Jóia Rara

Há quinze anos, os moradores do Edifício Dolomita, no Grajaú, têm um funcionário que vale ouro: o Sr. Nelci. Além de todas as atribuições de porteiro, ele ainda tem experiência em pintura, obras e manutenção. Ou seja, quando precisam de algum conserto ou reparo no prédio sempre podem contar com a consultoria dele.
Tanta especialização é fruto de décadas de experiência no ramo de obras, no qual ele entrou aos 16 anos de idade. Inclusive, foram algumas reformas que levaram Nelci a ocupar seu posto no Dolomita. “Em 1981, fui pintar o prédio por intermédio de uma firma. Oito anos depois, voltei, mas desta vez para pintar por conta própria. Em 1992, vim pela terceira vez, pois já tinha o contato. Como naquela época não parava nenhum funcionário na portaria, o síndico, o já falecido Sr. Antônio Pinto, me chamou para trabalhar.”, conta.
Por isso, quando há necessidade de algum reparo emergencial, o Sr. Nelci é o primeiro a ser chamado. Empenho e dedicação fazem com que o funcionário receba muitos elogios do síndico atual, o Sr. Fernando. “O trabalho dele é muito bom. O fato de estar aqui há 15 anos já diz tudo. Ele é educado, tem boa apresentação e os moradores têm plena confiança nele. Alguns, quando viajam, até deixam a chave do apartamento aos cuidados dele. Quando ele está na portaria, sabemos que o prédio está seguro, pois ele é muito zeloso e respeita todos os procedimentos de segurança, como interfonar para os moradores quando chega alguém. Ele é de confiança e confiança é algo fundamental nos dias de hoje”.
Sempre que possível, o Sr. Nelci aproveita seu horário livre para dedicar um tempo às suas obras. “Mas gosto muito do trabalho no edifício, é muito legal. No início, quando ainda não estava acostumado, achei meio parado, mas depois me adaptei e até hoje estou aqui. Todos me tratam muito bem e não tenho do que reclamar”.
Nas horas de lazer, o porteiro opta pela tranqüilidade de uma boa pescaria. “Adoro pescar com meus amigos em Barra de São João. Eu jogo “tarrafa” (espécie de rede) e pesco muita tainha e robalo, que depois eu ou a minha mulher cozinhamos”. Outro hobby é assistir aos jogos de futebol. Por falta de tempo para ir ao Maracanã, os jogos são sempre assistidos pela televisão. Nascido em São Fidelis, ele só conseguiu ir ao estádio uma vez torcer pelo seu time, o Flamengo, desde que chegou no Rio de Janeiro, aos 7 anos de idade, em 1949.
Casado com Vitorina Maria da Conceição há 36 anos, o porteiro tem cinco filhos, nove netos e um bisneto. A grande família adora se reunir e, como a casa é grande, cabe todo mundo! Se não coubesse, também não teria problema: o Sr. Nelci faria aquela “obra de ampliação” e pronto! |