratados”, ensina. O segredo de ser sempre alegre e disposto, isto Antônio diz que não ter como dizer. “É de cada um”, conclui.

  
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