PÁRA-RAIOS
Com o aumento do índice de descargas atmosféricas,
é preciso maior atenção ao equipamento que protege o seu prédio.

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O número de descargas atmosféricas registradas na região Sudeste subiu de 106 mil para 160 mil somente nos primeiros meses deste ano. Culpa do La Niña, fenômeno oceânico-atmosférico relacionado à formação de tempestades no mundo inteiro. Some-se a isto o pouco conhecimento que a população tem sobre formas de proteger-se e o resultado é mais perdas de vidas, de equipamentos e até de edificações. Calcula-se que os prejuízos causados pela incidência de descargas atmosféricas no país girem em torno de R$ 1 bilhão por ano, sendo R$ 600 milhões no setor elétrico.

Para a segurança das edificações, existem os Sistemas de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), popularmente conhecidos como pára-raios, que são altamente eficazes se instalados e mantidos adequadamente. Quando um raio atinge um edifício protegido, a descarga elétrica percorre o sistema até atingir o solo; quando não há proteção, os estragos podem ser muitos e variados, desde a queima de equipamentos até incêndios de grandes proporções.

“Para a qualidade desta proteção, o aterramento é item fundamental e deve ser feito também para antenas de TV a cabo”, orienta Francisco Coelho Cotta, que há mais de 25 anos trabalha com instalação e manutenção de pára-raios, sendo responsável, inclusive, pelo sistema que protege o Cristo Redentor. Cotta explica que, para a eficácia do equipamento, sua instalação deve atender às instruções da NBR – 5419. “Elas incluem a obrigatoriedade de manutenções anuais e o sistema também é vistoriado pelo Corpo de Bombeiros. São ações que garantem que o sistema realmente evite que o prédio seja atingido por raios”, acrescenta.

Foi por meio de uma vistoria destas que o síndico Orlando Leal, do Condomínio Solar Belmonte, em Botafogo, ficou sabendo que uma mudança no distanciamento do aterramento tornara seu equipamento ineficaz. “Com a nova orientação, buscamos uma empresa para fazer as alterações necessárias e agora aguardamos nova avaliação do Corpo de Bombeiros. Mas já sabendo que estamos protegidos”, adianta Orlando.

Quem também atualizou seu sistema foi o Condomínio Visconde de Ouro Preto, também em Botafogo. Depois de uma obra no topo do prédio, o pára-raios ganhou a chamada gaiola de faraday – o lançamento de cabos de cobre em todo o beiral do prédio, com interligação com o aterramento – e ainda uma proteção para o PC, a fim de evitar curtos circuitos na rede elétrica. “Ficamos muito satisfeitos e já estamos agendados para a primeira manutenção, depois de 12 meses após a obra de instalação”, conta o Administrador, Paulo Costa.

Uma obra que, se compara a muitas outras mais caras e complexas que um condomínio precisa empreender, é bastante tranqüila. Segundo Cotta, ela não interfere no dia-a-dia dos moradores e não leva mais de 20 dias para ser concluída. O custo varia de acordo com o diâmetro do prédio.

O que é importante saber sobre SPDA

– O SPDA protege a estrutura e as pessoas que circulam pelo edifício no momento da queda de um raio.

– Os aparelhos eletrônicos não são protegidos pelos pára-raios, mas pela instalação de centelhadores no PC, que evitam curtos-circuitos no quadro de distribuição (QGBT). Isto porque, normalmente, a descarga elétrica que causa danos a estes equipamentos vem pelas linhas de transmissão das concessionárias de energia.

– Os novos prédios já são entregues com o SPDA, porém é necessário seguir rigorosamente a programação de manutenções anuais.

– As construções antigas devem fazer uma vistoria técnica, realizada por um engenheiro eletricista, para saber se o seu equipamento encontra-se dentro das normas atuais de instalação e funcionamento. Caso seja necessário um novo sistema, a obra não deve ser adiada. As manutenções periódicas também não devem ser esquecidas.

– Sempre que o SPDA é instalado, o engenheiro responsável deve emitir um relatório técnico e a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) da instalação. Esta ART será renovada anualmente, a cada manutenção.

- Antenas de TV por assinatura, quando instaladas no topo dos prédios, devem ser aterradas e conectadas ao sistema de pára-raios.

  
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