| Acidentes
são aquelas situações
extremas que só acontecem
com os outros. Os incêndios
em edifícios são
bons exemplos. Quem não
sente horror ao ver no noticiário
prédios envoltos em fumaça,
com janelas cuspindo fogo? No
entanto, quantos se mobilizam
para saber, sequer, se há
extintores onde moram? São
poucos os condôminos que
saberiam responder perguntas simples
sobre os equipamentos de proteção
de seu condomínio: quais
são esses equipamentos
e onde eles estão? |
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No ano passado foram registrados no
Rio de Janeiro mais de três mil
incêndios somente em edifícios
residenciais; nos comerciais, esse número
foi de 937 casos, segundo dados do Corpo
de Bombeiros. Eles demonstram que os
incêndios acontecem e por motivos
banais: panelas esquecidas no fogão,
cigarros ou velas acesas para um santo.
Instalações elétricas
comprometidas ou sobrecarregadas também
estão entre as principais causas.
Uma pequena fagulha pode, em pouco tempo,
transformar-se em um incêndio
de grandes proporções.
E o fator determinante para evitar que
isso aconteça é a existência
de infra-estrutura adequada de prevenção
e combate a incêndios.
Prejuízos financeiros e muito
trabalho
No
que hoje é mais um dado estatístico
para o Corpo de Bombeiros inclui-se
o que aconteceu no dia 3 de dezembro
de 2005, por volta das 18h50, no apartamento1.703,
do edifício Cânova, na
Barra da Tijuca. Um curto-circuito em
um aparelho de ar-condicionado deu início
a chamas que viriam a consumir completamente
seis apartamentos dos seis últimos
andares do prédio. Felizmente,
os moradores não estavam em casa
e os vizinhos saíram a tempo,
o que evitou o registro de vítimas.
Mas, se não houve feridos, sobrou
prejuízos. Ao retornarem a suas
casas, condôminos de 29 apartamentos
constataram que muitos de seus pertences
foram total ou parcialmente inutilizados,
dependendo da maior ou menor proximidade
dos imóveis destruídos.
Aqueles a quem o fogo não atingiu
foram pegos pela água utilizada
para apagar as chamas.
“Só
agora iniciaremos o processo de recuperação.
É muito trabalho. Foram seis
unidades totalmente perdidas, 12 parcialmente
atingidas e mais oito com alguns prejuízos.
Isso sem contar as áreas comuns;
em um incêndio até a tubulação
dentro das paredes pode ser afetada.
Já estamos com um elevador funcionando
(perdemos dois, que haviam sido modernizados
recentemente e ainda estamos pagando
as parcelas; os novos nos custaram mais
de 30 mil reais cada um). Também
já trocamos todos os chuveirinhos
automáticos (ou splinkers), instalamos
corrimão nos dois lados da escada,
compramos mais uma mangueira e a bomba
de pressurização com as
especificações adequadas”,
conta Oswaldo Dias, síndico do
Cânova.
Os
quatro últimos itens constam
da notificação que o condomínio
recebeu do Corpo de Bombeiros após
o incêndio. “Os prédios
no Rio de Janeiro podem ser divididos
entre os que foram construídos
antes e depois das atuais regras para
a prevenção de incêndio.
A adequação de nossa infra-estrutura
pôde ser adaptada somente em parte
e o que foi possível já
fizemos”, explica Dias. O problema
mais grave, que interferiu na ação
dos Bombeiros, foi o funcionamento inadequado
da bomba de incêndio que deve
ser acionada automaticamente ao se fazer
uso da mangueira de quaisquer um dos
andares dos prédios. Segundo
divulgou a assessoria de imprensa do
Corpo de Bombeiros, “a eletro-bomba
que pressuriza a canalização
de incêndio estava ineficiente”.
“São
muitos detalhes aos quais necessitamos
estar atentos, há muito a saber
e a cuidar. Lá em cima tínhamos
a bomba e uma válvula para o
acionamento, mas não era a especificada”,
conta o síndico. O dinheiro do
seguro garantirá a recuperação
da estrutura, mas não a trabalheira
que o processo está demandando.
“Não existem tantas empresas
no mercado para certas coisas e precisamos
orçar tudo, cada pequena peça.
A construtora fará os serviços,
mas a fiscalização, o
acompanhamento de tudo, deve ser do
síndico e vou contratar um fiscal
de obras que me dê suporte”,
adianta.
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Como formar uma brigada:
O número mínimo de brigadistas
varia de acordo com as características
do imóvel, seu uso (comercial,
residencial ou industrial) e sua população
fixa.
Preferencialmente, os interessados
devem ser pessoas que fiquem mais
presentes nos prédios e que
tenham conhecimento sobre as suas
instalações hidráulicas,
elétricas, etc. Além
dos moradores, os mais indicados são
os porteiros.
As pessoas devem se organizar, definindo
para cada uma as atribuições
de avaliação dos riscos
existentes, inspeção
geral dos equipamentos de combate
a incêndio, inspeção
geral das rotas de fuga, elaboração
de relatório das irregularidades
encontradas, encaminhamento do relatório
ao síndico, orientação
à população fixa
e flutuante e exercícios simulados,
entre outras atribuições.
