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Em grupo, tudo fica mais fácil. Com acolhimento e um desejo, milhões de pessoas ao redor do mundo têm conseguido romper uma relação de compulsão - seja de álcool, drogas ou quaisquer outros usos excessivos de modificadores de comportamento, por sexo, comida, consumo ou internet – nos grupos de auto-ajuda, também chamados de mútua-ajuda.
A proposta é de uma conquista progressiva alicerçada na adesão, confiança, reciprocidade e solidariedade. Elementos fundamentais, visto que estes problemas são fatores de ruptura no campo das relações sociais, profissionais, emocionais e individuais.
"Vivemos em uma sociedade de consumo, um ambiente que favorece as compulsões. Por isso, estes são problemas de saúde e também sociais, exigem mais acolhimento que coerção. Estes indivíduos precisam ter muita força de vontade, mas também muito apoio, para se reestruturar e conquistar melhor qualidade de vida", afirma Doutor Oscar Cox, médico homeopata e palestrante convidado de diversos grupos de auto-ajuda.
Os grupos não realizam tratamento, tão pouco produzem milagres, mas trabalham com um método potencializador. Segundo Dr. Oscar Cox, com o apoio paralelo de uma terapia que os ajude a quebrar as resistências, 95% daqueles que permanecem nos grupos conseguem manter sob controle seus comportamentos compulsivos.
O EFEITO ESPELHO
O preceito básico da ação é o do "efeito espelho", ou seja, a busca de ajuda em pessoas que sofrem dos mesmos males. Admitir sua impotência perante seu problema e a perda do domínio de sua vida é a única exigência para uma pessoa ser aceita num grupo. As reuniões com outros indivíduos em recuperação servem de inspiração e esperança.
Alguns encontros são temáticos, com informações básicas, doutrinação sobre os 12 passos, conceitos e tradições, e sobre desordens relacionadas às substâncias de abuso. Mas, todos os programas incluem uma abordagem espiritual, cognitiva e comportamental que aumenta o bem estar pessoal e interpessoal dos participantes.
Nestes encontros periódicos eles trocam experiências e renovam seu compromisso de recuperação, ajudam-se mutuamente a mudar suas atitudes perante o uso excessivo, perante si mesmos e as pessoas com quem convivem. E, com uma maior compreensão dos sintomas de seu comportamento, os compulsivos conseguem atingir a abstinência e mantê-la.
A psicóloga Mônica Álvaro,que como Dr. Cox ministra palestras sempre que é convidada pelos grupos, explica que nestas reuniões a possibilidade de a pessoa manter seu processo de negação diante da doença fica muito baixa porque ela está falando para iguais. Ela ainda ressalta um outro aspecto positivo dos encontros. "Para contar sua história a pessoa precisa se organizar mentalmente, se ouvir, e neste processo percebe sua força e uma capacidade que parecia perdida, que é a de se modificar sem nenhum fator externo", diz.
Dr. Cox e Dra. Mônica fazem parte de uma legião de profissionais que se dedicam ao tratamento e recuperação de compulsivos, auxiliando-os na tarefa de contribuir para que voltem a ter uma vida digna. Eles afirmam que o auxílio dos grupos de mútua ajuda é fundamental, pois é através deles que conseguem identificar suas questões com as drogas ou quaisquer outros focos de compulsão, temas que são trabalhados no processo terapêutico. “Devo esclarecer que nenhum profissional se dedica aos grupos de auto-ajuda, pois eles são auto-gerenciados apenas pelos membros. Na verdade, os grupos é que nos auxiliam. É muito mais difícil para o profissional que atua nesta área fazer o seu trabalho sem a ajuda dos grupos”, afirma Mônica.
QUANDO E ONDE PROCURAR PELOS GRUPOS
A busca por apoio deve vir da própria pessoa compulsiva e se torna necessária a partir do momento em que toma consciência de que sua vida passou a girar em torno do objeto de compulsão; quando, ainda que saiba dos prejuízos que este irá lhe causar, ele lhe parece vital naquele momento. Segundo os médicos, em quase 100 por cento dos casos a família adoece junto com o paciente e, por isso, existem os grupos de apoio aos familiares.
Para ser membro de qualquer um deles não é preciso pagar taxas nem mensalidades, eles não estão ligados a nenhuma seita ou religião, nem a nenhum movimento político, organização ou instituição. São todos autônomos e têm como princípio fundamental a idéia do anonimato. O objetivo é tornar conhecido o programa e não as pessoas que dele participam. É uma prática que também favorece a cumplicidade e o espírito de grupo.
Para saber mais sobre os principais grupos de auto-ajuda e encontrar endereços e telefones acessem: http://www.cuidardoser.com.br/grupos-de-ajuda.htm ou liguem para o telefone de um dos Alcoólicos Anônimos: 2253-9283.
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