José Ribamar Freitas da Motta está há três gestões à frente da administração do Edifício Laranjeiras, no bairro de Laranjeiras, um prédio de 62 anos, integrante do PAC da região e que, pelo seu valor histórico e pela beleza de sua portaria, é citado, com foto, no livro da Prefeitura. Os cuidados com manutenção e conservação, obrigatórios em todos os edifícios, no Laranjeiras exigem atenção especial: a preservação do patrimônio arquitetônico e cultural. Até a pintura da fachada, obra para ser realizada ainda neste semestre, depende de aprovação do Município. Mas não é apenas isto. Com um hall de entrada em mármore importado, vindo de navio da Itália na época de sua construção, fez com que fosse preciso contratar uma empresa especializada para acompanhar, por seis meses, o serviço meticuloso e caro de recuperação do material. A modernização dos elevadores, primeira iniciativa do síndico que tornou os equipamentos totalmente digitais, exigiu o cuidado de manter o design antigo.
Nada disso desestimulou o estilo empreendedor de José Ribamar, morador há 30 anos do Laranjeiras, que via a deterioração do prédio pela ação do tempo e contribuía como podia com as administrações que se sucediam. Militar, com formação em engenharia e especialização em eletrônica, assim que passou para a reserva assumiu um mandato tampão, no qual realizou nada menos que a modernização dos quatro elevadores. O impacto foi enorme. Com um custo menor, porque negociou a vinda do material de São Paulo e o parcelamento do pagamento, o investimento ainda resultou em uma redução no preço do serviço de manutenção mensal da ordem de um quinto do valor pago anteriormente. Os resultados em termos de comodidade, funcionalidade e economia não deixaram dúvida e, desde então, o síndico vem sendo reeleito por unanimidade.
Planejamento e organização são marcas de seu trabalho. A mesma forma meticulosa de gerir esta primeira iniciativa pode ser vista nas que se seguiram e que estão, aos poucos, mudando a vida do condomínio. Moradores realizam obras em suas unidades e antigos proprietários retornam ao prédio pela valorização do patrimônio e qualidade de vida que passou a oferecer.
Causou impacto ainda a troca de toda a fiação elétrica do prédio de 80 unidades, que ainda era recoberta por pano, tecnologia da época de sua construção. Aproveitando a oportunidade, o síndico instalou sensores de presença nas áreas comuns e nos corredores do prédio que, muito longos, têm 50 lâmpadas cada um. A redução no consumo de energia foi de 40%.
Empregados têm atenção especial
A substituição da mesa de interfone de PABX, muito antiga, por uma digitalizada garantiu ainda mais funcionalidade e comodidade aos moradores e empregados, sem o desvio da função dos porteiros, que também eram telefonistas. Mas, neste caso, a economia com a redução do adicional não retornou diretamente para o condomínio, pois, por solicitação do síndico, os condôminos aprovaram e os empregados mantiveram a renda como gratificação. “O retorno vem indiretamente, pois, se sentindo recompensados, cuidam melhor do prédio e do atendimento aos moradores”, afirma José Ribamar.
Os condôminos aprovaram as iniciativas do síndico em prol dos empregados e também aceitaram sua sugestão de premiar dois porteiros que se aposentaram depois de 30 anos de serviços prestados ao Edifício Laranjeiras. Cada um levou para casa uma TV de plasma. Um outro, afastado pelo INSS, recebeu ajuda financeira e todo o apoio necessário, enquanto sua situação de aposentadoria por doença incapacitante não é resolvida. O síndico acredita que, para quem fica, estas ações de reconhecimento demonstram o quanto podem investir no trabalho porque, certamente, serão recompensados por serem bons empregados.
Para exemplificar, José Ribamar conta que de nada adiantaria o sistema integrado de TV que implantou, com 16 câmeras e gravação digital, se os empregados dormissem no serviço. “Já aconteceu de um rapaz pular a grade de madrugada. Ele foi visto pelo porteiro, que trancou as portas e chamou a polícia. Do lado de fora do prédio e fechado entre este e as grades, acabou sendo preso”, conta o síndico.
O estilo do síndico chama a atenção até de quem passa na rua. Os porteiros contam que é comum terem que explicar que o síndico do prédio não é uma mulher. “Querem saber quem é a responsável pelo jardim caprichado, pensando que, por isto, o prédio é administrado por uma síndica”, diverte-se José Ribamar. O jardim que margeia a grade do Edifício Laranjeiras é mantido por um jardineiro contratado que, além do projeto de jardinagem, realiza semanalmente o trabalho de manutenção, fazendo com que a estreita faixa de jardim consiga se sobressair, apesar da bela arquitetura do prédio.
O síndico se orgulha de não trabalhar com cotas extras, mas só com fundo de reserva, planejamento e previsão orçamentária. “É muito desagradável para os condôminos, que já sentem no bolso o peso de outras despesas da família, serem surpreendidos por contas extras e, ainda, serem consultados com frequência para aprovar despesas que poderiam ser previstas”, afirma. Outro motivo de satisfação é o fato de não ter aumentado a cota no último ano, depois de ter correções bem abaixo dos índices oficiais nos dois anos anteriores.
Em decorrência de tudo isto, a inadimplência no condomínio está restrita a apenas alguns casos que estão em inventário. “As pessoas veem acontecer, sabem no que o dinheiro delas está sendo empregado e colaboram”, acredita.
Ele tem a confiança e a aprovação dos moradores, mas garante que isto também é resultado do pulso firme. “Minha bíblia é a convenção. Como a lei máxima do condomínio, ela precisa ser respeitada e cobro isto”, garante. A exemplo de outros síndicos bem-sucedidos, José Ribamar considera o relacionamento humano a parte mais desgastante da administração de um condomínio. Mas, apesar disto, sua atuação vem atraindo moradores. Recém-chegado ao prédio, com menos de um ano como morador, Jorge Ferreira Vianna já é subsíndico. Vendo as realizações, sentiu-se estimulado a participar. De tanto sugerir e fazer apartes, foi convidado e aceitou ser parceiro nas ações pelo condomínio. Para satisfação de José Ribamar, é sinal de que bom síndico nunca trabalha sozinho.
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