PORTEIROS
 

Pintando o céu com pipas

O porteiro conta que neste ramo a concorrência cresceu muito, principalmente por conta das fábricas, que produzem grandes quantidades – mais de 1000 pipas em um só dia. Porém, Luiz Carlos atesta que a qualidade não é a mesma. “A pipa precisa ter a medida exata, um equilíbrio que só o trabalho artesanal permite. Senão ela começa a vacilar no ar, cair mais para um lado, oscilar em sua trajetória. Devido à maneira como são produzidas, minhas pipas são um pouco mais caras que as feitas em fábricas. Porém, muitas pessoas preferem pagar um pouco mais para ter uma pipa de qualidade. Tem pessoas que compram comigo há mais de dez anos”, conta.

Preocupado com o bem-estar de seus clientes, que estão na faixa de 3 a até 65 anos, Luiz Carlos carimba em algumas de suas pipas um alerta para que não se brinque em locais onde há rede elétrica, por exemplo. Para prevenir acidentes, ele também não trabalha com o cerol, cuja comercialização foi proibida.

Na portaria do prédio comercial em que trabalha, ele está há cerca de oito anos. O administrador do prédio, Sidney, só tem elogios para o funcionário: “O Luiz Carlos é um rapaz de família, trabalhador, com grande respeito ao local de trabalho e que se dá bem com todo mundo. A nossa equipe aqui é muito boa e ele, além de ser um dos mais antigos, é também um dos melhores”.

Quando não está no edifício, o porteiro curte a companhia da família, principalmente a da esposa. Tranqüilo, ele gosta de relaxar. “Nas horas vagas, sou muito caseiro. Tanto que minha mulher até reclama!”. Luiz Carlos tem uma filha, Jéssica, de 13 anos, que, seguindo a tradição do pai, do tio e do avô, também adora soltar pipa. “Eu também adoro, só que agora falta tempo”, lamenta.

Outra característica do porteiro é que ele faz questão de enfatizar a sua fé em Deus, principalmente através de um programa de rádio que escuta diariamente na parte da manhã. “Há algum tempo, tive um problema financeiro que parecia sem solução. Um dia enquanto fazia pipas, o rádio estava ligado e escutei pela primeira vez a pregação no programa de rádio. Daí, passei a seguir aqueles ensinamentos e a minha vida mudou completamente para melhor. Quando aceitei o divino, ele passou a atuar na minha vida. Por isso, aconselho a quem sofre de alguma doença ou que está enfrentando algum problema grave, a tirar um tempo para ouvir o programa momento de Fé do Padre Marcelo Rossi, às 9h. É um conforto”.

Para Luiz Carlos, a alegria vem das alturas: das suas pipas que voam nos céus e da palavra de um Deus cheio de amor e bondade.

  
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