DEU CERTO
Condomínio Fonte da Saudade

  

E ELA FOI LÁ E FEZ!
A imponência destaca o condomínio na Praia do Flamengo

Neide Follain era mais uma moradora do condomínio Fonte da Saudade, na Lagoa, insatisfeita com o estado de conservação do prédio, mas convivendo, até o dia em que chegou a seu limite. A advogada especializada em direito do consumidor, professora, autora de teatro infantil e poeta, resolveu dar sua contribuição. Para conhecer de perto a real situação do prédio, fez um “estágio” no conselho consultivo por oito meses, antes de candidatar-se e ser eleita síndica. Hoje, após duas gestões e verdadeiras declarações de amor feitas em reconhecimento a seu trabalho no livro de ocorrências, Neide não se arrepende. Pelo contrário, diz ter descoberto uma paixão.

“Para qualquer síndico de primeira viagem o primeiro ano, dia após dia, é desesperador, especialmente quando pega um edifício antigo. Vazamento, então, em um prédio de 34 anos é o filme do momento”, brinca com a leveza de quem enfrentou as dificuldades e saiu vitoriosa.

A sensibilidade de poeta, o zelo de mulher e mãe, a responsabilidade e o conhecimento de profissional da área de direito ajudaram, assim como o seu dom para a comunicação. Nas comunicações enviadas junto aos balancetes – os dois reunidos, da primeira e da segunda gestão -, somam-se mais de 20 páginas de realizações, e há espaço ainda para uma conversa franca, aberta, transparente com o morador. Tudo com a maior empatia.

No início, com o prédio todo em reformas, transtornos são inevitáveis. E ela ainda estabeleceu novas rotinas de uso, pois para a síndica organização faz parte da conservação. “O mau uso se não danifica, torna precário”, acredita. Mas, ao contrário de reclamações, ela conquistou respeito e aprovação. Estimulados, muitos passaram a investir em obras nas unidades. “No final, a valorização veio para todo mundo. O comportamento humano é assim, quando o ambiente está em mal estado de conservação, tem-se uma conduta, que muda quando está tudo limpo, bonito e agradável”, afirma.

A primeira medida da síndica foi fazer dinheiro. A partir de um choque de gestão substituiu prestadoras de serviços, tendo como foco a qualidade. Para aumentar a receita, renunciou à isenção do condomínio a que teria direito, bem como a qualquer pro-labore. Além disso, fez o que chama economia de garimpo. “Qualquer centavo economizado valia a pena”, recorda.

Neide entende a isenção da cota condominial para o síndico como uma gentileza que os condôminos fazem àquele que assume uma função tão espinhosa, a quem oferece um trabalho à coletividade. “Porque não remunera de forma alguma o síndico que trabalha”, argumenta. Mas, quando declinou do direito foi porque precisava de recursos para administrar. “Achei que era mais importante morar melhor do que pessoalmente ter um benefício financeiro, já que não estava satisfeita com as condições do prédio. Depois, acredito que gentileza gera gentileza”, defende. No relatório encaminhado aos moradores, no final da primeira gestão, ela fez as contas para mostrar a economia. Foram mais de 11 mil reais a mais para investir na melhoria do prédio.

Como prioridades, a síndica elegeu a segurança no sentido mais amplo e o cumprimento das disposições legais aplicáveis aos condomínios e à função de síndico. Por exemplo: Não tendo dinheiro para tudo, preferiu colocar corrimão nas escadas de serviço do que pintar os corredores, e assim por diante. Gastos que podem reverter em economia mais à frente também foram alvo de sua atenção, como a adoção de sensores de presença, lâmpadas econômicas, redimensionamento da iluminação.

A imponência destaca o condomínio na Praia do FlamengoTudo foi sendo feito com o que tinha em caixa. Uma poupança sugerida enquanto ainda estava no conselho. Cotas extras, só para as grandes obras, como a restauração da fachada. “Milagres nesta área não existem. Se alguém o fizer, é porque o valor da cota condominial está super dimensionado, o que não considero correto”, critica. Feita a maior parte das reformas de peso, não foi necessário prever cota extra para 2009.

Mas muito foi realizado. O prédio foi completamente recuperado, desde as fachadas, passando pela impermeabilização de jardins, correção de vazamentos diversos, reformas de PC, tubulações, lixeira, bicicletário, do portão eletrônico, entre muitas outras, incluindo até o mobiliário da portaria e do salão de festas. Dos puxadores, às luminárias, das etiquetas de identificação e alerta, ao quadro de chaves, está tudo novo ou em estado impecável de conservação.

Avaliando os dois anos de gestão, a síndica considera que teve mais motivos de satisfação e alegria do que de sofrimento e avalia que dois anos é pouco para dizer que realizou. “Não é o tempo que determina a qualidade”, acredita, acrescentando que pretende continuar trabalhando com a mesma seriedade, enquanto os condôminos quiserem e não tiver nenhum impedimento. “Eu posso dizer que vale a pena ser síndico. Teria outras coisas mais agradáveis a me dedicar na aposentadoria, mas um admirável mundo novo se descortinou para mim. Todo dia uma coisa nova, seja na área do direito, de hidráulica, eletricidade, pintura. E há esta sensação de ser útil a você mesma e a uma coletividade, à sua família e a mais 30 famílias. É verdadeiramente gratificante”, diz.

