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Nos jardins, em jardineiras ou mesmo em pequenos vasos, plantas bem cuidadas alegram e harmonizam o ambiente, contribuindo para a valorização dos imóveis.


A vida nos grandes centros urbanos não dispensa o prazer do contato com a natureza. Ter verde, folhas, flores, pássaros cantando por perto já é um dos itens mais requisitados na hora de adquirir ou alugar um imóvel. E não é preciso nem ter uma área externa capaz de abrigar um jardim europeu. As plantas que podem ser cultivadas dentro de casa também proporcionam esse contato direto com a natureza, mesmo que em uma pequena portaria ou em halls de elevadores. Com suas cores, formas e fragrâncias as plantas valorizam a mais simples das decorações, garantindo sensação de bem-estar, equilíbrio e felicidade. “Costumo dizer que não vendo plantas nem jardins, mas emoções”, diz a paisagista Denise Collares Barroso, que já desenvolveu e executou diversos projetos para condomínios de todos os tamanhos.

Para quem acha que cuidar de plantas dá muito trabalho e exige conhecimentos específicos demais, as notícias são boas: “Hoje o mercado de paisagismo está bastante diversificado”, informa Denise. Além dos serviços de desenvolvimento de projeto paisagístico, há o de execução das obras, de manutenção de jardins, de irrigação automática e o de locação de plantas para interiores. E este último é uma excelente opção para quem tem pouco espaço.

Uma solução para cada caso

Nenhuma planta sobrevive sem a luz solar; mesmo as plantas de sombra necessitam de luz indireta. Por isso, dependendo da área interna do prédio, fica quase impossível trabalhar com plantas naturais. Para os que têm pouco espaço e somente áreas fechadas, o sistema de locação de plantas é perfeito. A mesma empresa que aluga faz a manutenção e a troca periódicas das plantas.

Para quem tem uma área externa, há profissionais que projetam o jardim e podem fazê-lo de diferentes formas. O projeto informatizado, por exemplo, facilita o processo ao permitir desenhar o jardim a partir da foto do local, inserindo nela imagens de plantas e dos demais elementos para que o cliente tenha uma idéia clara do resultado depois da obra.

Há diferentes tipos de projeto: os de paisagismo com lazer recreativo, que são os integrados aos playgrounds, quiosques de churrasqueira, piscinas e ofurôs, etc; os de paisagismo com lazer esportivo, que incluem as quadras polivalentes, de tênis, pistas de atletismo, áreas para caminhadas, etc.; e os de paisagismo com lazer contemplativo, que são os com gramados, lagos, cascatas, obras de arte, etc.

Manutenção é essencial

Mas não basta ter um jardim; é preciso cuidar dele. O serviço de manutenção é essencial, pois garante que o projeto executado esteja sempre bonito e com as plantas saudáveis. “Quando você tem um jardineiro próprio, geralmente, falta a este profissional alguém que o oriente e coordene o trabalho. E você acaba tendo alguém que faz a irrigação, a limpeza e a poda, mas a manutenção de um jardim vai muito além disso”, alerta a paisagista.

Além destes itens, há a necessidade de uma programação para a adubação, com rotatividade de adubos, sendo preciso um conhecimento sobre o tipo adequado a cada vegetação, “pois as plantas têm necessidades diferentes de nutrientes”. As podas também precisam ser programadas “de maneira que sejam feitas na ocasião certa”. E é muito importante, ainda, fazer uma análise periódica do solo para conhecer as suas reais necessidades, inclusive, de reposição. “Geralmente, o jardineiro não tem esse conhecimento e muito menos o síndico, que não têm nem tempo disponível. Por isso, considero o ideal contratar uma empresa de manutenção”, avalia.

A paisagista enfatiza a importância da água. “O que vejo por aí são muitos condomínios fazendo grandes investimentos em projetos paisagísticos, mas economizando na irrigação”, critica. Ela explica que as plantas se alimentam através da água. Sem ela, mesmo que a terra esteja perfeita, pode ser que a vegetação não aproveite seus nutrientes, revelando todo o maltrato que está sofrendo e tornando-se feias e doentes.

