INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E INCÊNDIO
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Entrevista - Remigio Todeschini
  

Em um apartamento de classe média, dotado de muitos equipamentos eletro-eletrônicos alimentados por extensões multitomadas, um novo aparelho é ligado e o cabo da extensão pega fogo. Felizmente, havia pessoas em casa que, delisgando a energia e apagando as chamas rapidamente, conseguiram minimizar os danos. O exame da instalação mostrou que a proteção daquele circuito (disjuntor) estava superdimensionada.

Em uma empresa do Centro do Rio, num dia normal de trabalho, um forte cheiro de plástico queimado foi sentido. Desligada a energia, verificou-se que o eletroduto do circuito dos aparelhos de ar-condicionado estava destruído. A causa detectada foi um subdimensionamento do condutor devido à concepção equivocada da instalação após uma obra de reforma para o rebaixamento do teto e a instalação de mais aparelhos de ar-condicionado.

Os casos acima são reais e demonstram o quanto incêndios podem estar diretamente ligados a instalações elétricas mal feitas ou mal dimensionadas.

Especialistas explicam que, para que um incêndio ocorra, é necessária a presença de materiais combustíveis, oxigênio e calor. O oxigênio está presente no ar, os combustíveis são materiais que estão no ambiente e o calor pode ser gerado por defeitos e falhas nas instalações elétricas. “Em todas as situações em que ocorre elevação excessiva de temperatura em partes de uma instalação elétrica, há aumento de nível de risco, agravado pela presença de materiais combustíveis (por exemplo, cortinas, tapetes, papel, alguns tipos de pláticos) que estejam em contato com os componentes da instalação”, detalha Delmo Bonturi, engenheiro elétricista do CREA-RJ e do Clube de Engenharia.

Bonturi acrescenta ainda que, para o aumento do nível de risco, há uma grande contribuição dos circuitos terminais (aqueles que alimentam diretamente tomadas), principalmente com linhas elétricas aparentes, seja devido a sobrecargas, isto é, ligação de cargas além da capacidade prevista inicialmente, seja por mal contato e conexões frouxas e/ou superdimensionamento da proteção (normalmente um disjuntor).

Depois do trágico acidente que vitimou uma criança de 8 anos em um edifício residencial de Copacabana, no início do ano, o tema volta a ganhar destaque e chama a atenção para os cuidados necessários.
  
Orientação para o quadro de avisos

O engenheiro especialista em instalações elétricas prediais lista dicas que ajudam a evitar problemas com as instalações. Elas podem ser utilizadas para orientação aos moradores:

a) Recorrer sempre a um profissional habilitado, registrado no CREA-RJ, para a execução de serviços nas instalações elétricas.

b) Antes de adquirir um aparelho ou equipamento de grande consumo, tais como aparelho de ar-condicionado, chuveiro elétrico, aquecedor de água ou secadora de roupas, solicitar a um profissional habilitado que faça uma avaliação da capacidade da instalação (ramais alimentadores e entrada da energia – PC) para verificar a necessidade de um aumento de carga.

c) Verificar se há sinais de aquecimento em tomadas e condutores e odores tipo queima de plástico. Se houver, é necessário desligar o circuito ou aparelho envolvido e providenciar uma inspeção da instalação conforme o item “a”.

d) Verificar se há diminuição acentuada do brilho das lâmpadas quando um aparelho de maior consumo é ligado. Caso haja, providenciar uma avaliação global das instalações por profissional habilitado.

e) Não substituir disjuntores que desarmam sistematicamente por outros de maior capacidade.

f) Substituir cabos de ligação e tomadas em mau estado ou com emedas.

g) Evitar o uso de benjamins ou extensões multitomadas, ou seja, réguas (algumas são produzidas com material plástico com características propagadoras de chama).

h) Não instalar tomadas, aquecedores ou desumidificadores no interior de armários.

i) Não utilizar materiais, equipamentos e aparelhos de baixa qualidade adquiridos em camelô e afins.

h) Utilizar somente materiais, equipamentos e aparelhos que tenham certificação do INMETRO.

j) Exigir, na execução das instalações elétricas novas ou na reforma das existentes, a aplicação da norma NBR 5410/2004, específica para a questão.   

Exemplos de condições de risco de incêndio em instalações elétricas:

* Tomada de aparelho de ar-condicionado inadequada ou com mau contato + aquecimento devido às condições da tomada + curto-circuito + cortinas próximas à tomada do aparelho.

* Tomadas de uso geral + sobrecarga + proteção superdimensionada + (tapete, carpete, cor tinas, madeira)

* Instalação de aparente com cabinho paralelo + prego entre condutores + sobrecarga + curto-cicuito + proteção superdimensionada + (cortinas, tapete, carpete).

* Instalação no entreforro com conduite de PVC (que é propagante de fogo) + sobrecarga + proteção superdimensionada + teto de material combustível.

* Soquete para lâmpadas embutido sobrecarregado + condutor inadequado + proteção superdimensionada + teto de material combustível (madeira, plástico).

* Tomadas de uso geral no piso + defeito/dano na tomada + curto-circuito + proteção superdimensionada + tapete, carpete ou madeira .

* Condutor em sobrecarga + conduite de PVC aparente + proteção superdimensionada + danos na isolação + curto-circuito + material combustível.

 
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