O
nome dele é trabalho

O porteiro-chefe Antonio Braz, do edifício
Vivenda das Acácias, no Jardim Botânico,
é um verdadeiro apaixonado pelo que faz. Sua
dedicação é tanta que, para ele,
o prédio vem sempre em primeiro lugar. “Aqui
é a minha casa. Eu dou tudo de mim porque é
daqui que sai o meu sustento. Se precisarem, estou à
disposição até em dia de folga.
Se eu estiver em horário de almoço, podem
me chamar que eu vou. Estou aqui para zelar pelo prédio
e pelos moradores”.
Entre suas principais funções
ele lista as seguintes: tomar conta do prédio,
fazer serviços gerais, ver onde tem defeitos
e informar aos moradores caso haja uma falta d'água
ou de luz. Na rua, ele também colabora para o
bem de todos, zelando pelo espaço e sendo pró-ativo
em casos em que é preciso contatar serviços
públicos para manutenção. Para
melhorar seu desempenho no trabalho, ele ainda se especializa
em cursos de diversas áreas relacionadas a condomínio,
como segurança, atendimento ao público,
primeiros socorros, prevenção de incêndios
ou como tirar passageiros presos no elevador.
Tanta assiduidade e perseverança
o fazem muito querido pelos moradores. “Eu me
dou bem com todo mundo, graças a Deus. Atendo
da melhor maneira possível e impossível!”.
Para o síndico, o Sr. Carlos Alberto de Souza
Aguiar, o porteiro é uma referência. Ele
elogia: “Não só para mim especificamente,
mas para todo o prédio, o Antonio é um
ótimo porteiro-chefe. Ele é um profundo
conhecedor de todos os problemas e de todas as mazelas
do edifício e sabe como resolvê-las. Com
toda certeza, ele vai ficar aqui com a gente até
se aposentar”. Mas quem disse que Antonio pensa
nisso? “Eu não quero me aposentar não”,
enfatiza.
Nascido em Juiz de Fora, veio para
o Rio com cerca de 10 anos de idade para estudar e trabalhar
em uma casa na Rua Barata Ribeiro. “Eu já
me considero carioca, mas ainda tenho saudade da terra
que ainda não tem ladrão.”, diz,
se referindo à sua cidade natal. O funcionário
trabalha no prédio desde seus primórdios,
que remontam à década de 70, e isso permitiu
que acompanhasse o crescimento de uma geração
de moradores. Antonio conta, ainda, que por estar acostumado
com a agitação de Copacabana, no início
estranhou a calmaria da rua. “Aqui só tinha
casas, então, para comprar remédios, fazer
compras, cortar o cabelo e outras coisas, tinha que
ir até Botafogo. Dava até para sentar
na rua, pois raramente passavam carros”, lembra.
Casado há mais de 30 anos com
Arlete de Freitas, Antonio tem um filho, Carlos Eduardo,
e uma filha de criação, Jaqueline. Quando
não está na labuta, ele deixa a família
escolher os passeios. Um dos programas preferidos é
ir à Igreja Batista, onde têm um grupo
de grandes amigos. Durante um período, a fé
fez com que uma vez o funcionário se afastasse
da portaria e fosse estudar para ser um religioso. Mas,
um ano depois, o prédio já o chamava de
volta e Antonio seguiu a sua paixão (e vocação):
ser funcionário do Vivendas.
Entre seus hobbies, está jogar
bola de vez em quando no time “Maravilha”,
que treina no Aterro do Flamengo. Além disso,
ele gosta de viajar. “Eu só não
viajo mais por conta do prédio, onde tenho uma
responsabilidade muito grande. Se viajo eu fico preocupado”.
Para os outros porteiros, ele dá
uma dica de como ser um colaborador nota 10. “Faça
do prédio e do emprego toda a sua responsabilidade.
Atenda ao prédio, não importando a hora,
e ajude os moradores, de todas as maneiras que puder”.
Palavra de especialista!
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