Atenção à escolha das plantas

Existe uma variedade muito grande de plantas e a escolha vai depender sempre do local onde será projetado o jardim ou serão colocados vasos e jardineiras. O trabalho exige atenção e conhecimento: “Tenho visto muito erros, que considero graves, como projetos paisagísticos que utilizam plantas tóxicas (a espirradeira, por exemplo) ou plantas agressivas (a piteira é um caso). Muitas dessas plantas estão em áreas de lazer freqüentadas por crianças, pessoas especiais ou animais domésticos, o que é perigoso”, alerta a paisagista.


Amigos dos jardins

Moradores que têm na jardinagem um hobby são excelentes opções para ajudar os síndicos quando o tema é o jardim do condomínio. No Solar Belmonte, em Botafogo, o síndico Nilson da Costa Lima conta com o apoio de um dos conselheiros, que é condômino mais antigo que ele no prédio, para manter o belo jardim de orquídeas que circunda toda a área do Solar. “Ele conhece o projeto e é alguém que tem grande amor pelo nosso jardim”, diz.

Já no condomínio da Vila Paulo Barreto, que tem 32 casas, é o próprio síndico, Orestes Bezerra, quem mais gosta e cuida das plantas. Lingüetas e cantoneiras, que antes eram locais sem destinação e acabavam sendo utilizadas como lixeiras pelos moradores, foram transformadas em belas jardineiras. Hoje o mais difícil, diz Orestes, é evitar que roubem as plantas, especialmente, as que ficam na calçada do lado de fora do portão, tal a admiração que elas causam nas pessoas.

O síndico conta com um jardineiro, com 40 anos de experiência, para adubar, pulverizar contra pragas e realizar outras atividades mais específicas. No mais, tem sempre os faxineiros por perto, recebendo orientações para evitar qualquer estrago às jardineiras. “Tem pouca gente para arrumar, mas muita gente para destruir. É preciso estar atento”, afirma.

Quem cuida de jardins se encanta e se orgulha, especialmente, com a reação dos demais moradores e vizinhos. A paisagista ressalta este poder que as plantas têm de evocar emoções boas. Para ela, um jardim bem elaborado e bem cuidado tanto valoriza o ambiente quanto garante a oportunidade de um lazer contemplativo aos que o freqüentam. “Eu diria que hoje, quando o verde é cada vez mais raro nas cidades, é maravilhoso poder morar num lugar em que especialmente as crianças podem correr descalças num gramado, ver um fruto nascendo e amadurecendo e até comer esse fruto colhido da árvore”, conclui.

Um toque especial na decoração

Em pequenos ambientes, o importante é dar destaque às plantas – naturais ou artificiais – combinando critérios de equilíbrio, contraste, iluminação e efeitos de luz, com estilos de plantas e recipientes. O arranjo sempre deve ser criado em função do contexto. Isso quer dizer que é necessário levar em conta não só a aparência da planta, o tamanho, o formato e as cores, mas também o local e as características do cômodo e da mobília que constituem o ambiente. Agrupar as plantas e flores, organizá-las e escolher o local ideal para colocá-las é um trabalho para paisagistas e decoradores, mas damos algumas dicas:

Estilo étnico: são usados elementos rústicos e artesanatos; pode-se optar por pimenta ornamental, cactos e margaridas.
Estilo oriental: são usadas formas simples em áreas de cor neutra; pode-se optar por bonsais, bambus, papiro e crisântemo-macarrão.
Estilo high tech: são usadas formas e materiais utilitários dos produtos industriais (emborrachados, plásticos e placas metálicas); algumas opções são chifre-de-veado, Iúcas e antúrios.
Estilo art déco: são usadas formas geométricas e monocromáticas e madeira laqueada; pode-se usar lírio-real, corações-entrelaçados e tulipas.

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