ENTREVISTA
Gerência de Engenharia Mecânica da Rio Luz
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MODERNIZAÇÃO DE ELEVADORES: QUANDO, COMO E POR QUÊ?

A modernização de elevadores é um dos temas que passou a fazer parte das preocupações dos síndicos. Existe, de fato, necessidade de modernizar nossos elevadores? Qual a vida útil desses aparelhos? Se vou modernizar, o que devo levar em consideração? Nesta entrevista, Jorge Luiz da Rocha Ferreira, o responsável pela Gerência de Engenharia Mecânica da Rio Luz — GEM — que, no âmbito do município do Rio de Janeiro, é a responsável pelo licenciamento de empresas fabricantes, instaladoras e conservadoras de elevadores e pela vistoria dos aparelhos instalados — esclarece pontos importantes sobre o assunto, responde a todas essas perguntas e ainda dá dicas relevantes.

Lowndes Report — As mensalidades dos contratos de conservação e manutenção de elevadores estão entre as despesas de um condomínio que mais preocupa os síndicos. Invariavelmente, não sabem exatamente o que é feito e desconfiam, e até se sentem pressionados quando as empresas insistem na necessidade de uma modernização do aparelho.

Rocha Ferreira — A desconfiança das administrações não se justifica se trabalham com empresas capacitadas, com cadastro no CREA e no GEM, o que significa que elas têm um engenheiro responsável, profissional especializado no assunto. Sobre a modernização de aparelho, não entendo que exista pressão. Na verdade esta é mais uma questão de bom senso e gerência do próprio condomínio porque, a partir do momento que você tem um equipamento que gasta mais energia e consome mais recursos com peças e manutenção, existindo a opção de trocá-lo por um outro de menor custo, a medida é mais benéfica que prejudicial. Se dentro de uma análise que considere investimento, economia e prazo de retorno do dinheiro gasto, vale a pena o condomínio adotar a medida, que seja feito. Se não, basta manter os elevadores dentro dos parâmetros de segurança.  

Lowndes Report- Quais os itens de segurança?
Rocha Ferreira- Freio de segurança, freio do elevador e contato de porta, que são elementos que poderiam causar dano à pessoa.

Lowndes Report - Em quais condições a GEM têm encontrado os elevadores dos condomínios da Cidade em suas vistorias?
Rocha Ferreira - Em termos de mecânica, hoje co-existem elevadores fabricados entre 1950 e 1980, que ainda são os do tipo eletromecânicos e estão mais sujeitos a apresentar problemas de manutenção. Os dos anos 80 e 90, com uma tecnologia que nem era totalmente microprocessada, nem totalmente eletromecânica. E os que surgiram a partir de 1992, 94, que são os microprocessados, com quadro de comando que sujeita os elevadores a menos problemas de manutenção. Por isso, quando se fala em problemas com elevadores, temos que pensar de que status de elevador se está falando. Elevadores de determinado tempo para trás estão mais sujeitos a ter problemas, o que, porém, não significa que sejam ruins. O fato é que todo e qualquer elevador tem que ser mantido pelo proprietário porque, apesar de ser propriedade particular, ele é de uso público e cabe à prefeitura zelar para que cada elevador tenha segurança. Para a prefeitura, não interessa se a cabine está bonitinha ou moderna; a preocupação é com as condições dos itens de segurança.

Lowndes Report - Quais os critérios a considerar num processo de modernização?
Rocha Ferreira- Primeiramente, é preciso pensar que, se você tem elevadores antigos ainda em operação, pode modernizá-los. Deve-se considerar que, se o equipamento é de até 25 hp de potência de motor, motores de corrente contínua, por exemplo, vale a pena trocar por corrente alternada com V3F. Ou seja, com variação de voltagem e variação de freqüência, que são características dos elevadores modernos. Acima de 25 hp, vale a pena manter o elevador com corrente contínua e trocar o gerador dinâmico por um estático. E aí você está com seu elevador modernizado. A partir daí, você vai trocar operador de porta e toda a parte de dentro do passadiço. São dois tipos de modernização: uma em que se troca toda a parte de comando, máquina, tudo, e outra em que se troca apenas comando, mantendo, inclusive, a máquina.

Lowndes Report - Existe um tempo específico de vida útil para um elevador?
Rocha Ferreira- Não. A vida útil de um equipamento varia em função do uso do equipamento e das condições do fabricante.

Lowndes Report - Quais as orientações que a GEM costuma dar em relação à segurança?
Rocha Ferreira- Ter um contrato com uma empresa em dia com o CREA e cadastro no GEM e visitar a empresa e algumas instalações nas quais ele faz manutenção, antes de fechar contrato.

Modernização evita perdas em caso de sinistro

Para efeito de cobertura de sinistro, as seguradoras consideram que os elevadores têm vida útil de, em média, 20 anos. Isso faz com que muitos condomínios sejam pegos de surpresa quando a indenização não cobre os prejuízos causados por incêndio ou curto-circuito, que são os danos cobertos pelo seguro. “Sem modernização no motor, a depreciação diminui o valor da indenização”, alerta Heloísa Nogueira Goulart, da AGZ Seguros, que aconselha: “Não precisa ser uma mudança radical, pode ser um enrolamento do motor para manter o seu bom funcionamento. Isso já faz com que a vida útil do elevador zere e passe a ser contada a partir desta ação. Entretanto, disjuntores de segurança ou outras peças sujeitas a maior desgaste deverão ser sempre substituídas a fim de prolongar a vida do elevador”, orienta.

Outro dado importante para efeito de cobertura de seguro é que a seguradora só pagará a indenização com a apresentação do RIA, o relatório anual, feito a partir de vistorias mensais e produzido pela conservadora contratada. “É fundamental que os condomínios mantenham o cumprimento desta determinação municipal e cobrem da empresa de conservação de seus elevadores a emissão da RIA”, conclui.

Para saber mais:

O site da Rio Luz mantém leis, decretos, normas e modelos de documentos de interesse de representantes de empresas, fabricantes, instaladoras e conservadoras de aparelhos de transporte, informações que podem ser acessadas no endereço www.rio.rj.gov.br/rioluz/servicos.htm.

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