ASSESSORIA QUALIFICADA
Contar com o suporte de uma administradora garante boa gestão condominial



Poder dispor do acompanhamento de um consultor de condomínio, especializado em legislação condominial, gestão financeira e trabalhista e administração de conflitos. É assim quando um síndico opta por trabalhar com uma administradora competente. O seu papel passa a ser quase que só o de representar o condomínio legalmente. Todo o chamado BackOffice, ou seja, todos os aspectos práticos de uma gestão, fica a cargo da empresa contratada.

Pense em toda a trabalheira contábil executada por profissionais de contabilidade, tesouraria, contas a pagar e a receber. Recrutamento e seleção, obrigações das leis do trabalho e da previdência, tudo feito por especialistas e ainda com o suporte de uma assessoria jurídica.

E a opção está longe de ser um luxo. Com a tendência de equiparar os condomínios a empresas, a gestão profissional torna-se uma necessidade.

A receita ordinária e o apetite do governo arrecadador

Outra tendência que vem pressionando os condomínios a mudar sua forma de gerenciamento é o crescimento dos serviços agregados, os chamados condomínios clube, ou condomínios cidades, em que uma gama enorme de atividades passa a estar sob responsabilidade, ainda que indireta, da administração condominial.

Quando se pode ser responsabilizado ou se pode ter uma responsabilidade partilhada pelas ações de outros, o peso é muito maior. Academias, restaurantes, escritórios. Cada um tem um conjunto de leis e normas a cumprir, mas o que quer que aconteça dentro das dependências do condomínio envolve o síndico. Ainda que não seja dele a competência de cumprir leis e normas específicas de um determinado serviço ali disponibilizado, ele ainda é o responsável legal por tudo o que ocorre no condomínio.

E o volume de recursos que os grandes condomínios faz girar atiça a cobiça do governo. Os síndicos reclamam que não há distinção entre os empreendimentos de maior porte e um prédio pequeno e antigo, com moradores idosos que vivem apenas com suas minguadas aposentadorias. As obrigações são as mesmas, tributárias e trabalhistas especialmente. Qualquer deslize, um atraso por esquecimento, um erro de cálculo, e lá estará o síndico respondendo por isto.

“Hoje em dia é cada vez mais importante ter uma boa assessoria especializada nesta área de administração de condomínio. As obrigações crescem a cada ano e são de caráter diverso, exigindo conhecimento e capacidade de atualização enormes”, avalia Pedro Casalarde, presidente da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis - ABADI.

Entidades representativas somam para tornar administração mais profissional

Casalarde reconhece a falta de conhecimento e critério dos legisladores e, por isto, destaca outra importante função das administradoras. Ao integrar entidades representativas, como a ABADI e o Secovi Rio, garantem peso na busca por acompanhar, nortear e até, na medida do possível, barrar propostas mirabolantes que sobrecarregariam ainda mais os condomínios.

As entidades, por sua vez, têm respaldo para cobrar profissionalismo e seriedade das administradoras, a fim de garantir ao mercado a competência e a ética necessárias. Da mesma forma, oferecem cursos de especialização para quem trabalha no setor e ouvem queixas de clientes, intercedendo por estes junto às empresas. “Sem infraestrutura, solidez e pessoal capacitado, não é possível prestar os serviços com a qualidade que os condomínios necessitam hoje. E, é claro, que é preciso uma seleção, buscar saber se presta bons serviços, se tem estrutura financeira sólida, que tipo de atendimento oferece e ouvir clientes”, diz, acrescentando que são estes que acabam por limitar as menos qualificadas.

Quanto ao custo dos serviços, avalia que, comparado ao de administrar sozinho, tendo que contratar profissionais para serviços pontuais, seja um advogado, seja um contador, não é caro. “Na relação custo-benefício, por todas as facilidades ofertadas, quem conta com uma administradora sai ganhando. Um exemplo recente foi o processo de aquisição do certificado digital. As empresas se prepararam para ajudar o síndico. Foi mais fácil e rápido para quem dispõe do serviço do que para aqueles que buscaram a certificação sozinhos”, afirma.

Manoel Maia vice-presidente do Secovi Rio e presidente do conselho deliberativo da ABADI há 12 anos, um dos profissionais mais respeitados do setor, considera o trabalho das administradoras de vital importância para o condomínio na sociedade contemporânea, que exige melhorias das técnicas e das relações na prestação de serviços. “Não se pode mais tratar condomínio como coisa pequena, um contas a pagar e receber. Cada vez mais este suporte precisa ser qualificado, o pessoal precisa estar treinado, entender de legislação específica para o setor condominial. Somente as empresas melhor preparadas conseguirão continuar no mercado”, afirma.

Ele acredita que os cursos oferecidos ainda são poucos e já há a necessidade de uma universidade, uma formação mais ampla e abrangente que garanta aos profissionais que atendem a condomínios e locadores todo o volume de informação e conhecimento que necessitam. “São muitos os fatores envolvidos para a qualidade de uma administração como esta, competência e conhecimento, solubilidade e, acima de tudo, ética, porque são empresas que lidam com grandes volumes de dinheiro de terceiros”, afirma.

Como Casalarde, Maia também acredita que a administração de condomínio por conta própria é mais cara e mais arriscada. “O mais importante é que o síndico estude as empresas do mercado, procure conhecer a sua história, sondar a qualidade de seus serviços, pois somente isto irá dizer da competência que tem para auxiliá-lo. Mas esta ajuda já é a coisa mais importante que pode buscar para a sua administração”, avalia.

Administradoras dão transparência à gestão condominial

Para além do cumprimento de obrigações e das demais tarefas cotidianas da administração de condomínio, e até como resultado deste trabalho, as administradoras contribuem para a valorização dos imóveis e para dar transparência à gestão do síndico.

Uma má gestão pode fazer com que o valor da taxa condominial aumente de forma incalculável. Ao estar melhor assessorado para cumprir uma agenda de manutenções, contar com previsões orçamentárias mais dentro da realidade do condomínio e dispor de prestações de contas e balancetes a qualquer tempo online, diminuem problemas como deteriorização das estruturas e acabamento estético, um alto índice de inadimplência e de queixas por falta de transparência nas contas condominiais.

“Não importa o tamanho do condomínio: se as demandas são grandes, dividir o peso com uma empresa qualificada é a melhor opção para o síndico”, conclui Manoel Maia.


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