
Tão importantes quanto as instalações de água ou energia elétrica, aquelas que abastecem de gás os edifícios também exigem atenção do síndico. Elas têm vida útil de, em média, 40 anos, se forem feitas em ferro galvanizado, ou de até mais 10 anos sobre este número se os tubos forem de cobre. Apesar da durabilidade, não são eternas e exigem cuidados de conservação. A CEG, com base no Regulamento de Instalações Prediais, recomenda uma vistoria a cada dois anos. José Luis Pereira da Silva, responsável por uma empresa especializada em tubulações de gás há 10 anos no mercado, diz que boa parte do que vê quando é chamado a apresentar uma proposta está em péssimo estado de conservação.
Segundo a avaliação do especialista, seja por desconhecimento dos riscos, seja por receio do custo e dos aborrecimentos que uma obra pode acarretar, a maioria age apenas quando a conta de gás começa a aumentar. É quando chamam a Companhia, que vai até o local avaliar o problema. “Testes que verificam se existe escapamento de gás com resultado de até cinco litros/hora de perda de gás ainda permitem a aplicação de resina para resolver o problema. Quando o percentual é maior, a tubulação é condenada e o edifício precisa providenciar a obra o quanto antes”, explica José Luis.
Ele afirma que poucos fazem obras preventivas e explica o motivo. Uma das obras que está realizando no momento, em Copacabana, começou depois que uma reforma no esgoto mostrou que a malha de ferro por onde passa o gás já estava deteriorada. “É um problema. As obras mais recentes expõem as tubulações, o que, além de evitar riscos por acúmulo de gás em áreas fechadas, ainda deixa ver o seu estado de conservação. Estruturas antigas costumam correr dentro das paredes e ninguém faz idéia de como estão”, avalia.
Custo menos elevado que riscos
“A instalação de nova tubulação, dependendo da altura do prédio, pode ficar entre 3 e 6 mil reais, com financiamentos em até 36 meses”, adianta José Luis, para logo em seguida acrescentar que o risco de uma explosão nunca pode ser descartado, especialmente nos casos em que a instalação está entre concreto, sem ventilação. “Nestes casos, o estrago pode ser grande”, adverte.
Oswaldo Maciel, síndico há cinco gestões do Edifício Dionísio Heitor, no Leblon, realizou a troca de tubulação e a individualização dos medidores de gás há cinco anos, uma obra que durou seis meses e pode ser financiada direto pela CEG. “Nossa tubulação até não estava tão mal, mas tínhamos um único relógio para atender a 120 unidades e havia sempre muita discussão por causa do rateio. Foi quando a nossa administradora nos aconselhou a buscar a CEG. Levei a questão já com a proposta de uma firma e a Companhia financiou a obra. Quando terminaram de colocar os tubos, ela veio colocar os relógios e, a partir daí, começamos a pagar as parcelas direto na conta de gás”, conta.
Christiane Delart, chefe de serviço da CEG, explica que a Companhia realiza campanhas de incentivo. Os síndicos podem fazer uma consulta por e-mail apresentando a necessidade que a CEG responde. Cada caso é analisado em separado, de acordo com as campanhas que estiverem acontecendo naquele momento.
“A CEG está colocando em seu site (www.ceg.com.br) o Espaço do Síndico para estreitar o relacionamento com este público. Lá estarão disponíveis informações úteis, tanto para as questões relativas às áreas comuns, como para orientações os moradores. O espaço já está em construção e a previsão é de que a partir de março a página já esteja acessível. É mais uma ação na busca por melhor atender a este público”, diz.
Obras requerem atenção às normas
Como em toda obra, é preciso procurar saber se a empresa que apresenta uma proposta tem registro no CREA e se tem engenheiro responsável. Outra medida importante é buscar conhecer as obras que já realizou. “Quando encaminho uma proposta, já incluo um currículo com tudo o que a empresa já fez, com endereços e contatos, para que conheçam o nosso trabalho. Isto é importante”, diz José Luis.
A CEG orienta que, sempre que se faça uma obra, a Companhia seja consultada. “No site há informações sobre normas e é possível entrar com uma consulta formal junto à área de projeto para avaliação das necessidades e o dimensionamento da reforma, ou para dar o “de acordo”. O mais importante é que sejam cumpridas as exigências técnicas”, afirma Christiane.
José Luis diz que, para o realizador, o ideal seria ter à disposição uma planta do edifício. Ver toda a estrutura permite uma avaliação mais precisa do material necessário e da duração da obra, entre outros detalhes.
A troca de tubulações é simples, especialmente se a opção for por colocá-los aparente, pelo lado de fora do prédio. A parte complicada é a que interfere nas unidades. “Só porque é preciso agendar com cada um”, diz José Luis. “Foi o que atrasou um pouco a nossa obra. Mas deu tudo certo, todos ficaram felizes, cada qual com a sua conta”, acrescenta o síndico Maciel.
Regina Márcia Barbosa, síndica do Edifício Pereira da Silva, em Laranjeiras, ainda vai passar por isto. Ela pretende começar a troca da tubulação de gás do prédio ainda este ano, mas sua maior preocupação é quanto à segurança. “Quando fiz obra em minha unidade, descobri que 16 canos de gás passavam sobre minha cabeça”, conta. As instalações do Pereira da Silva já sofreram a aplicação de resina, o que, segundo ela, é indicativo de que não deve esperar mais.
“O tema já vinha sendo discutido e, na última reunião de condomínio, houve um consenso. No momento, estamos fazendo levantamento de propostas. Duas delas apresentaram soluções diferentes e ainda estamos avaliando. Além de reduzir custos, queremos garantir nossa segurança”, afirma.
Antes de começar a pesquisar empresas e pedir propostas, a síndica baixou as mais de 90 páginas do regulamento aplicável às instalações prediais de gás, do site da CEG, e estudou cada item.
A estrutura do prédio preocupa a síndica. São quatro andares e quatro coberturas, com corredor em L, uma parte em cima de pilotis, outra direto na terra. “Foi por isto que busquei o regulamento, que tem até desenho, mas a questão da segurança persiste e estamos procurando somente empresas credenciadas”.
Outra medida preventiva da síndica é formar uma comissão de obra integrada por moradores com formação e atuação em engenharia e arquitetura para acompanhar os trabalhos e ficar de olho nos interesses do condomínio.
Christiane Delart explica que, se tudo for feito de acordo com as normas, a segurança estará garantida. Antes de religar o fornecimento de gás, a Companhia faz avaliações e somente quando tudo está em perfeito estado a ligação é liberada.
Ela parabeniza a síndica por suas iniciativas preventivas e adverte aos demais que instalações sem manutenção não só comprometem a segurança, como acarretam aumento de consumo, elevando a conta do gás.
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