O CONDOMÍNIO E AS AÇÕES PELO MEIO AMBIENTE
REUTILIZAÇÃO DA ÁGUA DA CHUVA



Exemplo de ação pela sustentabilidade, sistema de captação e armazenamento de água de chuva reduz conta de água dos condomínios.

As ações de sustentabilidade estão em alta e os condomínios começam a aderir a elas. A opção pela reutilização da água da chuva tem representado economia em um dos itens que pesa na cota condominial: a conta d´água. Bom para o bolso dos condôminos, bom também para as cidades, pois os sistemas de captação de água da chuva contribuem para reduzir as enchentes nos períodos de muita chuva.

Os alagamentos acontecem não apenas por entupimentos de bueiros e desníveis do solo, mas devido à impermeabilização que, muitas vezes, ultrapassa em muito os 50% das cidades, impedindo o escoamento das águas. Quanto maior a área com árvores, jardins e canteiros, e com telhados e terrenos com sistema de captação de água de chuva, melhor.

Soluções diferenciadas

Mas a solução é possível em seu condomínio, mesmo que seja uma edificação antiga? Toda novidade traz dúvidas e insegurança, reconhecem os que trabalham com os sistemas. “As pessoas querem saber do que realmente precisam para instalar um sistema como este. Invariavelmente, duvidam de sua simplicidade e de seu baixo custo”, conta André Luiz da Silva Sá, técnico e representante comercial de uma empresa de captação e reaproveitamento de águas de chuva.

A instalação do sistema é simples e composta, basicamente, de três etapas. Na primeira, há a instalação de calhas, “de boa qualidade, preferencialmente em alumínio sem emendas, em razão da durabilidade e eficiência”, explica, justificando que as calhas com emendas tendem a enfraquecer e gotejar nas suas junções.

Na segunda etapa, instala-se o equipamento de filtragem onde são descartadas as primeiras águas do telhado e a retirada de folhas, insetos e outras impurezas. E, por último, coloca-se o tanque de armazenagem, que pode ser externo ou enterrado. Há reservatórios de todos os tamanhos e desenhos, alguns com design moderno para todo tipo de espaço.

Um sistema completo inclui ainda um indicador de nível, filtros para usar a água na máquina de lavar roupa, reposição de água de fonte alternativa. “O limite é a criatividade e o bolso do freguês”, brinca, acrescentando que a instalação é fácil, embora cada situação exija uma prévia avaliação técnica.

Casos de sucesso

Quem aderiu ao sistema e está bastante satisfeito foi o Condomínio Príncipe de Gales, em Niterói. Ele já possuía um sistema coletor de água da chuva que levava todo o volume para a rede de águas pluviais. Assim, com poucos canos, os filtros e uma caixa d’ água de 10 mil litros passou a contar com água suficiente para a rega das plantas, a limpeza, a lavagem de carros e os banheiros dos empregados.

No lugar de construir um reservatório, adquiriu um que se adaptou ao espaço disponível no condomínio, que atende a três blocos. A redução da conta de água foi de 2 mil reais, passando de 8 mil para 6 mil por mês.

Com este resultado, o síndico Luiz Antônio Teixeira já planeja a aquisição de um segundo reservatório. “Apesar de acreditar que ainda é cedo para avaliar o quanto vamos economizar com a iniciativa, a intenção é expandir para os demais blocos porque no futuro a água será cada vez mais cara”, analisa, comemorando o fato de que o sistema não exige manutenção, a não ser a limpeza dos filtros, feita pelo próprio empregado do condomínio a cada chuva mais forte. “Fez-se uma base, colocou-se a caixa e pronto!”, comemoram também José Elci, Marco Tulio e Mario Brasil, integrantes do conselho consultivo do Condomínio. As únicas intervenções do síndico foram lacrar a tampa da caixa, para evitar riscos para as crianças, e pedir um medidor de nível, que diz o quanto de água há no reservatório. Um ladrão permite escoar a água excedente para a rede de águas pluviais.

