DEU CERTO
RESIDENCIAL PRAIA DA GÁVEA

  

Cada vez melhor

Janete Zolubas Saona é síndica do Condomínio do Edifício Residencial Praia da Gávea desde setembro de 2001. Os sete anos de gestão, e os 24 de moradora, garantem a ela um conhecimento do prédio que só é superado pela vontade de fazer cada vez mais pelo imóvel. Vontade de realizar que, no entanto, não teria qualquer resultado se não fosse a atenção às contas do condomínio. Só para ter uma idéia da seriedade com que encara a questão, tudo é feito rigorosamente com base em economia e previsão orçamentária. “Primeiro cortamos desperdícios e fazemos um caixa, depois realizamos a obra”, explica.

Desde que assumiu pela primeira vez, Janete já realizou inúmeras obras, algumas grandiosas como a troca de colunas ou a que realiza agora: a impermeabilização de 500 metros quadrados, que engloba a área externa do playground e salão de festas. Em cada uma delas, aproveita para ir melhorando o que está no caminho. Enquanto impermeabiliza o play, por exemplo, azuleja as paredes da garagem. Mais claridade, beleza, economia e facilidade em manutenção para grande parte da área pela qual circulam os moradores.

Capricho em tudo o que faz

Ou ainda: já que terá que refazer o piso da área do playground - que antes era em lajotas de pedra São Tomé colocadas com separação de 15 cms, espaçamento preenchido com cimento, que com o tempo trincou, facilitando a infitração de água nas áreas inferiores, principalmente garagens -, agora ganha pedras novas com um espaçamento entre as lajotas de 3 mm, eliminando o risco de futuras trincas e infiltração. E, mais, aproveitando o ensejo, o piso do salão de festas, cujo espaçamento era em madeira, já desgastada pelo tempo e de difícil manutenção e limpeza, está sendo substituído por porcelanato, um acabamento superior para a área social do condomínio.

E não é só com os acabamentos que a síndica se preocupa. “Assim que a impermeabilização e o piso do play ficarem prontos, vou aproveitar um cantinho para fazer uma churrasqueira. Hoje em dia, todo mundo gosta de comemorar suas datas especiais com um churrasco”, adianta. Um cantinho da garagem já ganhou um bicicletário, com paredes em azulejo e piso em cerâmica. “Quando vi aumentar a opção pelo uso da bicicleta, achei que a gente tinha que ter um lugar apropriado para guardá-las”, conta Janete. O resultado do tratamento dado a área trouxe a idéia de azulejar toda a garagem, eliminando de vez a trabalheira de limpar regularmente as paredes pintadas sobre massa texturizada. “O trabalho está sendo feito na medida da disponibilidade financeira”, conta Janete.

Fazer depende de apoio e recurso em caixa

Tanto capricho, no entender da síndica, só pode ser alcançado com apoio e recursos em caixa. Em seu caso, o maior apoio vem do marido, o engenheiro José Reinaldo Saona, o mais atuante dentre os integrantes da comissão de obras do condomínio.

“Enquanto conto com o Reinaldo para as obras, me atenho à contabilidade, mantendo um controle rígido das despesas e uma atenção especial à previsão orçamentária, jamais deixando de considerar as necessidades do prédio e a inadimplência”, conta Janete. A síndica, com isso, tem um orçamento realista com que trabalhar durante o ano. Como tem a confiança dos moradores, o que se tem traduzido em consecutivas reeleições, pode fazer um planejamento a longo prazo. E é assim que tem podido realizar diversas obras, sem nunca precisar recorrer a cotas extras.

Mas o marido também a ajuda a conter gastos no condomínio. É ele que a auxilia com sugestões que vão desde a adoção de sensores de presença, a aquisição de uma lavadora de alta pressão para a limpeza das áreas comuns. “É economia eficiente e efetiva. Com muito pouco é possível fazer muito”, ensina José Reinaldo, para quem o casal não faz nada demais: “A partir do momento em que a pessoa assume ser síndica, tem que fazer, tem que realizar, se não, deixa o cargo para outro”, diz.

Modéstia à parte, José Reinaldo é o responsável pela implantação de uma rotina que reduziu a conta de água à metade, economizando ainda no consumo de energia elétrica.

Bons resultados com controle rigoroso do consumo de água

“No nosso caso, o controle de consumo de água, se consegue fácilmente, observando quatro pontos: histórico de consumo, leitura diária do hidrómetro sempre no mesmo horário, verificação visual do nivel de água na cisterna, devidamente marcada, e verificação auditiva noturna das colunas de água, quando o prédio esta em silêncio, lá pelas duas da madrugada, serviço realizado toda noite pelo plantonista da portaria”, explica ele. Caso detectado um consumo maior ao da média, imediatamente é verificada a existência de ruídos durante a noite, o que já dá a dica de por onde começar a buscar perdas e vazamentos.

Para facilitar os consertos necessários, o condomínio assume o custo de troca de válvulas de descarga e entrada, botões de acionamento, rabichos, bóias, carrapetas, etc.: “Assim, mantemos um estoque mínimo de peças de reposição para fazer os consertos sem perda de tempo, e o morador não se sente inibido em ajudar nos informando a possível origem dos vazamentos, o que termina ajudando ao condominio todo, diminuindo a conta de água”, acrescenta.

O engenheiro informa que é possível, desde que seja estudado caso a caso, o enchimento das caixas d’água por gravidade, sem o uso de bombas, e sem gastar eletricidade. Foi o que ele fez ao detectar o aumento de pressão do fornecimento da água proveniente da rede externa durante à noite. “Fizemos um retorno da água na entrada da cisterna e com a instalação de válvulas de retenção conseguimos desviar essa água diretamente para as caixas localizadas no teto do prédio, sem a utilização das bombas de recalque”, ensina.

Toda esta atenção se converteu em redução real de 50% das contas de água do Residencial Praia da Gávea, recurso que foi dirigido a obras de melhoramentos. “Sem maiores ciências, só com senso prático e dedicação, se pode fazer muito”, conclui Janete.
     

DICAS DO SÍNDICO DEU CERTO:

Fazer leitura diária do hidrômetro, sempre no mesmo horário.

Assumir para o condomínio o conserto e o fornecimento de peças para os vazamentos hidráulicos dos apartamentos.

Instalar sensores de presenca nas áreas comuns e corredores de serviço.

Tentar manter um bom relacionamento com os moradores, conquistando a colaboração deles em benefício do condomínio.

  
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