Tempo
de estiagem, período perfeito para obras de impermeabilização.
Mas o que é preciso saber sobre o assunto? Com
o apoio do arquiteto Daniel Rios, profissional com longa
experiência em impermeabilização
em áreas de condomínio, relacionamos os
principais itens para os quais os síndicos devem
ter maior atenção.
Áreas a impermeabilizar
A impermeabilização é
um componente essencial à proteção
da estrutura de um prédio e, dentro de um edifício,
existem várias áreas que merecem ser impermeabilizadas.
“São os reservatórios de água:
caixas d’água e cisternas bem como todas
as áreas que estão expostas à chuva
(calhas, lajes de terraço, lajes de varanda,
marquises, entre outras)”, explica Rios.
Sinais de perigo
A inspeção dessas áreas
pode ser feita a olho nu. Todas elas podem ser vistoriadas
por baixo, de onde são perceptíveis os
sinais de infiltração. Manter uma rotina
de vistorias é fundamental para evitar que o
problema se agrave. “Afinal, nenhuma infiltração
tem início de um dia para o outro. Em geral,
a impermeabilização existente vai se deteriorando
e o vazamento vem aparecendo aos poucos”, diz.
Os sintomas, basicamente, são reações
do revestimento. Pode haver escurecimento ou manchas,
ou o aparecimento de um pó branco, efeito da
carbonatação do concreto, sinal de infiltração.
E, é claro, em um ponto já avançado,
o gotejamento. “Com a área umedecida já
há o aparecimento de fungos na tinta ou no emboço
e as manchas escuras tornam-se visíveis”.
Aluguel como uma opção
Decisão rápida, isenção
de riscos e possibilidade de dedução da
despesa são itens que tornam interessante a opção
por alugar um grupo gerador. “Para os condomínios,
há duas vantagens que se destacam. A primeira
é que, sendo o valor do aluguel menor que o da
compra, a decisão por adotar um gerador pode
partir do próprio síndico. A segunda é
que, no caso do aluguel, o risco é todo do locador.
Ou seja, custos e preocupações com instalação,
trocas, manutenção e upgrades, entre outros,
são da empresa”, explica. Quanto às
vantagens fiscais, elas se restringem ao âmbito
das empresas, configuração à qual
os condomínios não poderão fugir
num futuro próximo. “O aluguel permite
a obtenção de menor lucro tributável,
pois nas parcelas de leasing o valor não é
considerado como despesa, permanecendo como ativo na
empresa. O cliente deduz 100% das despesas com aluguel
no imposto de renda”, afirma.
Outro aspecto que também deve ser verificado
é o surgimento de corrosão da estrutura.
“Inicialmente, isso se dá pelo surgimento
de manchas mais amarronzadas causadas pela própria
ferrugem expulsando a superfície de concreto.
Isso pode chegar ao ponto de produzir o desplacamento
do material, deixando à mostra a estrutura”,
explica.
Durabilidade: materiais existentes
e os mais recomendáveis
Segundo o especialista, o prazo de validade dessas impermeabilizações
está muito relacionado ao tipo de material que
é utilizado. “Não há como
generalizar e dizer que uma caixa d’água
vai ter uma durabilidade de tantos anos porque isso
depende muito mais do material que é utilizado
do que do tipo de estrutura”, explica.
No âmbito dos reservatórios, o mais comum
é a utilização de argamassas cimentícias,
que têm como base o cimento. “Existe uma
gama muito ampla no mercado, com produtos deste tipo
para o tratamento de reservatórios, principalmente,
pois não têm nenhum material tóxico
agregado”. Mas, como esse material fica em contato
com a água, existe um desgaste natural do produto
por um fenômeno que, na engenharia, é chamado
de lixiviamento, uma descamação suave
e constante da camada impermeável, que vai saindo
aos poucos pela ação do contato com a
água. O processo leva de 6 a 8 anos até
causar a falência do sistema.
No caso de lajes expostas, o mais utilizado é
a manta asfáltica. “Apesar de ter também
uma gama bastante ampla de pinturas de base asfáltica
que podem ser utilizadas até por pessoas não
qualificadas na aplicação, os construtores
têm optado muito pela solução com
a manta pré-fabricada, pois ela tem uma garantia
de espessura constante e uma expectativa de vida útil
de aproximadamente 15 anos”, justifica. Isso,
é claro, se não houver interferência
de outros serviços posteriores à entrega
da obra e se o material for utilizado e aplicado dentro
das normas técnicas.
Qualidade do serviço é
o que mais interfere no processo
O sucesso de uma impermeabilização baseia-se
em três pilares: “O primeiro seria o projeto
ou a especificação. Ou seja, alguém
que pense exatamente qual é a melhor solução
para aquele tipo específico de problema”.
Existem vários sistemas de impermeabilização
e é bom que se pare para analisar qual o desempenho
esperado de cada um. Afinal, há uma série
de variáveis que precisam ser levadas em conta,
desde a periodicidade de manutenção, o
tempo estimado de vida útil, condições
de trabalho, a possibilidade de aplicação
de um ou outro produto, etc.
O segundo pilar seria o produto: deve-se trabalhar sempre
com materiais de qualidade. “Uma vez que já
se decidiu qual o tipo de produto mais adequado, é
preciso ter certeza de que ele atenda, realmente, ao
que as normas exigem”. Aplicações
de produtos impermeabilizantes também devem seguir
as Normas Técnicas da ABNT (Associação
Brasileira de Normas Técnicas).
Por último estaria a mão-de-obra, ou seja,
o profissional responsável pela aplicação.
Ele deve ser treinado e qualificado para trabalhar com
o produto determinado. Só assim se pode ter uma
garantia de desempenho e de eficácia do sistema.
Cuidados de manutenção
Todas as áreas que receberam algum tipo de impermeabilização
necessitam de cuidados especiais na manutenção.
É preciso, por exemplo, manter os ralos desentupidos,
evitando assoreamentos, o que, no futuro, pode causar
o entupimento das tubulações. A limpeza
das calhas também é muito importante.
A manutenção contínua é
fator preventivo; com a limpeza correta não haverá
acúmulo de água.
A limpeza dos reservatórios de água não
pode ser feita com ferramentas que venham a danificar
a superfície da impermeabilização.
São aceitáveis somente escovas de cerdas
macias e panos. “Nós já vimos empresas
que fazem limpeza de caixas d’água com
jatos de alta pressão para fazer o serviço
com mais velocidade. Depois dessa limpeza, muito eficaz,
acaba-se perdendo a eficiência da impermeabilização”,
critica.
É preciso, ainda, cuidado com as áreas
externas, principalmente com as de cobertura. “O
que acontece, normalmente, é que, quando se contrata
a instalação de uma antena coletiva, por
exemplo, o antenista não tem cuidado nenhum e
sai furando tudo para poder fixar as antenas, danificando
a impermeabilização”, alerta. Um
reparo de instalação de pára-raios
também pode trazer a mesma conseqüência,
ou ainda alguma alteração na tubulação
de recalque da caixa d’água, ou na própria
tubulação da caixa. “Muitos edifícios
foram construídos quando ainda se utilizava ferro
galvanizado, que, quando entra em colapso, é
substituído por tubulação PVC.
Quando isso ocorre, se não houver cuidados especiais,
a impermeabilização que ainda estava funcionando
pode ser é danificada”, conclui.
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