POR UMA CIDADE MAIS VERDE
Ecotelhado é opção para quem quer conforto térmico e preocupa-se com a melhoria do meio ambiente

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Não é preciso ser dono de um pedaço de terra para se investir na ampliação das áreas verdes da cidade, medida tão importante para o combate ao aquecimento global. Um telhado já basta. Esta é a proposta do Ecotelhado, sistema que garante absorção de calor e de som, diminuição do consumo de energia, escoamento e drenagem das águas pluviais, além de beleza e baixo custo de aplicação e de manutenção. Ele é composto por três camadas finas e leves: uma manta plástica, uma camada de geo têxtil e uma de módulo vegetado, onde plantas rasteiras e de raízes curtas, que suportam bem sol aberto e vento, já estão plantadas em substrato e não em terra, o que garante leveza e pouco ou nenhum cuidado. Dois dias bastam para a sua montagem em um telhado padrão, de 100 m2. Ele pode ser utilizado sobre praticamente todo tipo de coberturas, sendo uma opção também em condomínios, especialmente pelo aspecto estético e econômico, por garantir mais verde e água de chuva filtrada para reuso.

A novidade vem conquistando o público em geral, principalmente depois de ter sido utilizada na reforma de uma casa mostrada no quadro Lar Doce Lar de um programa de TV. Mas o Ecotelhado já é bastante utilizado por fábricas e espaços públicos, como a Fábrica Carioca de Catalizadores, em Itaguaí, e a Estação do Plano Inclinado do morro Dona Marta, em Botafogo. Nestes locais, o maior apelo é o da economia de energia, pelo isolamento térmico proporcionado.

Marcelo Zukin está colocando o Ecotelhado em sua cobertura, na Lagoa, e conta que foi uma feliz coincidência ser apresentado ao produto pelo arquiteto Renato Giro, um dos representantes cariocas do sistema, enquanto este conduzia o início de sua obra. “Buscava uma solução que oferecesse um pouco mais de conforto térmico, com algum apelo ecológico, e o Ecotelhado surgiu como uma resposta muito interessante”, conta. A expectativa de Zukin agora é de que, além de uma área mais fresca, tenha também uma cobertura para encher os olhos de quem pode apreciá-la de cima. Sua cobertura corresponde ao 7º andar e há prédios mais altos ao redor. “A ideia é muito boa e tem impacto estético no entorno”, comemora.

O arquiteto Renato Giro explica que o telhado vivo, ou Ecotelhado, vem atender a uma necessidade das grandes cidades, pois o problema do aquecimento do planeta não diz respeito apenas aos buracos na camada de ozônio, mas também ao calor refletido pela própria estrutura das cidades e de suas edificações. “Em um bairro como Copacabana, por exemplo, vemos um mar de edifícios. Onde poderiam ser plantadas as cotas que cabem a cada um para reduzir as emissões de carbono, ou pelo menos a extensão de área verde prevista dentro do projeto de realização da Copa do Mundo de 2014 no Rio?”, pergunta. Por causa de alguns lugares mais distantes dos centros urbanos, o Estado do Rio até tem o índice de área verde previsto no projeto, mas, para o arquiteto, o Rio tem um potencial muito maior para explorar, a partir de uma característica da própria cidade. “É um dos lugares mais lindos e queridos do mundo, justamente por suas belezas naturais”, destaca.

Ele acrescenta que o próprio conceito de lajes de cobertura vem mudando, buscando uma utilização que valorize este espaço para fins de lazer, captação de recursos naturais e melhoria da qualidade de vida dos moradores das cidades. “No quesito captação de água de chuva, por exemplo, já há um decreto (23.940, de 30/01/2004) no Rio de Janeiro que torna obrigatório que áreas expostas com mais de 500 m2 tenham canalização para o retardo do escoamento das águas pluviais para a rede de drenagem”, explica. O retardo, segundo a Lei, deve ser de uma hora após a chuva, mas o uso desta água poderia reduzir consideravelmente a conta de água. O Ecotelhado retém 16 litros por m2 e filtra esta água, atendendo à parte significativa do processo.

As coberturas que podem utilizar o sistema são as de fibrocimento (antigas telhas de amianto), as lajes planas (as coberturas de um modo geral) e as telhas de chapas metálicas. “As telhas de fibrocimento precisam receber uma camada impermeabilizante antes”, adianta Giro, acrescentando que é fundamental que este procedimento seja feito por uma empresa especializada. “É uma garantia de manutenção do Ecotelhado”, conclui.


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