|
Mário Sérgio Ribeiro, Coordenador da Vigilância Ambiental em Saúde e Saúde do Trabalhador, da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil (SESDEC).
A única forma de controle da dengue é evitar a proliferação do Aedes aegypti. Por isto a importância da participação da comunidade na erradicação de locais que sirvam como criadouros do mosquito. O Ministério da Saúde e o Governo do Estado estão com campanhas de divulgação buscando criar uma cultura de combate, e o trabalho já começou. No portal www.riocontradengue.com.br/cultura, e na organização de eventos com artistas de renome, muita informação para envolver a população e criar nela uma verdadeira cultura contra o Aedes aegypti. Mário Sérgio Ribeiro, Coordenador da Vigilância Ambiental em Saúde e Saúde do Trabalhador, da SESDEC, vem participando dessas ações no estado e responde às nossas perguntas.
LOWNDES REPORTt – Como o estado está vendo a resposta da população às ações de conscientização? Já é possível avaliar ou medir o quanto esta participação está refletindo no número de casos já registrados, em comparação com o ano passado?
SESDEC – Não é possível estabelecer uma forma de medir essa participação, mas temos percebido um enorme envolvimento dos meios de comunicação, bem como de outras instituições tanto públicas quanto privadas. Isso mostra que as campanhas promovidas pelo Ministério da Saúde e pela SESDEC estão produzindo alguma mudança na atitude das pessoas de modo geral. Quando a população participa, certamente as possibilidades de disseminação do vírus diminuem consideravelmente.
LR – Qual a expectativa do Estado do Rio para este ano? O estado está preparado para enfrentar uma nova epidemia, especialmente do tipo hemorrágica? Já há previsão de número de leitos e de unidades disponíveis para o atendimento a população?
SESDEC – Ainda existe a possibilidade de que registremos um número elevado de casos este ano, porém bem abaixo do que ocorreu em 2008. Provavelmente, por critérios epidemiológicos, isso poderá ocorrer com maior intensidade nos municípios fora da Região Metropolitana I. A SESDEC está coordenando uma discussão permanente, através de reuniões semanais, com os municípios da Região Metropolitana, para a definição de estratégias oportunas a fim de minimizar o impacto de uma transmissão intensa, caso aconteça.
LR – Apesar destas ações, a geografia, o clima e as condições sociais propiciam a proliferação do mosquito, que em altos índices exige o uso de inseticidas. Como a Secretaria atuará com relação aos fumacês? Há agentes em número suficiente para percorrer todos os locais com maior índice de infestação?
SESDEC – O uso de inseticidas com pulverizadores de grande porte (fumacê) só será recomendado mediante indicativo epidemiológico, considerando que esse método só deve ser usado como medida extrema. Persiste a necessidade de enfrentarmos o problema do vetor da dengue com medidas preventivas de maior efetividade, que começa com a eliminação dos seus criadouros, seja por meio dos agentes de saúde, seja pela participação da população e sociedade em geral.
A SESDEC está disponibilizando bombeiros para atuarem naqueles municípios que não possuem número de agentes suficiente para as ações de controle do vetor. Porém, é imprescindível a colaboração e a participação ativa da população.
LR – Ainda com relação à conscientização da população para a importância de sua participação no combate à dengue, há uma comunicação dirigida a condomínios?
SESDEC – No município do Rio de Janeiro, a equipe de mobilização e educação em saúde também faz um trabalho específico com este público.
LR – Que orientações a Secretaria gostaria de passar aos síndicos? O que os condomínios podem fazer para contribuir com as ações da Secretaria?
SESDEC – Uma das primeiras orientações é que as ações de prevenção e controle da dengue devem fazer parte da rotina de todos, com a eliminação do maior número possível de seus criadouros. Os condomínios devem realizar uma campanha interna e permanente de controle desses criadouros, pois, desta forma, estarão protegendo e evitando que as pessoas que ali residem, ou trabalham, sejam infectadas pelo vírus da dengue, pelo menos dentro destes espaços.
FIQUE ATENTO AOS SÍNTOMAS E PROCURE AJUDA
DIAGNÓSTICO
Na forma clássica, a doença tem início súbito, com febre alta, dor muscular e nos membros, dor nos olhos, dor de cabeça, dor abdominal (mais freqüente em crianças), falta de apetite, náusea, vômito, prostração e erupção cutânea. Por isso a dengue pode ser confundida com sarampo ou rubéola. Depois de vários dias de evolução com esses sintomas, a doença regride espontaneamente.
Alguns casos raros podem apresentar manifestações clínicas mais graves, o que indica a possibilidade de dengue hemorrágica, na qual os sintomas se associam a fenômenos hemorrágicos e a doença pode se tornar letal.
O diagnóstico da doença costuma ser feito por meio de exame de sangue, no qual se identificam os anticorpos contra a dengue. |
TRATAMENTO
Não há tratamento específico para a dengue. As medidas terapêuticas visam à manutenção do bom estado geral do paciente. Para combater a dor e a febre, não devem ser usados derivados de ácido acetilsalicílico, que podem provocar sangramento. A mesma contra-indicação aplica-se aos demais antiinflamatórios não hormonais, mesmo quando usados por via intramuscular. Não existe vacina eficaz para a dengue.
Fonte: RADIS, Fiocruz, edição julho/2008.
|
|