
Atendimento pediátrico de qualidade, gratuito e sem fila. Em meio a tantas notícias sobre a precariedade do sistema público de saúde, uma visita ao novo Ambulatório Pediátrico da Comunidade Sítio do Pai João, no Itanhangá, é uma experiência que traz felicidade. Com as novas instalações, um prédio de três andares construído no último ano, o Ambulatório conta com dez consultórios, sala de médicos e farmácia, tudo com paredes revestidas em azulejo e com ar-condicionado, com capacidade para atender até 150 crianças por dia, em três turnos, não apenas com pronto atendimento, mas com assistência primária integral.
A assistência é global, desde a atenção médica às crianças até a orientação às mães a fim de que se sintam seguras para cuidar da saúde de seus filhos, inclusive, quanto à alimentação. Os pequenos passam por uma avaliação nutricional e, se necessário, recebem a farinha nutritiva preparada pela Pastoral da Criança. Muitos dos medicamentos necessários também são entregues gratuitamente pelo Ambulatório.
Antes, as consultas eram no chamado “postinho”, junto à associação de moradores, atendendo cerca de 40 crianças por dia. Há cinco anos, a sala era dividida com lençol. Um morador fez um posto de atendimento que funcionava somente aos domingos, com um médico voluntário, conforme relembra Eliane Garcês, a médica responsável. “Agora isto aqui é uma joia”, afirma.
Atualmente, o Ambulatório Pediátrico da Comunidade Sítio do Pai João é um Pólo de Assistência, Ensino e Pesquisa em Saúde da Criança e do Adolescente. Uma parceria do Centro de Integração Social Amigos do Itanhangá, associação que agrega mais de três mil residências, com as universidades Souza Marques e Gama Filho, e a Ordem de Malta. A instituição mantenedora do Ambulatório é a mais antiga Ordem Cristã, existente desde a construção de um convento e um hospital para acolher os necessitados, na Terra Santa, em 1099, prestando auxílio médico e espiritual por meio de doações.
No momento, a Ordem de Malta está programando instalar no mesmo edifício um centro de exames de raio x, ultrassonografia e mamografia, em convênio com o CDPI, um serviço semelhante ao realizado pela Imagem Solidária, já existente em Botafogo, na Rua São Clemente, 261 (www.imagemsolidaria.com.br).
Maria Vanderléia Soares de Souza, diretora-presidente da Comunidade do Sítio do Pai João, não sabe como agradecer e diz que a Ordem de Malta foi colocada na comunidade por Deus, pois antes dela os atendimentos aconteciam quando era possível, em um trabalho sem continuidade. “Com os recursos conseguidos pela Ordem de Malta, foi possível erguer o prédio no local. Os atendimentos começaram a ser feitos no dia 13 de maio, na Estrada do Itanhangá, 270, e os moradores da comunidade e do entorno serão sempre bem recebidos”, comemora.
Bom para a população e para a formação de melhores médicos
É a doutora em pediatria e professora das duas universidades parceiras na ação quem faz o acompanhamento acadêmico dos residentes. Ela explica que a Zona Oeste não tinha atendimento de atenção primária e, por isto, o objetivo do trabalho desenvolvido no Ambulatório sempre foi o de atender a pessoa quando ela precisa e com atenção global, o que inclui desde a vacinação até o acompanhamento do desenvolvimento da criança. Ou seja, o máximo de promoção de saúde. “A OMS e a Unicef são categóricas: mortalidade infantil não se evita com pronto atendimento, mas com promoção de saúde”, afirma Eliane Garcês.
É por esta razão que uma das frentes de atuação é a informação e a conscientização para a prevenção. “Muitas vezes, as mães vão até quatro vezes ao posto de saúde ou ao hospital porque o filho está com febre, o que revela falta de informação e, conseqüentemente, insegurança quanto ao atendimento médico recebido. Nem sempre são informadas, por exemplo, que um quadro de febre leva em média três dias para melhorar”, explica a médica, ressaltando ainda que a atenção primária e global diminui a sobrecarga de hospitais e de emergências, além dos gastos com saúde.
O Ambulatório Pediátrico da Comunidade Sítio do Pai João não é importante apenas para a comunidade, mas também para as universidades, na formação mais completa dos alunos. Estudantes de último ano de medicina fazem o atendimento e, em seguida, a médica supervisora avalia seu trabalho, conversa com a mãe, reforça as orientações. A ação permite que cada profissional possa dedicar mais tempo e atenção aos pacientes, um treinamento para a relação médico-paciente. “É uma unidade modelo, uma experiência a ser reproduzida”, afirma.
Convênios futuros poderão permitir profissionais de medicina fazendo atendimento domiciliar e na creche, ainda como um trabalho de promoção de saúde. “Para quem deseja fazer doações, esta é uma ação que, por sua seriedade, embasamento científico de suas práticas e compromisso de instituições sérias, é das mais indicadas”, conclui.
Para participar e ajudar
Para atender mais crianças, o Ambulatório necessita de doações de medicamentos e material médico, como seringas, agulhas, gaze, esparadrapo, termômetro, e os remédios albendazol, metronidazol, amoxacilina, cefalexina, salbutamol aerosol, combivente aerosol, soro oral, dipinora, paracetamol e sulfato ferroso. Roupas e brinquedos, ainda que usados mas em bom estado, também são necessários.
Quem quiser saber mais sobre a ação e participar, entre em contato pelos telefones 3152-7155 e 7845-1946 – com Dna. Maria – ou vá até o local: Estrada do Itanhangá, 270 – Barra da Tijuca. |