MERCADO IMOBILIÁRIO
 

FIM DOS JUROS DURANTE A CONSTRUÇÃO
Desde o início do ano, grandes construtoras e incorporadoras do Rio de Janeiro deixaram de cobrar juros relativos às parcelas do preço de venda dos imóveis vincendas durante a construção, graças a um termo de ajustamento de conduta (TAC) firmado com o Ministério Público do Estado. O acordo tem por objetivo pôr fim às demandas judiciais sobre a legalidade de tal cobrança, estipulada nos contratos de comercialização de unidades autônomas com base, principalmente, em decisões do Supremo Tribunal Federal. Pelo acordo, o MP se obriga a não questionar a legalidade dos contratos firmados até 1º de janeiro, e as empresas aderentes ao TAC que descumprirem o que foi acordado arcarão com multa de 1.000 UFIRs por infração. As empresas que não aderiram estão sujeitas à ação do Ministério Público, que também questiona a aplicação da tabela Price como forma de cálculo das parcelas na venda de imóveis.

REFORÇOS PARA O DESENVOLVIMENTO HABITACIONAL
Confirmando a tendência que já se anunciava no final de 2005, a Caixa Econômica Federal registrou um aumento no número de contratações habitacionais no primeiro mês deste ano: foram R$220 milhões somente nos dez primeiros dias janeiro, uma elevação de 70% em relação ao mesmo período do ano passado. As perspectivas de um ano melhor para a habitação em 2006 foram reforçadas pelo anúncio do pacote de incentivos ao setor, por parte do Governo, no mês de fevereiro, que prevê orçamento recorde de R$ 18,7 bilhões para habitação. Além disso, outras ações vêm facilitando o acesso dos brasileiros à compra do imóvel, como os feirões da casa própria, que voltarão a ser realizados pela Caixa a partir de abril. Em 2005, o primeiro feirão fechou negócios equivalentes a R$1,4 bilhão com a venda de 5.099 imóveis.

APOIO GOVERNAMENTAL TAMBÉM À CONSTRUÇÃO CIVIL
O pacote de incentivos anunciado pelo Governo Federal no mês passado inclui, além de crédito imobiliário, a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente sobre uma lista de itens de material de construção. No discurso que anunciou as medidas, o Presidente Lula afirmou que elas visam ao desenvolvimento da construção civil como um todo, objetivando o aumento da participação deste segmento no PIB (Produto Interno Bruto) e a geração de mais empregos. Mas ressaltou que essas medidas procuram, sobretudo, fazer com que as pessoas que constroem as próprias casas tenham acesso mais fácil a esses produtos, que serão barateados. Segundo ele, estudos indicam que cerca de 60% das casas construídas no Brasil são feitas pelo próprio povo, que não tem como obter financiamentos.

FIADOR PODE TER SEU ÚNICO IMÓVEL PENHORADO
O plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu que o único imóvel do fiador, dado como garantia em contrato de locação, pode ser penhorado para fazer frente às dívidas decorrentes da inadimplência do inquilino, ao julgar um recurso interposto contra decisão do Segundo Tribunal de Alçada Civil de São Paulo que manteve a penhora do imóvel de um fiador. Por 7 votos contra 3, o STF entendeu que a Lei 8.009/90 (que dispõe sobre a impenhorabilidade do bem de família) resguarda o imóvel residencial próprio da entidade familiar, mas abre uma exceção para os casos em que este bem é dado em garantia. Os ministros que divergiram da decisão sustentaram que o disposto na Lei 8.009/90 fere o princípio constitucional que inclui a moradia como um direito social. Mas, para o ministro Cezar Peluso, relator do recurso, prevalece a liberdade individual e também constitucional de alguém decidir ser ou não fiador e, conseqüentemente, arcar com as responsabilidades desta decisão.
  

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