Os brigadistas devem freqüentar
cursos específicos. Segundo
o Corpo de Bombeiros, “o profissional
habilitado na formação
de brigada de incêndio é
toda pessoa com formação
em Higiene, Segurança e Medicina
do Trabalho, devidamente registrada
nos Conselhos Regionais competentes
ou no Ministério do Trabalho,
bem como os militares das Forças
Armadas, das Polícias Militares
e dos Corpos de Bombeiros Militares,
com 2º grau completo e que possuam
especialização em Prevenção
e Combate a Incêndio (carga
horária mínima de 60
horas) e técnicas de emergências
médicas (carga horária
mínima de 40 horas), além
de curso de técnica de ensino
de, no mínimo, 40 horas.
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| Mobilização
dura pouco
Quem
teve que recomeçar a vida
do zero contou com o apoio até
de estranhos, mas, especialmente,
dos vizinhos mais próximos:
os demais condôminos assumiram,
em assembléia, as cotas
condominiais das unidades que
foram totalmente danificadas,
até o término das
obras de recuperação.
Outra ajuda veio da previdência
do síndico: “Como
havia sobrado dinheiro em caixa,
da reserva que fizemos para a
modernização dos
elevadores, ele estava aplicado
e os recursos gerados estão
nos garantindo fazer o que é
preciso sem recorrer a cotas extras”,
afirma.
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Ele
ainda se emociona ao falar das inúmeras
pessoas, de lugares e situações
os mais diversos, que o procuraram oferecendo
apoio. Mas, muda o tom quando o assunto
é atitude dos próprios
moradores, passado o sufoco. “Nesses
momentos, além de muita solidariedade
há muita mobilização.
No calor do incêndio todos se
uniram, falavam na formação
de uma brigada; depois que esfriou,
não se falou mais nisso. É
igual a quando passamos de carro por
um acidente na estrada. Na hora diminuímos
a velocidade, ficamos mais atentos,
poucos quilômetros depois, esquecemos”,
compara.
Dias
recorda que o banco mais próximo
fechou, em um único dia, mais
de 80 seguros residenciais. “Isso
foi nos dias seguintes ao incêndio;
vai perguntar a eles agora qual a média
atual”, provoca. A reação
dele tem outros motivos: “Não
havia passado uma semana do incêndio
quando vizinhos vieram alertar para
o cheiro de gás. Fomos averiguar
e uma moradora que estava em viagem
havia deixado o gás ligado”.
Para o síndico, a medida preventiva
que todos devem adotar é a contratação
de um seguro: “até porque
é mais fácil, mais barato
e não dá trabalho”.
A
preocupação, elevada após
um incêndio, costuma aumentar
a venda de seguros residenciais. Isso
porque apenas estes cobrem o proprietário
do imóvel da porta para dentro.
São os incêndios que requerem
mais dinheiro na recuperação
das unidades. O preço do seguro
varia de acordo com os bens que se quer
cobrir, mas, em média, tem um
valor muito baixo se comparado aos possíveis
prejuízos com um incêndio.
Outra
medida que o síndico considera
de extrema importância é
buscar saber mais sobre incêndios:
o que os provoca, como preveni-los e
como agir quando ele acontece. “Fiquei
feliz quando ouvi falar sobre a idéia
da brigada e lamento muito que ela não
tenha ido adiante. As brigadas são
muito importantes porque todo grande
incêndio começa pequeno
e, se há pessoas preparadas para
agir na hora certa, os prejuízos
são muito menores”, lamenta.
Uma das orientações mais
constantes do Corpo de Bombeiros e da
Defesa Civil é justamente para
que os síndicos ajudem a conscientizar
os moradores sobre a importância
de aprender mais sobre o tema para ajudar
na prevenção. “Estamos
abertos a oferecer informações
que os ajudem neste quesito e há
também muitos dados disponíveis
no site da Defesa Civil”, afirma
Coronel Roni de Azevedo, assessor de
imprensa da corporação.
Os interessados podem fazer contato
pelos telefones 3399-6816 ou 3399-6818,
ou diretamente na Escola de Bombeiros
Coronel Sarmento, na Avenida Brasil,
23.800, em Guadalupe.
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Equipamentos básicos de prevenção
a incêndios:
Condomínios
com mais de 150 m² de área
e com mais de 12 metros de altura
precisam ter os seguintes equipamentos:
- a) Iluminação de emergência
- b) Extintores
- c) Hidrantes
- d) Alarmes
- e) Escadas de segurança e
porta corta-fogo, exigidas para construções
posteriores a 1983.
Observação:
Cada extintor deve cobrir uma área
máxima de 500 m², de forma
a que nenhuma pessoa precise percorrer
mais de 25 metros para alcançar
esse equipamento.
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Plano de risco
Os
síndicos devem manter em todas
as entradas do edifício uma
planta de risco, a fim de evitar qualquer
perda de tempo na chegada dos bombeiros
em caso de incêndio. Sua elaboração
ajuda a identificar os itens importantes
na prevenção de incêndio.
Em uma planta de risco devem constar
orientações para o seguinte:
- Ruas
de acesso.ü
Saídas, escadas, corredores
e elevadores de emergência.
-
Válvulas de controle de gás
e outros combustíveis.
- Chaves
de controle elétrico e armazenagem
de produtos químicos e perigosos.
- Registros
e portas corta-fogo, que fecham automaticamente
em caso de incêndios, e botoeiras
para acionamento manual destes dispositivos.
- Pontos
de saída de fumaça e
janelas que podem ser abertas em edifícios
selados.
- Painéis
de sinalização e alarme
de incêndio.
- Casa
de bombas do sistema de hidrantes.
- Hidrantes
internos e externos e hidrantes de
recalque e as respectivas válvulas
de controle, incluindo a de chuveiros
automáticos.
- Extintores
e mangueiras.
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