A COPA E A PROTEÇÃO AMBIENTAL
A Copa do Mundo de 2014 está levando a Prefeitura do Rio a estudar mudanças na legislação a fim de permitir a construção de até 11 ecoresorts em áreas de proteção ambiental na orla da Zona Oeste. Os lotes seriam vendidos separadamente para financiar a construção, o que hoje não é permitido. A justificativa do prefeito Eduardo Paes é a necessidade de vagas na rede hoteleira para a realização do evento, que ficariam ainda para a Olimpíada de 2016, que o Rio ainda disputa. A intenção é começar pela Área de Proteção Ambiental (APA) da Restinga de Marapendi e seguir, caso haja interessados, até a APA de Grumari, um dos últimos refúgios de restinga do Rio. Quem defende a ideia diz que o projeto teria o efeito de inibir a eventual favelização dos terrenos. Quem não o aprova diz que ele não seria solução para responder à demanda por vagas na rede hoteleira e ainda traria grandes prejuízos ambientais. A tentativa de aproveitar a área não é nova. Antes da criação da APA, vereadores apresentaram projeto para a construção de um polo turístico na restinga de Marapendi, com prédios de 15 andares. Depois, em 2005, a Câmara aprovou uma lei complementar que aumentava a área total edificada permitida. O então prefeito Cesar Maia vetou o projeto, mas os vereadores o derrubaram e o prefeito entrou na Justiça. Com a disputa, houve uma valorização dos terrenos. O plano da atual gestão para as áreas surgiu durante as discussões do novo Plano Diretor da cidade, que deverá ser votado até dezembro.
CONDOMÍNIOS COM ESTAÇÃO DE TRATAMENTO
Uma Parceria Público-Privada (PPP), inédita no Rio, permitirá que novos condomínios da Barra da Tijuca não lancem mais seus esgotos nas lagoas do bairro. Empresários do ramo imobiliário investirão cerca de R$ 6 milhões, numa primeira etapa, para construir redes coletoras e pequenas elevatórias na Península e em terrenos próximos, entre o Barra Shopping e o Via Parque. Nestes locais, serão construídos prédios para abrigar, nos próximos anos, uma população de 70 mil pessoas e a estimativa é de que, com os investimentos em saneamento, cerca de 600 litros de esgoto por segundo deixem de ser lançados nas lagoas. Atualmente, os condomínios usam pequenas estações de tratamento e lançam o esgoto tratado nas lagoas. Entretanto, segundo a Cedae, elas não funcionam adequadamente, pois a manutenção é complexa e a eficiência, do ponto de vista ambiental, reduzida. A estimativa da Companhia é que, com as obras, até mesmo os antigos condomínios possam vir a desativar suas estações e se conectar à rede, que levará os esgotos à estação da Cedae.