Frutas,
verduras e legumes fresquinhos
e em grande variedade
a poucos passos de casa.
Feiras livres por perto
podem significar privilégio
para uns, e problemas
para outros. A questão
é controversa.
Especialistas em avaliação
de imóveis para
venda e locação
costumam aconselhar manter
distância segura
de estabelecimentos comerciais
por causa de ruídos
e poluição
que podem acabar incomodando.
Mas, por outro lado, lembram
que é sempre bom
ter por perto um mercado
de bairro, nele incluídos
uma padaria, uma farmácia
e uma feira.
|
|
Mas
não precisa ser morador
de uma rua onde funciona
uma feira livre para compreender
que as queixas não
se restringem aos vendedores
elevando a voz em apelos
como: “experimenta,
freguesa!”. Entre
as reclamações
de síndicos e condôminos
está justamente o
fato do barulho começar
antes do sol se levantar
e avançar manhã
adentro. Outra queixa comum
é a convivência
com odores persistentes
mesmo depois da limpeza
das ruas, como os de peixe,
por exemplo. Além
da possibilidade de se ficar
ilhado, “uma ilha
cercada de gente e de barracas
por todos os lados”,
conta o síndico Pedro
Julião, síndico
do condomínio Solar
Marques do Recife, em Copacabana.
“Tivemos uma feira
na rua por mais de 30 anos
e era o maior absurdo do
mundo! Os caminhões
chegavam por volta das 5
horas da manhã e
começavam a montar
as barracas fazendo muito
barulho. Depois, mesmo deixando
as saídas de garagem
livre, não se podia
passar no meio de toda aquela
gente. No final, nunca terminava
às 13h horas como
o previsto”, lembra.
Dito assim, não parece
haver um lado positivo em
contar com frutas e verduras
da melhor qualidade pertinho
de casa: “Há
muitas vantagens, especialmente
pela comodidade, pela fartura,
pela qualidade e pela variedade”,
defende Odalete Santos,
moradora do condomínio
Mandala, onde acontece todas
as terças, quartas,
sábados e domingos,
uma feira livre. “Aqui
na Barra da Tijuca temos
excelentes supermercados,
mas uma feira tem sempre
muito mais a oferecer em
termos de frutas, legumes
e verduras que, afinal,
são os alimentos
mais indicados para a saúde.
Para mim, a existência
da feira foi um atrativo
na hora de escolher meu
imóvel”, afirma.
|
Tudo
depende de manifestação
popular
A condômina da Barra
tem a felicidade de morar
em um local que dispõe
de um espaço próprio
para a feira livre, uma
área cercada por
grades, do outro lado da
rua e fora do alcance da
entrada dos prédios
e da passagem de carros.
Um lugar mais apropriado
também foi o escolhido
para abrigar a feira que
antes funcionava na rua
do Solar Marquês do
Recife. “A que acontecia
às quartas-feiras
foi para o Bairro Peixoto,
um quarteirão imenso,
com uma praça e uma
área mais afastada
das entradas dos prédios,
onde ficou melhor localizada,
e as de domingo foi para
a Siqueira Campos, também
um local mais adequado.
Deveria ser sempre assim,
pois há locais que
não comportam uma
feira-livre”, avalia
Pedro Julião.
|
 |
Segundo
a Prefeitura, atualmente o
Rio conta com 182 feiras livres
espalhadas em toda a cidade
e, para a escolha de um local
para a implantação
de uma feira, são consideradas
condições técnicas
que vão desde o número
de bueiros de esgotamento
ao número de residências
atendidas. A avaliação
é feita, geralmente,
a partir de manifestações
da comunidade local, que encaminham
solicitação
sugerindo até três
logradouros para receber a
nova feira. No caso de transferência
de local, a Prefeitura estuda
a possibilidade de ela ser
feita em um raio de 500 metros
da área onde funcionava,
consultando, inclusive, os
órgãos locais.
“É sempre necessário
haver manifestação
da comunidade local para que
sejam estudadas as condições
técnicas para uma possível
implantação
e, também, para a viabilidade
de troca de endereço”,
informa o Secretário
de Governo da Prefeitura do
Rio, João Pedro Figueira. |
|
As feiras livres são
regidas pela Lei nº
492/84 e a fiscalização
de seu cumprimento, especialmente
quando há reclamação
quanto a questões
de higiene e limpeza das
vias públicas, de
barulho e de danos causados
aos moradores das ruas onde
são realizadas as
feiras livres, é
feita por agentes fiscais
da Divisão de Feiras
Livres, que verificam o
cumprimento do estabelecido
no regulamento 24 do código
de posturas municipais,
segundo o Secretário
João Pedro Figueira.
“Quando a questão
é de higiene sanitária,
por exemplo, a Divisão
de Feiras aciona os mecanismos
operacionais da própria
Vigilância Sanitária
e, assim, atuamos em conjunto
para uma melhor qualidade
de atendimento à
população”,
diz. Para ajudar neste quesito,
facilitando a limpeza das
ruas após o término
do horário das feiras,
a Comlurb implantou o projeto
Feira Limpa, que garante
a distribuição
de contêineres plásticos
e agiliza o recolhimento
do lixo.
A
íntegra da Lei, com
os regulamentos e sanções
previstas, encontra-se no
site de Coordenação
de Licenciamento e Fiscalização
– CLF (www.rio.rj.gov.br/clf),
onde pode-se também
fazer reclamações.
Um outro canal de comunicação
através do qual os
síndicos podem tirar
dúvidas, dar sugestões
ou fazer queixas é
a Ouvidoria da Coordenação
(2503-4229). “A Secretaria
Municipal de Governo (SMG)
mantém constantemente
atualizados seus sistemas
de comunicação
com a população.
O mais utilizado é
o sistema de ouvidorias,
aqui incluídos os
da SMG, da CLF e da Vigilância
Sanitária, que têm
condições
de estabelecer as conexões
necessárias para
a solução
dos problemas apontados
pelos moradores”,
conclui o Secretário.
|
|
|