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O setor de serviços é o que mais cresce na economia mundial. Um crescimento vertiginoso que leva muitos a se lançarem neste mercado, mesmo sem a qualificação adequada. O resultado são serviços muitas vezes precários, que exigem gastos desnecessários, perdas decorrentes de retrabalho ou abandono da empreitada pelo prestador de serviço, quando não a quebra de contrato unilateral por parte do tomador, devido à insatisfação.
Para evitar problemas, especialistas alertam para alguns cuidados a serem tomados na hora da contratação. É fundamental discriminar minuciosamente tudo o que é necessário, tanto para se ter uma idéia clara do que pedir, quanto para se ter uma base para pesquisar e orçar com, pelo menos, três empresas diferentes. A pesquisa para esta seleção deve incluir, ainda, o levantamento da ficha cadastral e o pedido de certidões negativas dos sócios, além de visitas a clientes atuais e antigos.
Outro item essencial são os prazos para a realização, assim como peças e produtos envolvidos, preço, garantia e condições de pagamento. Tudo estipulado antes e confirmado por documento escrito e assinado por ambas as partes. Mudanças no percurso só com novo contrato ou termo aditivo, o que assegura que, em caso de descumprimento do acordado, o condomínio pode acionar a justiça.
Mas estes são cuidados a serem tomados na hora de contratar. E como se deve proceder na hora de renovar o contrato? A Gerente de Qualidade da Lowndes, Catarina de Oliveira, responsável por recepcionar os novos síndicos e orientá-los, aconselha a, primeiramente, verificar se o serviço executado ao longo da vigência do documento corresponde a tudo o que foi acordado. Depois, vale dialogar. “Mesmo se estiver insatisfeito, analise pontos positivos e negativos dos serviços prestados, compare com a concorrência e converse. Muitas vezes vale mais a pena renegociar com base no que precisa ser corrigido do que lançar-se em uma nova relação com uma empresa que ainda não conhece”, diz.
Serviço exige relacionamento
e confiabilidade
A
dica é reforçada por Alex Carneiro, consultor em marketing, com estudos em impacto dos preços nos resultados, além de sensações e mitos relacionados aos preços. “Quando você compra um produto, pode ver e até ter em mãos o que vai levar para casa, mas com serviço é diferente. Só depois de contratado e executado é que você vai saber de sua qualidade”, esclarece, acrescentando que é por isso que confiabilidade e relacionamento são itens tão fundamentais para o setor. “É a experiência da relação com a empresa o mais importante, o que deve, de fato, pesar em uma avaliação sobre a possibilidade ou não de se renovar um contrato desta natureza”, orienta.
Para o especialista, a hora da verdade é a resposta da empresa a um problema. Ele diz que se deve ter atenção a como ela responde quando você comunica que houve uma falha ou que algo deu errado. Respostas evasivas e transferência de responsabilidade devem fazer acender um sinal de alerta. “Afinal, uma empresa verdadeiramente parceira responderá com um auxílio, ao menos uma orientação, mesmo quando a questão não for com ela”, completa.
Pressão nos condomínios 
Em condomínios, é comum o síndico ser pressionado para atender aos pedidos do tipo mais comum dos consumidores: aqueles que querem preço. Foi o que aconteceu no Condomínio Solar Kátia Regina e Kátia Maria, em Jacarepaguá. Os condôminos consideravam alto o valor pago à administradora e aprovaram em assembléia a substituição da antiga empresa.
Com três outras propostas, optaram pela que pedia o valor mais baixo. “Infelizmente, fomos lesados. Eles sumiram com todo o dinheiro do condomínio e, passados três anos, não deu em nada porque a polícia diz que está na captura, mas ainda não os encontrou”, lamenta o hoje ex-sindico Delson dos Santos. Ele recorda que foi alertado pela antiga administradora para os riscos de contratar uma empresa desconhecida, mas a decisão foi do conjunto de moradores. “A empresa apresentou uma proposta bem elaborada, digna de quem conhecia o mercado, ofereceu referência e, junto com um preço muito baixo, conquistou os moradores. Depois, descobrimos que os condomínios apresentados como referência foram lesados como nós”, conta.
O síndico agradece ter seguido a orientação da antiga administradora, para quem voltaram depois do ocorrido, de pedir que o contrato com a nova empresa fosse assinado por todos. Isto o eximiu de ser acusado de ser o responsável pela troca que custou tanto ao condomínio.
Amigos, amigos,
negócios à parte
Apesar de relacionamento ser algo tão importante na avaliação da empresa ou do profissional prestador de serviço, deve-se ter um cuidado especial com promessas verbais, vantagens excessivas e preço muito abaixo do mercado. Não basta alguém dizer que é de confiança e apresentar referência. É preciso checar cada detalhe, confirmar informações, visitar a empresa, ouvir ex-clientes e consultar o Ministério do Trabalho. “Em serviços, vale a máxima do mercado: amigos, amigos, negócios à parte. Esta é uma relação comercial e não importa que o prestador seja alguém indicado. Até para se poder fazer uma concorrência é preciso ter parâmetros, critérios iguais para avaliar o que é melhor para o condomínio. Amizades e simpatias devem ficar de lado nesta hora”, orienta Catarina.
