SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
Como anda a saúde de seus empregados
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Segundo dados de uma empresa de saúde e segurança do trabalho, líder no atendimento a condomínios no Rio de Janeiro, no ano passado a patologia mais freqüente entre empregados de condomínio foi hipertensão arterial, seguida de diabetes e do tabagismo, entre outros.

“Temos queixas frequentes de problemas na coluna, varizes, cefaléia e constipação intestinal. As primeiras podem ser relacionadas às posturas adotadas quando do exercício das funções, sentada em grande parte do tempo, no caso de porteiros e vigias, e em pé, no caso dos faxineiros. A cefaléia pode ter inúmeras causas, como problemas de visão, baixa iluminação do ambiente de trabalho, alterações na coluna vertebral, hipertensão arterial, stress, etc. Por fim, a constipação intestinal (prisão de ventre) pode ser devida a maus hábitos alimentares e a falta de tempo para evacuação, em especial no caso de porteiros e vigias obrigados a permanecer nos seus postos de trabalho”, explica Carla Braz, médica do trabalho.

O tabagismo e o alcoolismo também são problemas relevantes para este grupo de profissionais. Apesar de praticamente nenhum funcionário relatar problemas com a bebida, uma porcentagem significativa diz fazer uso habitual de bebida alcoólica.

Prevenção

Como medidas preventivas a médica recomenda a avaliação ergonômica dos postos de trabalho e o treinamento ergonômico. “O treinamento pode ser estendido aos síndicos, que assim teriam como cobrar de seus empregados a execução das tarefas de forma correta. Levantar peso de maneira certa, varrer com a coluna no lugar, tudo isto é prevenção”, exemplifica.

Programas de alimentação saudável, prevenção de alcoolismo e de tabagismo também são indicados, assim como exames mais frequentes e específicos para os funcionários que apresentem problemas crônicos. Avaliação oftalmológica para aqueles maiores de 40 anos e também eletrocardiograma para os hipertensos em geral.

Nada, entretanto, substitui a presença e a atenção do síndico, que ao mostrar interesse e preocupação pelo estado de saúde do funcionário pode acompanhar de perto qualquer alteração que surja, monitorar o tratamento de doenças crônicas, controlar o uso dos EPIS, etc. Segundo a médica, é importante dar atenção e acompanhar, especialmente, os hipertensos.

Outro grupo que merece cuidados é o de maior risco de acidentes, os faxineiros. “Cobre o uso de EPI’s. Que eles não lavem o chão de chinelos, que não mexam no lixo sem luvas. Morador joga lâmpada quebrada na lixeira sem a menor proteção”, cita.
Fazer campanhas para uma alimentação mais equilibrada, para a prática de esporte e investir em um relacionamento mais humanizado são outras orientações. “A média de idade é alta, mais elevada que a media da dos demais trabalhadores no Brasil, por isto, todo cuidado é importante”, ressalta doutora Carla.

Estatística em Condomínios 2008

PATOLOGIA PERCENTUAL AFETADO
Hipertensão arterial 18,3%
Varizes 14,4%
Diabetes 3,8%
Problemas de coluna 11,5%
Constipação intestinal 10,2%
Cefaléia 11,4%
Tabagismo 29,5%


GENTE QUE FAZ

Nelson Pereira de Carvalho, síndico do condomínio Terra e Mar, no Flamengo, tem muitos anos de experiência na função e sabe da importância de se investir na saúde e na qualidade de vida dos empregados. Ele foi síndico por nove anos na década de 80, retornou em 2002 e desde então vem dando atenção especial àqueles que trabalham no prédio em suas gestões. Salário, jornada de trabalho, melhoria nas instalações, nos uniformes, alimentação e plano de saúde. São muitas as iniciativas e cuidados, fazendo o síndico se destacar no universo de gestores. A preocupação não é comum. Na grande parte dos condomínios, tradicionalmente, não se vê ações voltadas para garantir a saúde e a qualidade de vida dos empregados.

