Fernando
Melo é síndico do condomínio do
Edifício Marbella, na Barra da Tijuca, há
duas gestões, mas participa da vida condominial
desde que foi morar às margens do Canal de Marapendi.
Por sua natureza, tornou-se diretor da Associação
do Bosque Marapendi, foi um dos membros da comissão
que ajudou a Secretaria de Meio Ambiente na construção
das ciclovias e está sempre envolvido com alguma
ação comunitária. Seu jeito entusiasmado
imprimiu à administração do condomínio
Marbella uma nova forma de lidar com as questões,
especialmente quando o tema é segurança,
na opinião dele um dos mais importantes para
qualquer gestor. Sua receita tem como ingredientes comunhão,
integração e colaboração.
Por um motivo simples: quando as pessoas estão
juntas é mais difícil derrubá-las.
Segundo um dos integrantes da Associação
do Bosque Marapendi, é praticamente impossível
imaginar uma reunião do conselho de segurança
da região, ou qualquer evento em prol da comunidade,
sem a presença de Fernando Melo. “No condomínio,
sempre procurei colaborar com os ex-síndicos
e hoje recebo deles o mesmo apoio e acabo tendo um trabalho
muito facilitado, inclusive pela ajuda do Conselho Consultivo
e dos demais condôminos”, diz. Ele ressalta
que nem mesmo quando foi necessário pedir cota
extra para algumas reformas emergenciais teve dificuldades.
Houve comparecimento significativo na Assembléia
e as propostas apresentadas foram aprovadas em nome
das necessidades do prédio. “Quando todas
as pessoas estão envolvidas, fica mais fácil
terem uma compreensão do que, de fato, precisa
ser feito”, acredita.
Chato
sim, mas sempre bem humorado e afável
Ele brinca ao falar sobre a imagem de chato que os síndicos
costumam ter: “Tive uma professora de administração
que dizia: ‘Se elogiarem um administrador, tenham
certeza de que ele não é um bom profissional
da área. O administrador é o que exige,
controla, pune. E o mesmo vale para o síndico.
Caso ele queira manter seu condomínio arrumado,
será chamado de chato“, explica.
Entre os vários momentos de diálogo com
os moradores, está o que envolve a apreciação
e mesmo o trabalho de cuidar da horta do condomínio,
“responsabilidade assumida voluntariamente pela
moradora, Sra. Lila, com a ajuda da Sra. Celina”,
diz. Ele recorda um tempo em que as crianças
colhiam e distribuíam pelas unidades a produção
da pequena horta, sempre uma agradável surpresa
que ele espera que volte a acontecer. “Vou estimular
a retomada desta prática”, anima-se.
O condomínio Marbella tem 12 anos e, como todos
os demais, necessita de constante conservação,
mas as ações de Fernando centraram-se
na observação de cuidados simples, mas
que garantem resultados extraordinários para
a segurança: grade, iluminação,
guarita e uma convivência harmônica com
os moradores. “Segurança e maior participação
sempre foram minhas principais preocupações.
Por isso, faço reuniões mensais com o
Conselho e procuro conversar regularmente com todos
os demais moradores, ouvi-los e trocar idéias
com eles”, ensina.
Detalhes que importam muito
O síndico diz que não fez muita coisa
e cuidou apenas de detalhes: À reforma da grade
que orna o prédio, seguiram-se cuidados com a
guarita, uma nova iluminação externa e
a colocação de sensores na garagem, escadas
e hall da porta de fogo, bem como colocação
de holofotes nos portões. Nesta fase, aproveitou
para substituir as lâmpadas comuns por eletrônicas
para também ganhar em economia de energia. E
agiu da mesma forma ao reformar os postes da piscina,
criando uma iluminação mais eficaz na
área. “Na verdade, tive pouco a fazer depois
da administração realizada por meus antecessores”,
elogia os amigos.
Entre os detalhes que menciona estão a aquisição
de mobiliário para a sala de administração,
a recuperação das saunas seca e a vapor,
a substituição de bombas de água
e esgoto, bem como dos quadros de comando de bombas
que passaram a ser blindados. Ele também investiu
na farta identificação dos quadros de
disjuntores e de chaves, tendo o cuidado de deixar todas
as informações muito claras, para mais
fácil manuseio. A criação de claviculários
– um na administração onde ficam
as chaves originais com identificação
em preto, e outro na área da portaria com as
cópias com tarja identificadora vermelha –
deixou para trás as montanhas de chaves nas gavetas.
Assim, ficou mais fácil encontrar a chave de
que se necessita.
Pelo pouco significativo que fez, o síndico deixará
saudades. Aos 73 anos e depois de comemorar suas bodas
de ouro, Fernando já resolveu que irá
se dedicar em tempo integral à família
de quatro filhos, oito netos e uma bisneta, uma promessa
feita à esposa há muitos anos. O síndico
foi administrador de empresa. Atuou no serviço
público no Banco do Brasil e no Banco Central
e foi membro de diversas associações comunitárias
e participante ativo da vida condominial. “Já
assumi esta espinhosa missão – digo isso
em face dos compromissos permanentes e da responsabilidade
com o patrimônio coletivo que a função
exige, mas não me arrependo. Agora é a
vez da família”, diz. A esposa está
feliz, mas os moradores já começam a reclamar.
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