Lowndes
Report - A base do
trabalho de vocês é o uso estratégico
da informação e da inteligência
para ações de segurança.
No segmento de condomínios, utilizam, inclusive,
a demarcação de perímetros,
como fazem as áreas militares que têm
na arquitetura de barreiras uma forma de inibir
ou atrasar tentativas de acesso indevido, para
dar tempo a outras ações de defesa.
Como os condomínios residenciais tornaram-se
foco da atenção da empresa?
ISC do
Brasil - Vivemos nas
grandes metrópoles – e não
apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo,
onde atuamos há mais tempo – um problema
social grave sem que tenhamos a principal solução
para ele, que é uma cultura de prevenção
para a segurança. Com isso, facilitamos
a ação dos bandidos, muitas vezes,
nos colocando no papel de alvo preferencial, verdadeiros
chamarizes.
Perigosamente, nos agarramos a qualquer aparato
como se ele, por si só, pudesse garantir
a segurança que necessitamos, enquanto
seguimos com rotinas e atitudes imprudentes. Mas
sabe-se que os bandidos roubam bancos, carros
fortes e o Banco Central. Quer setor que invista
mais em aparato de segurança do que este?
O que tem levado
à audácia crescente da ação
criminosa é este conhecimento de que os
aparatos são falhos, que os ambientes não
estão protegidos e que as pessoas estão
paralisadas pelo medo. É uma guerra. Mais
no nível de crenças do que no de
fato, mas que se torna cada vez mais real porque
funciona da seguinte forma: eles não encontram
barreiras e avançam; nós recuamos,
e quanto mais recuamos, mais eles avançam.
É por isso
que trabalhamos com a idéia de perímetro,
com a arquitetura de barreiras, buscando vulnerabilidades
e detectando áreas de risco para planejar
ações específicas. Este modo
estratégico de pensar, articulando ações
e soluções adequadas a cada ponto
vulnerável, forma um sistema eficiente
de segurança. E é um processo. Este
movimento de busca leva a mudanças de comportamento,
tanto no âmbito individual quanto no coletivo,
tanto daqueles que hoje estão no lugar
de reféns quanto daqueles que se acreditam
impunes e imunes. Os bandidos têm no crime
um ofício, passam os dias estudando como
agir. E nós, quanto tempo de nosso dia
utilizamos para pensar em como nos proteger? É
por isso que é necessária uma cultura
de prevenção para a segurança.
Os condomínios
são os nossos lares, nossos endereços
de trabalho, e tornaram-se alvos. Isso exige uma
resposta. Ou agimos ou nos tornamos mais um dado
para as estatísticas de violência
urbana. E esta ação precisa ser
planejada
LR
- Na sua opinião,
o que são, ou quais são, os aparatos
ineficientes e as atitudes imprudentes?
ISC
- Um exemplo: as portas giratórias
dos bancos são abertas por controle remoto
pelo segurança que está na área
interna, pois o detector de metais trabalha por
gramatura e há armas de fogo com pesos
diferentes das que o sistema pode detectar. E
estes seguranças não recebem um
treinamento regular e adequado, isso quando são
treinados. Estes são aparatos ineficientes.
Outro: uma das
vítimas de assalto seguido de morte em
um sinal de trânsito da Zona Sul era mulher,
estava ao volante de um carro importado de alto
valor agregado, parada em um sinal com a janela
aberta, à noite, distraidamente falando
ao celular, mostrando na mão e no braço
jóias caras. Ela também não
soube responder à abordagem. A ação
criminosa não é normal e o bandido
está nervoso nessa hora. Se a pessoa não
sabe reagir, ele pode entender um movimento de
retirada de um relógio ou do cinto de segurança
como uma reação e, instintivamente,
atirar. E foi o que aconteceu. O pânico
é o principal responsável por estes
desfechos. Estas são atitudes de extrema
imprudência
LR
- E nos condomínios?
ISC
- No âmbito dos prédios
e condomínios, a questão é
complexa, pois se conjugam diferentes fatores.
Há falhas estruturais: você encontra
portarias que ficam atrás de duas pilastras
e não dão visão externa,
então faz um puxadinho para o lado de fora
e coloca-se ali o porteiro com um interfone, só
que ele fica vulnerável. Você encontra
problemas de manutenção: é
uma lâmpada queimada no jardim ou na garagem,
uma porta que não fecha direito, um espaço
ocioso onde pode ser guardado o produto de um
furto. Tudo isso gera oportunidades, o que é
uma imprudência.
Hoje em dia, a
maioria implanta produtos e tem a segurança
como o uso de um equipamento. O circuito interno
de TV é um exemplo: você vê
o que ocorre e não tem nenhuma ação
planejada, a fim de saber o que fazer em caso
de uma ocorrência. É o mesmo com
a guarda patrimonial: você tem um homem
armado, parado, observando o dia inteiro. Não
adianta ter um produto e não ter a resposta
disso, assim como não adianta ter um guarda
armado e não dizer para ele o que tem que
fazer, qual a ação de revide que
terá de tomar em caso de uma tentativa
de roubo. Existe um procedimento, normas definidas
para a ação? Sem isso, estes aparatos
são como as portas giratórias dos
bancos.
É preciso
entender que, assim como os criminosos sabem diferenciar
o ouro folheado do verdadeiro, eles conseguem
avaliar se de fato existe um sistema de segurança
que represente um obstáculo, algo que os
faça preferir seguir para um outro condomínio
onde sua ação será mais fácil
LR
- O que dificultaria a ação
deles?
