A conta de água representa de 10% a 15% do total das despesas do condomínio e exige conscientização e controle para evitar desperdícios. Especialistas no assunto têm muitas dicas para os síndicos, todas úteis e fáceis de serem aplicadas.
A Universidade da Água, uma organização não governamental que tem por principal objetivo a educação para a economia de água, recomenda campanhas junto aos mais jovens e às pessoas da terceira idade. Ela acredita que estes grupos têm a motivação e o tempo disponível para participar de iniciativas que levem à conscientização de um maior número de moradores, tanto para a preservação da água quanto para a redução de despesas resultantes de uma cultura de desperdícios.
Já o engenheiro Antônio Roberto Barbosa de Oliveira, professor de engenharia da PUC-Rio e Conselheiro do Crea-RJ, volta sua atenção para a questão da manutenção das instalações hidráulicas. Ele diz que as tubulações enterradas dos prédios podem quebrar e enferrujar sem que se tome conhecimento, a não ser que se tenha um controle rígido sobre o consumo de água, de modo que qualquer alteração sirva de alarme. Assim, aconselha os síndicos a fazer uma medição diária. “Uma tabela simples, que pode ser preenchida por um funcionário do condomínio e deve ser afixada em local de maior circulação dos moradores, permite este controle e ainda proporciona um aprendizado importante para a comunidade”, diz.
O problema maior é com a Cedae
Mas não é a falta de controle no consumo das unidades ou os problemas nas instalações que costuma tirar o sono dos síndicos. O que mais os preocupa e aborrece são as polêmicas em torno dos hidrômetros e das tarifas cobradas pela Cedae.
Sobre isto, especialistas têm uma única sugestão: a mobilização é o primeiro e o mais importante passo para se conseguir pressionar os responsáveis a responder por abusos. E são nas audiências públicas, como as realizadas pela Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional, que os síndicos – juntamente com associações de moradores, órgãos de defesa do consumidor, Ministério Público estadual e Procuradoria do Estado – têm a oportunidade de discutir soluções diretamente com a Cedae, buscando esclarecimentos e correções na cobrança do serviço.
Na audiência realizada no dia 1o de agosto na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), os consumidores conseguiram pressionar a Companhia, que disponibilizou um profissional para atender às reclamações e prestar esclarecimentos a todas as questões apresentadas. Também ficou acertado um novo encontro, agora com a participação do IPEM e do INMETRO. Na pauta de discussões, os hidrômetros e seu correto funcionamento.
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Sugestões de controle e economia:
Para a maioria dos especialistas, toda iniciativa que busca manter os moradores informados sobre consumo, custos e despesas são educativas e contribuem para que se consiga o apoio necessário para economizar na conta de água e na sua companheira inseparável, a conta de luz. O engenheiro Antônio Roberto, por exemplo, diz que todo o condomínio deve estar empenhado. “É preciso unir esforços. Afinal, seja a conta ou a escassez de água, tudo acaba impactando a vida e o bolso dos condôminos”, ressalta Antônio Roberto.
Outras dicas:
Fixar nos quadros de avisos o controle diário de consumo, destacando ao final do mês quantos metros cúbicos de água o condomínio conseguiu economizar e o quanto isso representou em dinheiro.
Proibir a utilização de mangueiras para a lavagem de calçadas, carros e garagem. O uso de jatos d’água como vassoura é um dos principais sinais de falta de consciência para a economia de água.
Implementar uma revisão preventiva nos apartamentos periodicamente e, quando necessário, providenciar a troca das carrapetas das torneiras e o conserto das válvulas de descargas desreguladas.
Procurar orientação junto aos fabricantes de metais e louças sanitárias sobre o melhor uso dos equipamentos a fim de passar essas informações aos condôminos e propor a eles que adotem-nas como regras no condomínio. Para se ter uma idéia da diferença que um tipo de equipamento pode fazer, os vasos sanitários mais modernos consumem entre 5 e 6 litros, enquanto os mais antigos gastam, em média, 30 litros.
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“Este é o caminho”, ressalta o advogado Rômulo Cavalcante Mota, diretor do Departamento Jurídico da ABADI e do Secovi. 
O advogado também participa das audiências públicas sobre o tema e nesta última voltou a questionar a legalidade da cobrança da taxa de água e esgoto, já que, segundo afirma, não existe lei tributária que a autorize a fazer isso. “O Estado criou uma concessão para explorar a água e o esgoto, mas não criou uma lei tributária para ela”, afirma.
Dr. Rômulo vem exigindo explicações da Companhia, pois, além da cobrança das taxas, há a questão da tarifa mínima pelo número de economias e não pelo número de hidrômetros e, também, a tarifa progressiva. Ele considera esta última a razão para os aumentos das contas com a troca dos hidrômetros: “A cada 15 metros cúbicos por unidade entra uma tarifa mais alta; quem não está acostumado com isso toma um susto”. O advogado reclamou ainda da falta de redução do valor da tarifa depois que o governo do Estado deixou de cobrar 18% de ICMS nas contas de água: “A redução não foi passada para as tarifas”, cobrou. Ele informa aos síndicos que já há um processo (número 2005001070484-8) em curso na 6a Vara da Fazenda para um mandato de segurança pública contra as cobranças da Cedae.
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