SERIEDADE COM SUINGUE E SANGUE BOM

Paulo César de Almeida adora um pagode em família, com direito a churrasco e piscina. Mas na hora do trabalho é só seriedade. Os colegas até o acham chato, de tão responsável que ele é. Em seu histórico profissional, sempre atuou como vigia ou porteiro e, por isso, não tem dúvidas sobre a importância destas funções. No Edifício Esplanada, no Centro, Paulo é porteiro há dois anos e meio e se diz satisfeito e de bem com a vida por isso. “Desde o primeiro minuto em que trabalhei em um condomínio me identifiquei com o serviço”, afirma.
Para a síndica, Nathalia Dias, Paulo tem conhecimento de suas atribuições e da rotina de trabalho e, mais que isso, é uma pessoa interessada. “A maioria dos que trabalham em portaria têm auto-estima baixa, pouca motivação; com Paulo é diferente”, conta, acrescentando que o porteiro é educado e sabe conversar, mesmo com o condômino ou o visitante mais difícil, da mesma forma que sabe ser mais contundente se for preciso.
Com passado de atuações em instalações industriais, o atual porteiro de condomínio diz que um dos aspectos mais positivos do trabalho na portaria em edifícios é o contato mais estreito com o público, que entra e sai o dia inteiro sem parar. “No dia-a-dia, cada um tem seu compromisso, sua responsabilidade e há muita pressa. Mas no final da sexta-feira, ou já no sábado, é bom descanso, aproveite o fim de semana, uma mistura de profissionalismo e camaradagem que gosto muito”, explica.
Paulo é nascido na Penha e mora em Belford Roxo. Trabalha de segunda a sábado no período da tarde e já chega disposto a saber o que tem para ele, o que ficou da manhã por fazer e não descuida do pronto atendimento às demandas dos condôminos, sempre de olho nas normas do edifício. Ele também tem atenção especial à questão da segurança. Com o certificado de um curso de segurança predial, diz que a capacitação ensina muito e, por isso, faz outros cursos para porteiros. Quer estar preparado caso, amanhã ou depois, surja uma oportunidade de crescer profissionalmente.
Para ele, ser um bom profissional de portaria também depende de um síndico de pulso forte. “Porteiro sozinho não faz nada. A gente trabalha com normas que devem valer para todo mundo. Se um síndico releva porque um condômino é doutor, você fica na mão. Se houver algum problema, sabe que vai sobrar para a ponta mais fraca. Isto desestimula”, avalia.
É por esta razão que Paulo é só elogios à síndica Nathalia, que considera rígida. “Com ela tem que trabalhar, mas é melhor lidar com gente assim do que com quem não está nem aí. Quando a pessoa se importa, a gente cresce. Cobrança é bom porque não deixa a qualidade cair. Mas, é claro, é só se ela for respeitosa. Humilhações não levam ninguém para frente. Quando há valor no trabalho, aí sim se trabalha com gosto”, ensina.
Casado com Eliane e pai de dois filhos – Wanderley, de 18 anos, e Pedro Paulo, de três anos, Paulo aproveita os dias de folga para ir com a família até um sítio próximo de casa, onde, por ser assíduo freqüentador, já tem churrasqueira cativa: “Basta levar a carne”. Mergulhos na piscina, partida de futebol com os filhos no gramado e muito pagode com a patroa demonstram que, além de ser um bom porteiro, Paulo também é bom carioca. “Só não gosto de praia; o meu negócio é cachoeira ou piscina. Mas sou povão, gente que sabe trabalhar, mas também curtir a vida”, conclui.
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