Os síndicos são profissionais multifunção e, com a crescente tendência de o condomínio ser o espaço de convivência por excelência – onde morar, trabalhar, ter lazer, tudo em um único lugar com conforto e segurança –, esta exigência torna-se ainda maior. Pode-se pensar que esta é uma carga pesada demais e, de fato, este é um dos fatores que levam muitos a se negar a ser síndico. Mas há uma forma de assumir esta importante empreitada a que todo condômino, ao menos uma vez, deveria encarar. A exemplo dos empresários mais bem-sucedidos, você também pode dedicar-se mais às questões estratégicas e delegar a parte operacional do trabalho. Para isso, é preciso saber mais sobre como funciona este universo.
O síndico: atribuições, responsabilidades e perfil
As atribuições dos síndicos estão previstas na Lei de Condomínios (Lei 4591, artigo 22). A Convenção e o Regimento Interno costumam complementar a lei, listando e especificando obrigações, direitos e responsabilidades no âmbito do próprio condomínio. A lista é extensa e, a partir dela, pode parecer que à frente deste tipo especial de administração os síndicos são, ao mesmo tempo, presidentes, juízes e policiais. Porém, na prática, eles têm uma função definida e devem responder apenas pelo que lhes cabe, evitando assumir a obrigação de resolver os problemas do mundo. O papel do síndico é o de representante legal do condomínio e sua atuação equipara-se à de administrador de qualquer outro tipo de negócio, de alguém que tem limites para agir. O mais importante é saber que os interesses do condomínio virão sempre em primeiro lugar.
O bom relacionamento com os demais condôminos é a chave do sucesso. A experiência diz que os que lidam melhor com as pessoas – os que são firmes, mas conciliadores – têm mais êxito que os que assumem ares de ‘o rei do pedaço’. Afinal, todos coabitam o mesmo lugar e a convivência precisa ser harmoniosa. O segredo é ter iniciativa, flexibilidade, respeito ao próximo, espírito de parceria e uma meta: contribuir para a qualidade de vida no condomínio.
O condomínio: cada dia mais como uma empresa
Uma boa gestão condominial é facilmente avaliada a partir de seus balancetes, das boas condições das instalações, dos recursos materiais e tecnológicos e de suas áreas comuns bem cuidadas e organizadas. O mesmo vale para a apresentação dos profissionais que ali trabalham. Todos esses elementos são indícios de uma administração eficiente. A gestão contábil-financeira e predial de um condomínio é o fator de maior relevância, pois despesas repentinas afetam não só a quota condominial, mas também a imagem do síndico junto à comunidade.
Para tanto, deve haver uma estrutura que conte com um síndico atuando como gerente e uma administradora responsável pelas atividades de backoffice, ou seja, de retaguarda, a parte operacional do negócio. Deve haver também um conselho administrativo, responsável por planejar e supervisionar a implantação das ações, e um conselho fiscal, com suas atribuições tradicionais. Tudo isso junto é a garantia de sucesso.
Uma administração mais profissional também gera mais economia. Por experiência, os gerentes de condomínio assessoram melhor os síndicos, fazendo com que consigam negociar mais facilmente com prestadores de serviços e garantindo a eles um suporte técnico mais balizado para controlar finanças e trabalhar com planejamento através de previsão orçamentária. Assim, o condomínio pode contar com uma administração mais organizada financeiramente, sem sobressaltos e cotas extras.
Com os condomínios ganhando ares de empresa, os moradores também passam a ter outra relação com a administração, num nível mais profissional. Isto evita abusos e problemas de convivência. Um morador gerenciando a vida de todos os outros muitas vezes gera ciúmes. Por outro lado, quando o condomínio funciona como uma empresa, as pessoas sabem que há dias e horários pré-estabelecidos para o atendimento de assuntos relativos a trabalho. O grande sonho dos síndicos mais experientes é algo absolutamente possível.
Você síndico
Portanto, para ser síndico, basta querer. Candidate-se, mas antes anote algumas dicas:
– Adote a Lei de Condomínio, o Código Civil, a Convenção, o Regimento Interno e o orçamento do prédio como uma bíblia sagrada. Mantenha-os por perto, estude-os e utilize-os para saber desde como deve ser o processo de eleição até, depois de eleito, quais as bases para se tomar qualquer decisão que afete a vida no condomínio.
– Escolha com critério uma boa administradora: a mais experiente, sólida e com disponibilidade para assumir a parte operacional da administração de seu condomínio. E acompanhe o trabalho dela de perto. Faça dela sua parceira e mais importante aliada.
– Converse com os moradores, ouça suas expectativas, fale com eles sobre os limites do orçamento e das leis que regem o condomínio. Mas assegure-os de sua disposição para fazer o melhor pela valorização do patrimônio imóvel e a qualidade de vida da coletividade.
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