Os cariocas foram surpreendidos, recentemente, com uma nova forma de abordagem feita pelos bandidos. Eles começaram a sequestrar motoristas, obrigando-os a levá-los ao apartamento da família, numa forma de burlar os controles de acesso hoje comuns na maioria dos prédios. Em menos de 30 dias, foram registrados quatro casos semelhantes e um deles terminou com um porteiro baleado. No mesmo período, a notícia de que uma quadrilha de São Paulo, que teve um de seus integrantes preso, confessara utilizar o Google para aproximar imagens e selecionar prédios com falhas na segurança para assaltar deixou até a polícia impressionada.
Para a professora Vitória Régia, que ministra cursos de segurança para porteiros, não dar crédito à capacidade dos criminosos faz com que muitos relaxem nos cuidados de prevenção. “Os bandidos são pessoas inteligentes e criativas que, por motivos que nem sempre alcançamos, optaram pela vida de crimes”, alerta. Em suas conversas com os profissionais de condomínio, ela chama a atenção para o fato de que assaltar é o negócio deles e por isto estão sempre buscando novas formas de fazer melhor o seu ‘trabalho’, o que exige de quem está do outro lado o mesmo tipo de dedicação. “Porteiro não é polícia, sua arma é a atenção, o conhecimento sobre o funcionamento dos sistemas de segurança do prédio e das normas e procedimentos de prevenção estabelecidos – as quais ele deve cumprir e fazer cumprir. E a isto deve dedicar-se com o máximo de comprometimento”, ensina.
A preocupação em ressaltar que o papel do porteiro não é o de polícia se justifica quando se sabe que o funcionário de um dos prédios assaltados recentemente foi baleado, justamente por ter se atracado com bandidos armados. “É preciso evitar que entrem, mas, depois que já estiverem no prédio, não se deve reagir”, orienta.
Falha humana
As informações da professora são as mesmas que a polícia faz questão de ressaltar. Acrescentando-se a queixa pela baixa procura por informações e treinamentos, apesar do aumento dos casos de assaltos a prédios. O Comandante do 19º. Batalhão, localizado em Copacabana, Tenente Coronel Edson Almeida, que também ministra cursos para porteiros, conta que no ano passado realizou apenas dois cursos, um com três síndicos e sete porteiros, e outro com quatro porteiros de Copacabana e seis da Tijuca. Este ano, o primeiro aconteceu apenas no final de junho por falta de interessados. “Isto para um curso que é gratuito e ministrado num bairro onde as moradias são em sua quase totalidade em prédios com porteiros”, destaca, acrescentando que as pessoas pensam que não vai acontecer com elas. “O problema é que marginal busca o fator surpresa, aproveita a distração. Sem uma orientação sobre como estar alerta e como agir diante de situação ou pessoa suspeita, a abordagem continua fácil para os bandidos e os crimes avançam”, diz.
Para o Comandante, o treinamento é fundamental para a conscientização de que a responsabilidade pela segurança não é só da polícia, mas de cada um. |