Muito simpática, Neide aproveita para agradecer: “Como ninguém consegue realizar coisa alguma sozinho, o Conselho Consultivo foi indispensável para trocar idéias e ajustar providências; os funcionários do prédio foram pacientes para se adaptarem a um novo modelo de gestão, colaborando e repassando informações importantes, sendo muito bom ouví-los; aos moradores, pela confiança, e a administradora que demonstrou profissionalismo ao contribuir em consultas específicas.

A relação da síndica com o pessoal que trabalha no condomínio merece um comentário à parte. É de total parceria. Ela investiu sempre na valorização deles e acredita que, como no teatro, o elenco precisa de direção e auto estima elevada.

“De tudo ficou uma frase de Jean Cocteau: Não sabendo que era impossível foi lá e fez. Foi exatamente isso que aconteceu comigo”, conclui.

DICAS DO DEU CERTO:

A primeira medida de todo síndico deve ser a de buscar adquirir a confiança trabalhando e deixando o tempo passar, porque os resultados vêm.

É preciso dedicar um tempo grande, tomar providências junto a moradores, receber fornecedores, pesquisar. Ser presente e comprometido.

Trabalho de manutenção não termina. O que é feito no primeiro ano tem que ser mantido no segundo, no terceiro. Isto é o mais difícil. É preciso ter planejamento, um projeto detalhado e de longo prazo.

Cada funcionário do condomínio é autoridade em sua área de atuação. Treinar, delegar, cobrar responsabilidade e saber reconhecer são os itens que mais contribuem para a construção de uma parceria necessária com os empregados.

Um conselho consultivo atuante e afinado com o síndico e com a sua política de gestão, dá a idéia de time, todos com o mesmo objetivo.


CONDÔMINO INTELIGENTE

Para ter uma idéia da habilidade da síndica com as palavras e as pessoas, confira um dos textos que produziu para os moradores do Edifício Fonte da Saudade. Uma reflexão apropriada para qualquer condomínio.

Prezados Condôminos,

Em tempos de sustentabilidade, muito se tem ouvido falar de condomínios inteligentes. São condomínios dotados de mecanismos tão sofisticados que nos dão a exata medida de que chegamos ao século 21.
Estes novos condomínios têm medidores de água para cada apartamento, há o aproveitamento da água das chuvas e da energia solar; isolamento acústico e térmico. Os elevadores contêm dispositivo que os impedem de atender a duplas chamadas, são silenciosos, elegantes, além de consumirem pouquíssima energia. Alguns são muito gentis, avisando-nos que o andar que desejamos chegou. Modernos sensores de presença e até de voz. A entrada nas portarias e garagens dispensam chaves e cadeados: o sistema é o de digitais dos moradores. Incrível! As câmeras de filmagem causam inveja a qualquer cineasta bem sucedido. São perfeitas! Você pode estar em Dubai e ver o que se passa no interior de seu apartamento. Tudo muito Contemporâneo!
Contudo, pouco se ouve falar dos condôminos inteligentes. Se nosso condomínio não é tão inteligente assim, cabe-nos suprir o que a ele está faltando.
Condômino inteligente é aquele que conserta o pinga-pinga de suas torneiras e chuveiros, o vazamento de água de suas descargas e usa com critério a água que está à sua disposição. A conta de água é a segunda maior vilã dos condomínios. O condômino inteligente entende que se cada um proceder desta maneira, o condomínio, ao reduzir o seu custo, poderá usar este valor economizado em itens de real necessidade e as temidas cotas extras tenderão a diminuir.
Condômino inteligente, ao contribuir na economia da água, estará economizando luz, pois as bombas de água serão menos acionadas, bem como o custo da sua manutenção também tenderá a reduzir.
Condômino inteligente não aciona todos os elevadores ao mesmo tempo, nem aperta várias vezes o botão de chamada, num rasgo de impaciência que vai se agravar ao receber o aumento da cota condominial. A economia da luz é grande quando usamos corretamente os elevadores. Desligar os elevadores não é solução, afinal, merecemos conforto de tomarmos os elevadores em cada hall de entrada e é para isso que pagamos as cotas condominiais. Conforto não se confunde com desperdício.
Condômino inteligente toma cuidado em não arranhar as paredes da garagem em manobras negligentes e apressadas.
Condômino inteligente monitora suas obras não permitindo danos nos tetos e portas dos elevadores, nas luminárias e sensores dos corredores e escadas de serviço e nas paredes dos andares.
Condômino inteligente entende que as partes comuns do prédio são a extensão da sua casa e por isso devem ser bem cuidadas.
Condômino inteligente sabe que o uso impróprio das partes comuns reverterá em despesa que pode ser evitada.
Condômino inteligente se orgulha de mostrar as partes comuns do prédio bem conservadas ao corretor de imóveis na hora da avaliação do seu bem, pois tal conservação, com certeza, refletirá no valor que lhe será atribuído.
Condômino inteligente se informa antes de se manifestar.
Condômino inteligente colabora ao invés de criticar.
Condômino inteligente muda o seu comportamento enquanto é tempo.

"Você deve ser a mudança que você quer ver no mundo"
GANDHI

Atenciosamente,
Neide Follain
Síndica

 

  
Design by Claudia Fischer • Powered by 3RStudio
Copyright © 2006 - Lowndes & Sons S.A. - Todos os direitos preservados