PORTEIROS
Raimundo Aprígio de Souza - Condomínio Edifício Márcia
 

DEDICAÇÃO E RECONHECIMENTO
Manoel Severino de Moura

Vilamar Gama de Medeiros trabalha no condomínio do Edifício Polaris, em Ipanema, desde 2002. Neste tempo, constituiu família e comprou uma casa. Além de gostar do emprego, garante que é por intermédio dele que está crescendo e investe no trabalho para trocar o imóvel que tem por outro, em endereço melhor. Muito dedicado, é reconhecido no condomínio por ser solícito e ajudar sempre, uma entre muitas qualidades, conforme conta Sheila Freire Falcone, ex-síndica e hoje conselheira do edifício. “Vilamar tem iniciativa, procura melhorar a cada dia e jamais faltou ao serviço, fosse qual fosse o motivo”, afirma, ressaltando ainda que a seriedade dele também suscita elogios. Recentemente, ele recebeu a mais pelo valor do vale-transporte e entrou em contato com a administradora para comunicar o engano. “Isto é o certo. Quando alguém fica com algo que não é seu está errado. Se fosse para menos, eu iria reclamar; então, por que ao contrário ficaria calado?”, justifica Vilamar.

Sua história é parecida com a de muitos que vieram para o Rio em busca de trabalho. Nascido em São Benedito, a 160 km de Fortaleza, no Ceará, trabalhou na lavoura até completar 19 anos e, entre idas e vindas nos primeiros tempos, passou por dois condomínios antes de chegar ao edifício Polaris. “Trabalhei desde muito cedo, mas em minha terra não tinha como ter carteira assinada e, assim, o futuro fica mais difícil. Mas aqui no início também não é fácil. A gente faz uma ideia de como é o Rio e, quando chega, descobre que é muito diferente. Sente saudades de casa, dos pais, dos irmãos. O corpo está aqui, mas a cabeça lá”, conta o filho de uma família de nove irmãos, três deles morando no Rio, que passou três anos no primeiro emprego, seis no segundo e está há 15 no Polaris.

O edifício de cinco andares do qual Vilamar cuida com tanto carinho, da limpeza ao atendimento na portaria, foi a sua escolha desde o início. Havia deixado seus dados em uma administradora em busca de emprego e, com duas opções, escolheu o Polaris. “O prédio é tranquilo e os moradores são bem legais”, diz. A rotina começa às 7 horas da manhã, quando percorre os andares para ver se está tudo em ordem. Depois faz a limpeza e segue para a portaria, onde fica atendendo aos moradores e visitantes até às 16 horas.

As horas vagas são preenchidas pela companhia da esposa Valdilene e da filha Lívia, de três anos. Passeios em parques e pelas praias são sempre para levar a filha. Para o próximo ano, planeja uma viagem de visita à família, no Ceará, para levar Lívia para conhecer os parentes que moram longe.

Pela filha pode ser até que volte a estudar. Passou pouco tempo na escola, reconhece, e não está descartado voltar para ela. “A esposa tem um pouco mais de estudo, mas nunca é tarde para a gente recomeçar”.

Aos colegas, Vilamar diz que, para ter rendimento em um trabalho em edifício, é preciso atender bem, conhecer o prédio e saber de suas necessidades. Além, é claro, de estar sempre atento ao que está se passando: necessidade de limpeza na caixa d’água, manutenção da bomba, etc. “Tem que ser ativo e atento porque, senão, será sempre chamado a atenção”, ensina, demonstrando por que é considerado pelos moradores e respeitado em seu trabalho

 

  
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