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Ações simples e o auxílio de um check-up predial feito por profissionais especializados podem tornar as gestões condominiais mais eficientes, especialmente no que diz respeito à economia sempre necessária. Para David Gurevitz, engenheiro civil, com longos anos de experiência em engenharia de manutenção em grandes prédios no Brasil e no exterior, economia inteligente não é implantar soluções tecnológicas avançadas. A inteligência está em fazer o que é preciso, no momento certo. Nesta entrevista, o engenheiro nos explica como e o que fazer.
Lowndes Report – O que é economia inteligente em condomínios?
David Gurevitz – Quando se fala em condomínio, há dois tipos principais de economia: a que envolve manutenção bem feita e regular e a que vem com a modernização das instalações. A economia é inteligente quando pode ser feita com baixo ou nenhum investimento, sem sacrificar a qualidade de vida dos condôminos. Pode significar simplesmente a utilização correta dos equipamentos e/ou instalações.
LR – A economia obtida com manutenções seria então o resultado de atividade cotidiana, baseada em vistorias e correções frequentes?
David Gurevitz – Sim. As vistorias devem ser feitas com frequências diferentes, desde uma vistoria diária de vazamentos em bombas até a leitura do relógio de água (hidrômetro), o que nos possibilita descobrir imediatamente a ocorrência de vazamentos e, então, tomar a providência de identificá-los e corrigi-los, evitando-se uma conta altíssima naquele mês.
LR – Quem deve fazer estas vistorias?
David Gurevitz – As vistorias cotidianas são muito simples e podem ser efetuadas por porteiros devidamente orientados. Existem vistorias mais complexas, os chamados check-ups prediais, que são vistorias e avaliações que contemplam todas as instalações e estruturas do condomínio, além de consumo mensal de água e energia elétrica. O check-up predial deve ser efetuado por engenheiros mecânicos ou eletricistas com grande experiência em manutenção predial, pois só assim pode fornecer ao síndico e aos condôminos uma fotografia completa da situação do patrimônio deles naquele momento, diagnosticando os problemas e propondo soluções, ajudando a reduzir custos de energia, água e grandes manutenções que podem ser evitadas com a realização de pequenas obras no momento em que são necessárias. É uma ferramenta que possibilita a tomada de decisões corretas sobre investimentos, sejam em manutenção, sejam em modernização.
LR – O que consta de um levantamento como este?
David Gurevitz – Todos os sistemas, do subsolo ao telhado: bombas, máquinas de elevadores, PC de luz, pára-raios, estruturas civis, instalações de gás, etc. O relatório final, se implementadas as soluções propostas, permite não apenas economia de luz e água, mas também redução de custos de manutenção e a segurança contra incêndios e contra vazamentos, e até problemas estruturais mais graves como desabamentos.
LR – Em um ranking de despesas do condomínio água, luz, elevadores e pessoal encabeçam a lista. Qual é o principal fator que leva a perdas e desperdícios nestes itens?
David Gurevitz – O principal é a água, com vazamentos em torneiras e descargas, que implicam imediatamente no aumento do custo desta despesa e da energia elétrica (as bombas trabalham mais para bombear a água desperdiçada).
LR – O que pode ser feito, em ações simples, para corrigir esse problema? Vamos começar pela água.
David Gurevitz – Ler diariamente o hidrômetro e, em caso de alteração em relação à média diária, chamar imediatamente um bombeiro para procurar o vazamento e corrigi-lo (inclusive verificando torneiras e vasos de todas as unidades).
LR – No item luz.
David Gurevitz – Por exemplo: tubulações antigas de ferro, que já apresentam vazamentos em alguns trechos e muitas incrustações, fazem com que a bomba tenha que utilizar mais energia para bombear a água. Nesta hora, já é viável programar a troca de toda a tubulação, em vez de trocar apenas os trechos conforme eles forem apresentando vazamentos, reduzindo o consumo de energia das bombas.
LR - Item elevador.
David Gurevitz – A utilização racional dos elevadores, desligando alguns em horários de menor movimento, permite uma boa economia, sem investimentos.
LR - E quanto às obras de modernização, o que há de novo visando à promoção de uma economia inteligente no condomínio?
David Gurevitz – Vamos por itens: elevadores, por exemplo, podem ser modernizados. Com a utilização intensiva da eletrônica, permitem uma economia de energia significativa, que pode chegar a 40% do consumo desses aparelhos e ainda aumentar a segurança.
Coleta de água de chuva: permite uma grande economia em água e energia.
Aparelhos de ar condicionado (residenciais ou não): a utilização de aparelhos de condicionado split, em seus tipos mais modernos (os INVERTER), permite uma grande redução de consumo de energia em relação aos modelos tradicionais e, maior ainda, em relação a aparelhos de janela (pode chegar a mais de 50% de economia); sua utilização propicia também uma melhor qualidade no ar condicionado, com a manutenção da temperatura ambiente de maneira muito mais próxima à condição de conforto que escolhemos.
LR - Qualquer condomínio pode ter acesso a estas soluções?
David Gurevitz – Sim, basta o síndico implantar as pequenas inspeções diárias e o acompanhamento diário do consumo de água e contratar especialistas para fazer um check-up predial, seguindo as recomendações de manutenção e modernização pertinentes. Isto porque só desta forma pode avaliar que solução é a mais viável ou de melhor resultado.
LR - Como estas ações afetam a qualidade de gestão do condomínio?
David Gurevitz – Uma gestão mais profissional, de resultados, valoriza o patrimônio de todos os condôminos, possibilitando também uma maior liquidez e rentabilidade em locações, tornando locação e venda muito mais fáceis. É ainda fator preponderante na qualidade da relação administração-condôminos, reduzindo os atritos. O síndico e a administradora, se o condomínio dispõe dos serviços de uma, têm seu trabalho reconhecido pelos moradores, que conseguem ver o resultado de suas atuações e do emprego eficiente das cotas que pagam mensalmente.
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