Quem adotou a reutilização da água da chuva há mais tempo também não tem do que reclamar. Há 4 anos o Condomínio Porto das Palmeiras, no Flamengo, construiu uma cisterna para coletar a água da chuva e, com isto, teve uma economia de 15% com o uso dos 30 mil litros que são utilizados na limpeza, rega de plantas e garagem para lavar carros. “Colocamos até uma placa na frente do condomínio avisando que as calçadas são lavadas com esta água, pois, com a conscientização para a economia aumentando, seria um risco lavar as calçadas sem avisar que utilizamos água pluvial”, explica o síndico José Alexandrino Souza. Com isto, síndicos de prédios vizinhos procuram o condomínio para saber como fazer para também aproveitar a água da chuva.

A cisterna foi construída em um terreno que muitos até pensavam que não era do condomínio, o que trazia riscos de invasão. “Contratamos uma assessoria técnica que fez o estudo e a análise do solo e da estrutura do edifício e, depois, um pedreiro e um ajudante que seguiram as suas orientações. Em 15 dias, cavaram o buraco e montaram a estrutura”, conta. O Condomínio optou pela compra de uma cisterna pré-montada. “Desde então está funcionando muito bem. Hoje acredito que esta foi uma das grandes ações do condomínio”, comemora Alexandrino.

O Condomínio colocou uma rede de tubulação que leva a água até a frente do prédio e também até dentro das garagens.

Dedicação ao condomínio e militância pelo meio ambiente

A intenção do síndico do Condomínio Príncipe de Gales é ampliar a captação e o armazenamento, a fim de estender o reuso da água para as descargas das unidades. “Não tenho dúvidas que os ganhos serão muito bons. Depois, são iniciativas que conscientizam, fazem com que cada vez mais as pessoas se habituem a valorizar este bem tão valioso”, avalia Luiz Antônio. Ele se sente orgulhoso de receber pessoas que procuram o Condomínio para ver as instalações e saber mais sobre o sistema, para também adotá-lo. “Passo feliz as informações e contatos, pois acredito que esta é uma ideia que deve ser amplamente divulgada”, completa.

O síndico é militante da causa ambiental e pretende adotar ainda aquecedores solares para o Condomínio, que faz coleta seletiva de lixo há três anos. Atento ao mercado, ele diz vender os recicláveis apenas na “entressafra”. “Há períodos em que os estoques das cooperativas estão cheios e o valor é menor”, explica, dizendo que também não utiliza os sacos que as cooperativas colocam à disposição, pois cobram 4 quilos pelo uso. “Na hora da venda, passamos tudo para sacos pretos comuns e assim ficamos com o valor total do peso”, acrescenta.

O dinheiro arrecadado é dividido uma vez ao ano, metade para o condomínio, metade para os empregados que lidam com o lixo, sendo um percentual maior para os que separam os recicláveis.

A atenção com as ações de sustentabilidade também é antiga no Porto das Palmeiras. A coleta seletiva começou cedo, era ainda pouco comum e houve resistência dos moradores. “Quando fechamos os dutos de lixeira, houve uma reação, mas depois que viram o resultado com redução das manutenções ficaram felizes”, conta Alexandrino, acrescentando que mantém cestos separados para os diferentes tipos de recicláveis e que todos já estão adaptados, fazendo a sua parte. “Hoje somos consultados por outros síndicos, pois sentem dificuldades para adotar a coleta seletiva justamente pela resistência dos moradores em fechar o duto e aderir à separação do lixo. Mas tudo tem trazido resultados favoráveis econômica e ecologicamente. Qualquer mudança traz resistência, não podemos é desistir”, defende.

O condomínio Porto das Palmeiras já conta com a cobrança de água individualizada por unidade, o que ajuda na conscientização pela economia. A conta de água está sempre estável e houve redução significativa com o uso de água de chuva. “Nossa faixa é entre 70 e 75 mil litros e, a qualquer alteração, fazemos vistoria nos apartamentos. Torneiras, chuveiros e descargas são vistos e, se houver vazamentos, corrigimos o problema sem demora”, diz. Quando alguém faz obra no condomínio, recebe uma comunicação pedindo para que use a água de reutilização. “É desta forma que contribuímos para ajudar a nós mesmos e ao planeta”, conclui.


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