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Que a água é o bem mais valioso e escasso do planeta muitos já sabem. O difícil é sair do conhecimento para a ação. Saber o que fazer é outro problema. Para os condomínios, as orientações de Antônio Félix Domingues, coordenador-geral das Assessorias da Agência Nacional de Águas – ANA, são a adoção de medidores individuais, a correção imediata de vazamentos e a conscientização dos moradores para a importância de economizar. Ele traça um panorama da situação atual do uso da água no país e destaca avanços.
Lowndes Report – Este ano, a Lei das Águas completou 12 anos. O que mudou na conscientização para a questão da escassez de água no mundo e no Brasil?
Antônio Félix Domingues – Inequivocamente, na última década muita coisa mudou no mundo e, em especial, no Brasil. Hoje o país dispõe de uma Política Nacional de Recursos Hídricos, operada pelo Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh), no qual existem responsabilidades nos três níveis de governo, além dos setores usuários e sociedade civil. O fundamental no avanço dessa lei é a mudança no padrão de consciência da sociedade e a organização dos comitês de bacias hidrográficas nas áreas com maior densidade de problemas e a adoção dos instrumentos da Política Nacional, sobretudo a cobrança pelo uso dos recursos hídricos, que sinaliza para uma necessidade real de se implantar o uso racional da água.
LR – Qual é o maior consumidor de água no Brasil e qual a participação do estado do Rio de Janeiro?
AFD – O maior setor usuário atualmente é o da agricultura irrigada. No país, são captados cerca de 1.800m³/s de água. Segundo levantamento da Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil de 2009, deste total 47% são utilizados na irrigação, 26% para uso urbano, 17% para uso industrial, 8% para uso animal e 2% para uso rural. No caso da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, onde o maior consumidor de suas águas é o estado do Rio de Janeiro, a vazão captada é de 43m³/s, que corresponde a 2,3% da vazão de captação de água do Brasil.
LR – Quais os exemplos mais significativos de desperdício? Como poderiam ser evitados, especialmente no caso residencial/condomínio?
AFD – Existem exemplos significativos de desperdício por parte de vários usuários (irrigação – manejo inadequado da água; saneamento – perdas físicas na distribuição de água; indústria – lavagem de áreas de trabalho com água potável). E tais desperdícios poderiam ser minimizados com diversas ações. Por exemplo, por meio de uma educação ambiental, que permitiria uma melhor conscientização, o não uso de água de qualidade superior para atendimento de usos menos exigentes, a detecção de vazamentos e o uso de equipamentos poupadores de água. Quanto à redução do desperdício de água em condomínios, uma das ferramentas mais poderosas é a medição individualizada de área por apartamento e/ou economia, o que leva o consumidor a ter mais responsabilidade no seu uso, mudando o seu hábito perdulário para parcimonioso pela dor no bolso (cobrança individual de contas de água).
LR – Como está o movimento pela adoção de medidores individuais por estados e municípios e qual o impacto já verificado na utilização deste mecanismo?
AFD – A ANA, desde 2004, tem difundido a medição individualizada em todo o território nacional, resultando em 19 eventos nos 16 estados brasileiros com 2 mil pessoas capacitadas – projetistas, construtores, técnicos de empresas de saneamento, gestores públicos, síndicos e estudantes. E os impactos foram excelentes, com avanço significativo em algumas cidades brasileiras – Goiânia, Guarulhos, São Paulo, Brasília, Recife, Campinas, Salvador e Aracaju, com reduções de consumo de até 20 %. A medição individualizada de água não deve ser uma ação isolada, podendo ser trabalhada conjuntamente com a utilização de tecnologias as quais reduzam consumo, educação ambiental e controle de vazamentos (perdas físicas).
LR – Campanhas como as realizadas com sucesso pela ocasião do apagão de energia elétrica poderiam ser adotadas? O que está sendo feito para que a população disponha de mais informação sobre a questão da água.
AFD – A Agência Nacional de Águas lançou, em parceria com o Sindicato da Construção Civil de Grandes Estruturas no Estado de São Paulo (SindusCon-SP), o manual “Conservação e Reuso da Água em Edificações”.
Além da publicação, a ANA apóia as ações municipais voltadas à implantação da medição individualizada de água em condomínios, por meio de palestras e seminários em todo o território nacional.
LR – Que orientações e dicas a ANA divulga para os síndicos nos cuidados que devem ter para evitar desperdícios?
AFD – Fazer inspeções freqüentes nas instalações hidráulicas para verificar vazamentos (reservatórios, tubulação, conexões, bombas, hidrômetros, equipamentos hidro-sanitários, etc.), divulgar boas práticas para economizar água, controlar desperdícios (proibir a lavagem de pisos com mangueiras, a irrigação de jardins nos horários mais quentes, a lavagem de carros com água potável, etc.) e adaptar as instalações hidráulicas para o monitoramento do consumo por apartamento (medição individualizada de água).
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