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Report- Quais os principais riscos que uma instalação antiga e sem cuidados de conservação pode oferecer?
Bonturi- Os danos às pessoas correspondem às lesões e seqüelas de acidentes decorrentes de choques elétricos, tanto pela ação direta da corrente – com a circulação da mesma pelo corpo, resultando, inclusive, em parada cardiorrespiratória –, como de maneira indireta – pela contração muscular violenta, causando perda de equilíbrio e queda, o que expõe a traumatismos e fraturas. Com relação ao patrimônio, os danos tanto podem ser a perda de equipamentos, aparelhos e demais instalações físicas, de modo limitado e localizado, quanto à destruição parcial ou total da edificação, como no caso de incêndios. Em quaisquer dos casos, pode haver vítimas fatais. Muitas vidas são perdidas em razão de acidentes com instalações elétricas e incêndios.
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O que leva a um descaso com as instalações elétricas?
Bonturi - Nos condomínios, geralmente, há relutância na aceitação das despesas relativas às instalações elétricas, pois não é algo visível para a maioria. Isto decorre do desconhecimento, tanto da parte dos responsáveis, quanto dos usuários, da importância do assunto, em especial dos riscos que representam. As instalações elétricas sofrem um processo de envelhecimento cuja velocidade de evolução depende de como são usadas e da atenção dada à sua manutenção. A negligência resulta em degradação de suas condições técnicas, problema agravado pelo aumento da carga instalada em razão da crescente adoção de novos equipamentos e aparelhos comuns à vida moderna. O aumento da carga, sem que haja a devida compensação, provoca um aquecimento excessivo em todos os componentes envolvidos (condutores e barramentos, entre outros), o que acelera a degradação das instalações. O uso de materiais de baixa qualidade ou inadequados para o fim em vista, bem como a mão-de-obra sem preparo técnico, contribuem para agravar ainda mais os problemas, resultando em maiores riscos ao patrimônio e à vida.
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Quais os cuidados a serem tomados?
Bonturi- Para evitar problemas, o primeiro passo a ser dado é vistoriar as instalações (entrada de serviço, PC, circuitos, cargas instaladas, quadros de distribuição de luz e força e o diagrama unifilar, ou seja, o desenho esquemático que mostra de modo simplificado os componentes da instalação e como eles interagem). Neste processo, faz-se o levantamento de dados, medições e testes para a obtenção de parâmetros que permitam uma análise da situação. Somente dispondo do laudo obtido nesta vistoria é que o síndico pode planejar alguma ação corretiva.
Cabe assinalar que os dados gerais obtidos nesta vistoria passam a constituir o Prontuário de Instalações Elétricas do edifício, documento obrigatório conforme o disposto no item 10.2.4 da Norma Reguladora NR 10 do MTE. Mas o mais importante é que a vistoria deve ser feita por profissional habilitado. No caso de empresa, ela deverá estar habilitada e registrada no CREA-RJ, tendo como responsável técnico um engenheiro eletricista.
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Qual a periodicidade mais adequada para que os síndicos realizem vistorias visando à manutenção das instalações elétricas?
Bonturi- A periodicidade das vistorias depende da complexidade das instalações, das condições ambientais a que estão sujeitas e da sua finalidade. Um edifício comercial de grande porte, com alto nível de automação, ocupado com empresas com elevado nível de informatização, localizado na faixa litorânea (próxima ao mar) e com grande fluxo de pessoas exige um período curto entre vistorias: uma por ano. Em um prédio residencial, de pequeno porte, localizado longe da faixa litorânea, o intervalo pode ser acima de cinco anos. Excluídos os extremos, na maioria dos casos, um intervalo de dois anos é considerado adequado. Para qualquer um deles, a existência do Prontuário de Instalações Elétricas facilitará a execução das vistorias posteriores.
Checklist das instalações elétricas:
Com base no Prontuário de Instalações Elétricas, as vistorias devem considerar:
O atendimento das recomendações da(s) vistoria(s) anterior(es).
Sinais de sobreaquecimento em dispositivos de proteção, comando, condutores e conexões (podem ser verificados com equipamentos infra-vermelhos – scanner, termômetro).
Estado de conservação dos dispositivos de proteção.
Estado dos protetores de surto (se existentes).
Aperto de conexões em quadros, painéis, barramentos.
Alteração das características dos dispositivos originais (aumento da capacidade).
Execução de novas instalações em desacordo com as normas.
Estado de conservação de quadros e painéis, fixação, tampas, limpeza, identificação dos circuitos.
Partes vivas (energizadas) da instalação expostas ao alcance de pessoas.
Danos por infiltrações e vazamentos.
Uso do compartimento do PC, casa de bombas e casa de máquinas dos elevadores como depósito de materiais diversos.
Acessibilidade aos quadros e painéis.
Condições do sistema de iluminação.
Presença de roedores e cupins.
Registros de desligamentos intempestivos de dispositivos de proteção. queima sistemática de lâmpadas, ocorrência de choques elétricos, aumento de carga instalada e queima de motores elétricos.
Verificação da continuidade do sistema de aterramento e equipotencialização (se existente).
Medição das resistências de isolamento e correntes de fuga.
Verificação da estabilidade da tensão.
Existência de extintores de incêndio adequados.
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