ISC
- Qual é o procedimento
do ladrão? Ele analisa o alvo: aquele é
menos vulnerável, tem muita estrutura de
segurança, eu vejo o comportamento dos
funcionários, eu vejo uma filtragem de
quem entra e quem sai, eu vejo uma avaliação
da área externa; este para mim não
serve, vou para o que só tem um porteiro
eletrônico e sei que posso dizer que sou
o entregador de pizza e o porteiro abrirá
a porta para mim.
Se na porta de
acesso tiver um sistema efetivo de segurança,
o bandido vai pensar duas vezes: aquilo ali não
é só uma porta, é uma barreira
de segurança que tem um controle de acesso,
que tem um cadastro, que tem gente atenta e que
sabe das coisas olhando; é melhor não
arriscar.
A implementação
de dificuldades efetivas envolve estratégia.
Você tem uma grade alta? Ótimo, todo
mundo pula uma grade alta subindo em cima de um
carro. O que eu posso ter em cima dessa grade?
Sensor de movimento com umas buzinas. Isso também
é válido, mas depende de um estudo
do prédio, depende da ação
que o funcionário vai ter quando aquela
buzina tocar. E é aí que entra o
treinamento, que é fundamental para a eficácia
da segurança. Por que perguntar se tem
um apartamento para alugar é senha capaz
de abrir qualquer portaria? Já é
um crime comum o corretor ser assaltado enquanto
espera interessados na compra ou aluguel de um
imóvel dentro dos condomínios. Os
porteiros não sabem que, ainda que alguém
diga que é um oficial da justiça,
ele tem o direito e o dever de pedir uma identificação,
cadastrar e demonstrar que naquele condomínio
há controle eficiente de acesso.
Um estudo de vulnerabilidades
determina as estratégias e, entre elas,
a elaboração de normas e procedimentos
de segurança e de um treinamento permitirá
que o pessoal saiba agir a partir de tudo isso.
O mais importante
é saber que não se deve pensar reativamente
em segurança; é preciso prever problemas
e agir antes. E a única maneira de alcançar
este objetivo é pensar na questão
inteira, global, saber sobre ela do início
ao fim. Pois, não adianta querer implementar
uma solução se não se sabe
a causa do problema.
LR
- Quais são os maiores
desafios para a implementação deste
novo conceito?
ISC
- O principal desafio é
ter uma visão integrada dos riscos. A segurança
se faz em pedaços, porém com todos
eles integrados, como os elos de uma corrente.
Se você fortalece um elo (os sistemas) e
deixa outro (as pessoas) de lado, a coisa não
funciona. Por isso, o primeiro desafio é
conseguir enxergar a segurança em todos
os seus aspectos – físicos, tecnológicos
e humanos –, a partir das vulnerabilidades
existentes em cada um deles, e tratá-los
de forma igualitária, pois todos são
igualmente importantes.
As questões
de segurança não podem mais ser
atribuídas simplesmente à ação
de um, ou dos órgãos públicos.
Dependem também, e acima de tudo, do comportamento
de cada indivíduo em seu agir cotidiano.
Estabelecer uma política de segurança
contribui para criar uma cultura de segurança
– física, das instalações,
do entorno, do seu bairro, da sua cidade e da
coletividade. Fazer com que as pessoas se conscientizem
disso, talvez, seja o maior desafio.
LR
- Neste sentido, que medidas
poderiam ser recomendadas aos síndicos?
ISC
- Deve-se avaliar o real
nível de segurança necessário
em sua comunidade porque cada condomínio
tem suas características próprias,
tem um entorno próprio. Depois, deve-se
adotar uma política de segurança
em que empregados e moradores sejam co-responsáveis.
É preciso, ainda, treinar todo mundo para
evitar reações inesperadas, pois
o ser humano é imprevisível. Isto,
é claro, a partir de normas e procedimentos
estabelecidos com base em seu plano de segurança.
Assim, ele estará
investindo na formação de uma cultura
de segurança, que começa a acontecer
quando os procedimentos são adotados. E
quais são eles: levantamento de informações
sobre funcionários, fornecedores e o entorno
de seu condomínio; conhecimento de todos
os riscos e vulnerabilidades ali existentes; um
domínio do uso, e de serviços, dos
aparatos de segurança; um correto sistema
de recrutamento e uma constante avaliação
de pessoal; treinamentos eficientes e permanentes
tanto para segurança quanto para relacionamento
interpessoal; e o estabelecimento de normas e
padrões de comportamento voltados para
a segurança, acompanhado de uma boa divulgação
interna. Isto porque é preciso todo um
trabalho de convencimento, de aculturação
mesmo, pois muitas vezes a segurança vai
contra o conforto. Por isso, os moradores e os
empregados têm que entender a razão
de cada procedimento e o quanto ele contribui
para sua segurança particular e a do condomínio
onde mora ou trabalha.
LR
- Para os condomínios,
o item segurança já é uma
despesa considerável. Um sistema para ser
eficaz deve ser caro?
ISC
- Gasta-se muito porque não
há um dimensionamento adequado dos investimentos:
compra-se gato por lebre. Um exemplo é
quando você encontra 20 câmeras espalhadas
por um condomínio, quando você poderia
utilizar de modo muito eficiente meia dúzia
ou menos. É preciso fazer o investimento
correto, adequado – o que não precisa
ser caro. Às vezes, bastam medidas simples,
sem investimento nenhum, como a mudança
no posicionamento de uma câmera, que deve
ser feita a partir de uma avaliação
do local, de um planejamento e das especificidades
da rotina de movimentação de pessoas
e de veículos.
O consultor de
segurança serve exatamente para isso: ajustar
as soluções às suas necessidades.
Este é um item muito complexo e não
pode ser gerido sem planejamento. Não dá
para ir a uma loja, comprar uma câmera e
achar que todo o problema está resolvido.
É preciso toda uma infra-estrutura voltada
para isso. A resposta da segurança é
diferente se ela é considerada de forma
inteligente. |