Em uma cidade cercada por morros, deslizamentos acontecem, mas nada parecido com o que ocorreu no dia 18 de julho no Condomínio Jardim de Vila Isabel, em Vila Isabel, quando cerca de 75.000 toneladas de pedras deslizaram de uma pedreira desativada. O acidente feriu quatro pessoas, provocou uma morte, soterrou doze veículos e provocou a interdição de 17 das 80 casas do condomínio.
A notícia provocou consternação e, também, preocupação. Como um acidente deste porte foi ocorrer? De quem é a responsabilidade? A delegacia de polícia do bairro instaurou inquérito e aguarda os laudos do solo para saber quem poderá responder criminalmente pelo acidente — o município ou o condomínio – e, nos dias que se seguiram, os jornais estamparam as versões de um e de outro.
Baixada a poeira, o clima mudou. “Nem a muralha da China conteria uma avalanche de pedras como a que aconteceu aqui”, diz a síndica Jeanete Nogueira de Sá. “No caso de Vila Isabel, a dimensão do acidente nos faz acreditar que não havia como preveni-lo”, afirma Marcio Machado, presidente da Geo-Rio, órgão da Secretaria Municipal de Obras, que realiza sondagens geológicas e geotécnicas em um estudo que determinará, além das causas, as providências a serem tomadas. A prefeitura está dando total apoio ao condomínio e aos moradores, e eles aguardam o resultado do estudo, previsto para setembro, para saber o que será feito para evitar que novos deslizamentos aconteçam.
O que pode e deve ser feito
A Geo-Rio realiza vistorias, a fim de identificar possíveis riscos e fazer as intervenções necessárias nas áreas públicas. Já em locais particulares, estas ações acontecem somente quando solicitadas pelos proprietários. O procedimento é o seguinte: após a vistoria, a fundação emite uma notificação indicando se há a necessidade de obras e de que tipo. Caso o proprietário inicie a intervenção, licenciando a obra na Prefeitura, a Geo-Rio acompanha. Quando nenhuma providência é tomada, a fundação emite um “memorando de responsabilidade”, em que ratifica a responsabilidade do proprietário.
Perguntado sobre como devem agir condomínios próximos a encostas, Marcio Machado diz que o importante é que os moradores fiquem atentos e, se sentirem necessidade, recorram à Geo-Rio. “O mais importante é que realizem as intervenções indicadas pelo órgão para garantir a segurança de todos”, enfatiza.
Defesa Civil alerta para sinais de risco
Segundo informações da Defesa Civil, grande parte das encostas dos morros do Rio de Janeiro são áreas de risco potencial, o que ocorre devido à ocupação desordenada das encostas com cortes e aterros inadequados para o terreno, acúmulo de lixo nas partes mais altas, desmatamento e obstrução dos caminhos de descida das águas.
As informações da professora são as mesmas que a polícia faz questão de ressaltar. Acrescentando-se a queixa pela baixa procura por informações e treinamentos, apesar do aumento dos casos de assaltos a prédios. O Comandante do 19º. Batalhão, localizado em Copacabana, Tenente Coronel Edson Almeida, que também ministra cursos para porteiros, conta que no ano passado realizou apenas dois cursos, um com três síndicos e sete porteiros, e outro com quatro porteiros de Copacabana e seis da Tijuca. Este ano, o primeiro aconteceu apenas no final de junho por falta de interessados. “Isto para um curso que é gratuito e ministrado num bairro onde as moradias são em sua quase totalidade em prédios com porteiros”, destaca, acrescentando que as pessoas pensam que não vai acontecer com elas. “O problema é que marginal busca o fator surpresa, aproveita a distração. Sem uma orientação sobre como estar alerta e como agir diante de situação ou pessoa suspeita, a abordagem continua fácil para os bandidos e os crimes avançam”, diz.
Para o Comandante, o treinamento é fundamental para a conscientização de que a responsabilidade pela segurança não é só da polícia, mas de cada um.
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Para se prevenir, é preciso estar atento. Geralmente, os sinais de que haverá um deslizamento são visíveis: acontecem falhas no terreno, novas rachaduras no reboco, no concreto, nos tijolos ou nas fundações, ?????além de alargamento das antigas, paredes externas e calçadas começam a se afastar do prédio. Cercas, muros, postes e árvores se inclinam e aparecem água e protuberâncias na base da encosta.
Entre as recomendações do órgão estão:
Não execute cortes e aterros.
Não desmate.
Não remova a vegetação superficial.
Não jogue lixo nas encostas.
Não desvie o caminho das águas.
Não obstrua a drenagem.
Em caso de perigo, ligue para 199, o telefone da Defeza Civil.
Para saber mais sobre deslizamentos, ligue para 199 ou acesse http://www.rio.rj.gov.br/defesacivil.
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