Enézio da Cunha Madeira, síndico do edifício Gaetano Segreto, já havia chegado ao trabalho quando ouviu um estrondo enorme e sentiu o prédio tremer. Era por volta das 7 horas da manhã quando um vazamento de gás de cilindros utilizados clandestinamente em um dos restaurantes do edifício vizinho causou uma explosão que matou quatro pessoas e deixou 17 feridos. “Na hora pensei que um avião tivesse caído, corri até a janela e vi a poeira subindo. Então pensei que tivessem colocado uma bomba no prédio e desci correndo”, conta. Foi quando viu que a explosão tinha sido no prédio vizinho, mas de tão grande deixou duas das lojas de seu condomínio com danos na alvenaria.
O andar térreo do prédio onde havia o restaurante que explodiu, na Praça Tiradentes, no Centro, foi totalmente destruído, em um dos piores acidentes deste tipo já ocorridos no Rio.
O impacto acabou chamando a atenção para os condomínios com restaurantes e bares. O estabelecimento não tinha autorização para o armazenamento de qualquer tipo de gás e todos os envolvidos respondem agora por explosão qualificada pelo resultado morte. A pena pode chegar a oito anos de prisão. O síndico foi denunciado por ter conhecimento da instalação de cilindros e não impedir a ação. O laudo emitido pelo Corpo de Bombeiros para o condomínio não autorizava o uso de gás em nenhuma forma.
Circulares, assembléias e inspeções
Vizinho ao prédio, o Condomínio Gaetano Segreto tem seis lojas, entre elas uma lanchonete. Todas estão na convenção e obedecem as regras internas, segundo o síndico Enézio da Cunha Madeira. “Desde que aconteceu um acidente com botijão em outra área do Centro, estávamos atentos. Na ocasião fizemos circular alertando que se encontrássemos qualquer irregularidade denunciaríamos”, diz.
O síndico avalia que o problema não é incomum porque, embora proibida, a utilização de botijões sai mais barata do que o gás canalizado. “Depois deste terrível acidente, fizemos uma assembleia extraordinária e, mais uma vez, reforçamos a proibição. E ainda fizemos uma inspeção nas unidades, mas não encontramos nada”, assegura.
O edifício é antigo e não conta com sprinklers, mas as instalações preventivas contra incêndio, assim como os extintores, estão sempre em dia “É importante estarmos preparados: quem imagina que uma coisa desta pode acontecer do seu lado?”, justifica.
Prevenção sempre
Quinze dias antes da explosão, o Terminal Garagem Menezes Cortes – TGMC realizara quatro dias de curso com seu pessoal, com aula específica para problema com vazamento de gás. Não foi coincidência. Com 102 lojas, 44 quiosques, sendo 18 deles bares e restaurantes, uma universidade e o escritório da Defensoria Pública, além dos andares de garagem e a área com terminais de ônibus, o condomínio mantém uma infraestrutura de prevenção sempre alerta.
Apesar disto, depois do acidente na Praça Tiradentes, o síndico Sérgio Ramos fez uma circular e encaminhou para todos os estabelecimentos. “Todos eles contam com gás canalizado, mas entendemos que era uma oportunidade de reforçar orientações preventivas. Aproveitamos ainda para estender o alerta para as instalações elétricas também”, conta.
Sérgio diz que a atenção e o controle precisam ser constantes para evitar acidentes. Com uma brigada de incêndio e sistemas de sprinklers em toda a sua área, inclusive no terminal, mantém os seus 25 integrantes da brigada, alguns com 13 anos de casa, todo o pessoal de manutenção, de limpeza e os vigilantes treinados. Estes últimos internamente. Todos são orientados a acionar a brigada diante de qualquer ocorrência. Uma medida que aconselha: “Investir em infraestrutura de segurança, treinamento e vigilância permanente é a melhor maneira de evitar que acidentes como este voltem a acontecer”, conclui. |