Um erro, segundo avalia David Gurevitz Cunha, diretor de uma empresa especializada em medicina e segurança do trabalho. Para Gurevitz, empregado com jornada correta e salário digno já tem melhores condições de ter qualidade de vida e atuação melhor. Se tiver a atenção e os cuidados de quem se importa com seu bem estar, o resultado é ainda mais satisfatório. “É importante ter este entendimento”, afirma, apesar de reconhecer que iniciativas como a do síndico do Terra e Mar são mais comuns em edifícios comerciais, onde os condôminos são empresários e têm outra visão da administração de pessoal.
O síndico do Terra e Mar tem oito empregados que trata com toda a atenção. “Coloco ordem na casa, mas pago bem. Administro com planejamento para ter dinheiro suficiente para isto. Acho melhor pagar bem e ter funcionário de confiança do que cair na rotatividade que tanto risco traz para os moradores”, defende Nelson Pereira, que ainda acrescenta: “É como se tivesse oito filhos, que procuro tratar sempre de forma igual a que todos gostamos de ser tratados. Não sou de meias palavras e de indecisão. Se não for bom empregado perde o emprego, mas enquanto cumprir com suas responsabilidade terá a contrapartida”.
No Terra e Mar os empregados contaram nos últimos tempos com diversos investimentos, desde um novo planejamento da jornada de trabalho até a revisão dos salários, passando por obras de melhoria nas dependências que utilizam, vestiário, refeitório, banheiros, dormitórios, até a concessão de benefícios como gratificação, alimentação e plano de saúde.
Tudo é feito com orientação, planejamento, dentro de lei e com sabedoria para evitar problemas futuros. No plano de trabalho para 2009, aprovado em assembléia, já estava prevista a segunda fase das melhorias na moradia dos empregados e na adoção de um plano de saúde. “Não gosto de ficar parado e gosto de pesquisar, me informar. Com a orientação da administradora e da empresa de saúde e segurança no trabalho fizemos estas melhorias e procurei um bom plano de saúde, extensivo aos dependentes. Cada um paga 1% do plano para si e o valor do dependente, caso queira incluí-lo. Tudo isto com um ótimo custo, pois fiz uma pesquisa exaustiva e negociei carência, dependentes; o objetivo é que atenda bem”, conta.
O bem estar do empregado é uma preocupação constante, tanto que a cozinha foi mudada de lugar, para uma área pouco aproveitada da garagem, para ficar em ambiente mais ventilado. A moradia do porteiro ganhou cuidados estéticos, com piso e janelas novas e uma reforma total do banheiro, posto abaixo e refeito com o maior capricho. Este ano a moradia ganhará uma reforma na cozinha.
O vestiário e dormitório dos empregados, um quarto grande, com cinco camas, teve o teto rebaixado, ganhou piso novo e uma divisória: “É para separar a cama do vigia que dorme durante o dia e acaba incomodado pelos demais”, explica. O banheiro do local passará por reforma semelhante a do porteiro. Ou seja, será totalmente refeito.

A administradora orientou sobre como gratificar sem riscos, a decidir sobre cesta básica ou vale, a melhor opção de turno de trabalho. “Isto sem contar com o que vejo nos encontros de síndicos que acompanho. Procuro realizar uma gestão moderna e correta. Digo nas assembléias que tratar empregado feito animal ou máquina é coisa do passado”, afirma.

Mais que o essencial

Exames médicos ocupacionais (admissionais, periódicos, demissionais, retorno à atividade e mudança de função), conforme a NR-7, são obrigatórios por lei. Mas outras ações são importantes para que o empregado possa exercer suas atividades em melhores condições. Um ambiente mais confortável, seguro e saudável, reconhecimento e respeito fazem diminuir o número de faltas e aumentar a produtividade. O ambiente exerce influência sobre o estado de saúde e o bem estar das pessoas, sendo responsável direto por muitas das queixas físicas e psicológicas. “Avaliando corretamente as características ambientais e implantando medidas que as tornem mais agradáveis estamos contribuindo para um maior conforto dos trabalhadores, e, consequentemente, para o incremento de sua saúde e qualidade de vida”, conclui Gurevitz.


   

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