Com o pé direito

Administrar com planejamento, a partir de pesquisa de opinião junto aos condôminos, com muita comunicação e transparência. Foi com este espírito que Carlos Augusto Veloso Coelho assumiu ser síndico do Condomínio Village Praia das Tartarugas, em Rio das Ostras, onde possui um imóvel. Mas, o engenheiro, economista e consultor por profissão, não brinca em serviço e antes mesmo de qualquer resultado, e com apenas pouco mais de um mês de trabalho, já havia feito um check-up completo do condomínio para descobrir problemas emergenciais e tomado as primeiras providências – como para o fornecimento de água e a correções na iluminação.
Foram medidas adotadas em paralelo à criação de um blog e um e-mail para trocar informações com os condôminos e, especialmente, para fomentar a participação na pesquisa de opinião e na atualização de cadastro que implantou assim que assumiu. “É com base nestes dados que trabalharei um programa de gestão, com cronograma físico e financeiro, com cada ação detalhada e em ordem decrescente de importância a partir dos anseios dos condôminos”, garante.
Foi a atitude e o senso de organização e planejamento, demonstrado na primeira assembléia que participou no condomínio, a qual foi convidado a presidir a mesa, que o levou a um novo convite: o de candidatar-se a síndico. Realizada à eleição, dos três candidatos Carlos ficou com 50% dos votos. “Minha resposta foi a de que com uma casa no condomínio é claro que quero contribuir para que este seja um lugar bem cuidado e de convívio harmônico”, conta.
“O Village não é local só para veraneio, um terço de seus proprietários mora no local. Tenho que corresponder às expectativas dos condôminos”, acrescenta humilde o síndico. Mas Carlos trabalhou 23 anos em empresa de telecomunicações na área operacional e coordenação de patrimônio, chefiando 3 mil funcionários, e já foi sindico antes, por três gestões, em um condomínio no Rio, o que explica porque já deu início a sua gestão a 200 por hora, como dizem os moradores.
Parceria com os funcionários
Constituído em 2006, com 61 casas de alto padrão, em uma área de 13 mil metros quadrados, com churrasqueira, quadra de futebol, piscina, salão de festas e sede administrativa, o condomínio conta com seis empregados - um zelador, um auxiliar de serviços gerais, um jardineiro e três porteiros. Pessoal com quem lida com cuidado especial, confiança, estímulo e incentivo. “Mas nem por isso sou manteiga; sou linha dura. A experiência diz que eles trabalham melhor quando sabem o seu papel, conhecem as regras e a quem recorrer”, explica.
Sua primeira ação foi ouvi-los, o que levou aos problemas mais cotidianos e aos principais pontos em que precisa atuar. E um dos mais graves foi o de fornecimento de água, serviço que em Rio das Ostras é precário. Para resolver o problema, Carlos firmou contrato com fornecedor de pipa, “o melhor da região, para que a qualquer hora possamos ter água”, e conta com o apoio do zelador. “Com a adoção de uma bóia automática, estabelecemos um nível mínimo para que a cisterna nunca fique vazia”, conta.
Para economizar, um poço artesiano foi reativado. “Criamos uma rede e em vários pontos do condomínio instalamos bicos onde a mangueira possa ser colocada para molhar as plantas”.
A iluminação também recebeu atenção: “Observamos que os reatores de alguns locais acendiam e apagavam, o que aumentava o consumo, e ao todo eram 5 pontos com este defeito”. A correção veio logo e com uma visão de longo prazo. As lâmpadas foram trocadas por fluorescentes de consumo menor e melhor qualidade de iluminação. “Já estamos trocando todo o sistema da rua A. Aproveitaremos as que estiverem em boas condições na rua B e C e, no futuro, com base nos resultados obtidos na rua A, vamos trocar tudo”.
O condomínio tem três ruas e é totalmente cercado por muros, que já foram checados e estão ganhando iluminação em pontos escuros. “Segurança deve ser prioridade sempre”. É com esta preocupação que o síndico também investirá no treinamento dos funcionários. “Faltam regras claras para os porteiros. Nenhum tem treinamento específico para este trabalho e já é meta prepará-los”, afirma.
Planejamento depende dos condôminos
Mas o plano é fazer tudo dentro da receita do condomínio, sem sacrificar as cotas condominiais. Cada coisa a seu tempo e dentro das possibilidades. Para isto, ele depende da resposta dos moradores à pesquisa de opinião e a atualização de cadastro.
Os condôminos que estão participando relatam problemas, dizem o que pensam do condomínio, da administradora, dos empregados, das áreas de serviço e lazer, se têm pendências junto à construtora, o que acreditam pode ser melhorado. Eles ainda têm espaço aberto para outros relatos não citados na pesquisa.
A opinião deles, que pode ser dada em papel ou por meio digital, vai alimentar o programa de trabalho, cada item que afeta ao condômino será tratado, a partir da maior incidência de reclamações. “Vamos dar uma ordem decrescente de importância, mas todos serão atendidos”, acrescenta. Haverá prazos para as etapas e o programa estará disponível em quadro de aviso da sede administrativa para que todos possam acompanhá-lo. “O que não tiver verba para ser realizado dentro da cota condominial será levado à assembléia, mas quero que todos saibam antes o que está previsto. Que seja transparente e participativo, esta é a minha proposta de trabalho”, afirma.
A atualização do cadastro servirá às questões de segurança, especialmente para estipular regras de trabalho para os porteiros. “É um a cada 8 horas, fazendo o trabalho do seu jeito. É preciso ter regras”, diz.
Dedicação total
O síndico realiza um trabalho muito atento. Ele não mora no local, mas liga quase diariamente e mantém contato constante com zelador. “A cota do condomínio que deixo de pagar vai toda de telefone”, brinca. No olhar atento, novas demandas: um almoxarifado, bicicletários, caixas de correspondência para as unidades e implantar coleta seletiva de lixo.
Ele já criou uma comissão para analisar o regimento interno, pois acredita que a habitação e a convivência dão outra visão das necessidades e podem alterar o regimento e a convenção com o qual o condomínio iniciou. Também pretende criar uma comissão só de adolescentes, para que eles também possam participar. “Acredito que a comunicação é tudo, as pessoas precisam estar por dentro do que se passa ao seu redor e o que afeta os seus interesses, o seu patrimônio. Participando podem ter um ambiente melhor, mais ajustado a seus desejos”, acredita.
Para Carlos Veloso, em condomínio o mais importante é cada um conhecer as suas obrigações e os direitos dos outros. “É a melhor receita para a boa convivência”. E ele quer estimular isto ao máximo. “Criei o blog e o e-mail institucional para que fiquem inteiradas e possam manifestar-se com consultas, sugestões, reclamações. Todo e-mail é respondido em no máximo 24 horas e quero que eles lotema caixa, participem para valer”, enseja. É a partir desta participação que o síndico garante que dará o melhor de si pelo condomínio
DICAS DO DEU CERTO:
 Ter um programa de trabalho que possa corresponder aos anseios dos condôminos.
Exercer um mandato com transparência e participação.
Ter o condomínio na cabeça – conhecer cada detalhe, onde funciona, o que precisa, o que pode ser melhorado, o que deve ser corrigido.
Administrar pensando no próximo síndico. Trabalhar para deixar a casa organizada como gostaria de encontrá-la.
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