DEU CERTO
CONDOMÍNIO GARDEN PARK

  

FAMÍLIA GRANDE E FESTEIRA

O condomínio Garden Park, no Grajaú, tem uma marca registrada: suas festas. Grandes, organizadas e com sucesso absoluto de público, reúnem condôminos, parentes e amigos que ocupam cada espaço social, que no Garden Park é privilegiado. Os oito prédios que compõem o condomínio formam um retângulo deixando uma extensa área interna onde ficam quadras, piscinas, salas de jogos, ginástica, musculação, dança e muito mais. Cada edifício tem no térreo um conjunto de salas para o lazer e o conforto dos moradores. E toda esta estrutura tem sido aproveitada pela administração, que usa toda área e oportunidade para promover a integração social entre os moradores.
    
Ninguém sabe ao certo como tudo começou. Os moradores se revezam na administração e poucos são síndicos por muito tempo. A atual subsíndica para a gestão social, Nilda Garcez, assim como outros moradores mais antigos, lembra de festas que aconteceram quando o condomínio nem estava totalmente construído, em algum mês do ano de 1997. Cita um síndico que fez a uma ótima festa de Reveillon e chama a atenção para um outro gestor, responsável pelo Dia das Crianças do ano tal. A história da comunidade é contada por suas festas.
     
O sucesso não é por acaso. Se desde o início houve a preocupação de oferecer lazer e oportunidade para integrar os moradores, com o tempo foi se instituindo uma gestão eficaz do processo. Planejamento detalhado, com cronograma anual, projetos de parceria comercial, contratos – ou, pelo menos, contato – com mágicos, malabaristas, animadores, DJs, bandas, quadrilhas, grupos de forró, barracas e brinquedos. O Papai Noel que faz a alegria da garotada no Natal é o que, no mercado de festas, é considerado o verdadeiro, com barba branca e olhos azuis verdadeiros e uma família que se dedica exclusivamente ao Natal como um negócio. A própria existência de um subsíndico social já deixa claro que festa no condomínio Garden Park é tão importante quanto finanças, obras e pessoal.

Problemas encarados com mais tranqüilidade

Setores que, aliás, vão muito bem. Com uma comunidade tão integrada e alegre, os assuntos sérios são abordados e resolvidos de uma forma mais leve. “Há mais diálogo e participação. Tanto nas assembléias quanto no dia-a-dia, os moradores se manifestam, dizem o que acham melhor fazer; sugerem, criticam. Com isso, nada fica para trás. Se um não vê uma necessidade, outro vê e já a aponta. Se acha que algo não está bom, vem e reclama”, conta a subsíndica, que é responsável por organizar as festas, mas que também está para o que der e vier no condomínio. “O melhor daqui é isto. Há o síndico, os subsíndicos, os conselheiros, mas não tem esta coisa de que este tema não é comigo, aquilo você resolve com o fulano; somos uma equipe e todo mundo se envolve e busca resolver na hora o que for possível”, acrescenta.
    
No momento, o condomínio está reformando e reformulando a ocupação de espaço de lazer, com o objetivo de atender à demanda da criançada que cresceu. Troca de salas que necessitam de mais espaço por outras que já têm menos público, com o acréscimo de tecnologias indispensáveis para os jovens: TV, DVD, jogos. Todas as ações no condomínio são determinadas e, em muito, facilitadas pela proximidade entre as pessoas e o diálogo aberto e franco entre moradores de diferentes idades.
    
Mesmo os problemas que mais afligem os condomínios de um modo geral – grandes obras, inadimplência, crianças, cachorros, garagem – são encarados como coisa cotidiana e sem maior gravidade. Sobre reclamações pelo barulho que as festas acarretam, por exemplo, Nilda responde desta forma: “Elas existem, mas, de um modo geral, até a pessoa começar a participar”.
     
A subsíndica mesmo já teve o seu tempo de não estar muito envolvida. Foi quando chegou ao condomínio com duas crianças pequenas. “Não havia meio de participar”. Mas, com os filhos um pouco maiores, percebeu que tinha escolhido o lugar certo para morar. A alegria das crianças, o comportamento dos idosos, a cordialidade entre as pessoas. E é desta mesma maneira que os outros vão aos poucos sendo envolvidos também.

Empresas especializadas, endereços certos e muita negociação

Os contatos com os moradores, os prestadores de serviços voltados para festas e o relacionamento com fornecedores e empresas patrocinadoras são atividades fundamentais para Nilda. E demandam muita negociação para que o custo não saia pesado para ninguém. Sim, alguém precisa pagar por tudo isso, mas o preço é dividido entre moradores e patrocinadores. E ainda podem contar com abatimentos resultantes de muita pechincha. O mesmo grupo que mantém no condomínio professores de educação física durante todo o ano fornece os brinquedos infláveis para as festas. Tudo Bônus por fidelidade, uma quantidade maior ou menor de modalidades, tamanhos e atividades, tudo é negociado para garantir meios de realizar o evento mais criativo dentro de um custo possível. É desta mesma maneira que a subsíndica procede com cada uma das empresas prestadoras de serviços ao buscar apoio.

Ela mesma sabe exatamente onde encontrar produtos para festas pelos menores preços. Na véspera do último Dia dos Namorados, por exemplo, saiu cedo de casa para ir à Cadeg, em Benfica, para comprar flores e frutas. “Usamos muito a Cadeg, o Saara e temos uma lista de indústrias, lojas, profissionais, tudo organizado e fácil para nada dar errado na última hora”, ensina Nilda.

Esta organização é fundamental, pois a agenda de eventos é intensa: Natal, Reveillon, Dia das Mães, Festa Junina, Dia dos Pais, Dia das Crianças, Festa das Bruxas. E este ano, mais uma deve entrar para a lista. A subsíndica social tem um projeto para realizar uma festa da primavera e uma outra dedicada exclusivamente às pessoas da terceira idade. “Temos trabalho o ano inteiro: algumas festas são tão grandes que precisam começar a ser planejadas ainda em janeiro, como a Festa Junina, que é, talvez, a nossa maior e mais colorida comemoração, como é também o Dia das Crianças. Cansa, mas é um prazer muito grande ver a felicidade no rosto das crianças, dos moradores”, conclui.
     

DICAS DO DEU CERTO:

Sentido de equipe. Aqueles que integram a administração devem ser unidos e pedir a ajuda dos moradores. Nada é feito por um só; um outro vê o que a gente não vê e, assim, somam-se forças, habilidades, competências. É a melhor maneira de fazer bem feito.

Qualquer reclamação é bem-vinda, mesmo quando não tem fundamento. Se ela existe é porque existe uma porta aberta, um canal para as pessoas expressarem seus desejos, suas vontades. Quem administra condomínio, administra para si e para o outro também. Por isso tem que saber ouvir.

Comunicação freqüente e em toda a parte. Elevadores, quadro de avisos, cada lugar de circulação deve ser usado para passar orientações. Lembrar que é preciso retirar as fezes dos cachorros, pedir para colocar o lixo na lixeira. É dever de casa, a coisa mais corriqueira, cada pequeno gesto que poderia passar como já sabido deve ser lembrado, reforçado.

Pulso firme. As normas de convivência são do conhecimento de todos, assim como as regras do condomínio. Fazer com que sejam válidas, que funcionem, é papel da administração.

  
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