Ela destaca em especial o risco de se entregar o condomínio a escritórios de contabilidade ou advocacia, que não têm responsabilidade objetiva sobre quaisquer prejuízos, visto a administração condominial não ser a sua atividade–fim. “A responsabilidade deles é subjetiva: se houver algum dano ou dolo, não responderão por isso da mesma forma. Depois, quem lida com áreas tão estanques pode não estar preparado para responder a todas as demandas do cotidiano dos condomínios”, alerta.
As administradoras foram constituídas somente para esse fim, dispõem de departamentos inteiros para cada uma das áreas envolvidas: jurídico, contabilidade, recursos humanos, administração, toda a gama de necessidades que o condomínio possa ter. “É o seu negócio. Elas são as empresas especializadas neste serviço”, acrescenta.
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O tema preço, de tão relevante, tem até uma área de pesquisa que desperta muito interesse em treinamentos executivos nas mais importantes universidades do mundo: a psicologia dos preços. Alex Carneiro conta que, na Universidade de Wharton, nos EUA, há uma pesquisa com mais de dois mil executivos de todo o mundo que demonstra que eles baixam os preços muito mais do que seria racionalmente justificado. Razão: “Eles respondem ao que se espera deles. São os mais competitivos, os mais agressivos e vaidosos. Então, se o concorrente está ganhando mais dinheiro ou as vendas não vêm no tempo estipulado, o que poderia parecer um fracasso, eles acionam o botão mais fácil, o da redução do preço”, explica.
Foi assim em um caso recente e já clássico. O do iPhone, da Apple, cujo executivo principal, considerado o mais influente do mundo, tendo prometido um determinado volume de vendas para o primeiro trimestre após o lançamento do produto, reduziu o seu preço em mais 30% apenas dois meses depois, quando viu que não atingiria a meta, o que desgostou os fiéis, quase fanáticos, consumidores da marca que já haviam comprado a novidade.
Ao contrário do que possa parecer, isto não é bom para o mercado e, para exemplificar, cita o caso das operadoras de telefonia celular no Brasil, que com suas políticas de promoção freqüentes ensinam um comportamento predatório aos consumidores. “Elas não premiam a fidelidade, ao contrário, só oferecem vantagens para novos usuários, que, por sua vez, continuarão a buscar novas promoções, desenvolvendo um círculo de insatisfação. O resultado é que são as operadoras as primeiras na lista de reclamação da Defesa do Consumidor. Perdem as empresas e os usuários”.
Ele diz que nenhuma pessoa é totalmente emoção ou razão e o que dita uma decisão é, geralmente, um conjunto de fatores, mas, no entanto, na relação de compra, seja de produto ou serviço, há certa tendência. “Você já viu alguém escolher médico ou hospital pelo preço mais barato? Mas existe o comprador de preço. No caso da companhia aérea BRA, por exemplo, os clientes não estavam preocupados se a empresa era conhecida nem se os serviços de bordo eram os melhores; eles queriam preço baixo”, explica.
Além do comprador de preço, há outros três tipos de consumidor. O mais comum é o que avalia a troca: vou pagar 100 a mais, mas em compensação o meu vôo é direto. É a mesma lógica utilizada por quem paga mais por um apartamento em andar alto ou com vista. Ele compra valor. O terceiro tipo é o cliente de relacionamento: compra sempre com o mesmo vendedor, na empresa em que confia. Ele compra confiabilidade, sensação de segurança. O quarto é o comprador de conveniência, o que mais cresce conforme avançam as ofertas de serviço. Já é comum comprar roupas, fazer supermercado, ginástica, tudo sem sair de casa. Ele quer comodidade e não se importa em pagar um pouco mais por isso.
Quem presta serviço para condomínio diz que neste segmento é comum se querer sempre o menor preço, “um equívoco já que as demandas são por soluções de longo prazo”, considera Renato Gira, um dos profissionais responsáveis por uma empresa de engenharia. “Nosso preço nunca é o menor porque para isso teríamos que ofertar menos, o que por responsabilidade não fazemos”, afirma. Deise Mury, representante de uma empresa do segmento de segurança eletrônica, concorda e acrescenta, que para oferecer um serviço diferenciado, mantém uma infra-estrutura cara, com oficina própria, atendimento diário e reposição de peças em contrato. “Basta o síndico visitar as empresas. Dá trabalho, mas só assim pode avaliar as condições de funcionamento em comparação ao que se propõem a fazer. Muitos têm apenas uma salinha com uma telefonista, o serviço todo é terceirizado, nunca atenderá da mesma forma. Preço muito abaixo do mercado, invariavelmente, é cilada”, conclui.
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