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A
legislação é
clara: a responsabilidade em caso
de acidente por queda de reboco
é do condomínio
e de seu representante, no caso,
o síndico. Comissões
do Conselho Regional de Engenharia
e Arquitetura (Crea-RJ) costumam
apurar se houve negligência
quando pessoas ou bens materiais
são atingidos por pedaços
de mármore, reboco e outros
materiais que caem de prédios
e alertam para as condições
de muitos, o que considera grave.
“O que o Crea-RJ tem encontrado
nas vistorias, basicamente, é
a falta de manutenção
somada ao desgaste provocado pela
ação das intempéries,
o que, com o tempo, leva aos acidentes”,
afirma Reynaldo Barros, engenheiro
eletricista e de segurança
do trabalho e presidente licenciado
do Crea-RJ.
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A tão almejada transparência
pode ser alcançada nos condomínios
de diferentes formas, por exemplo, na
distribuição de um balancete
que seja o mais explicativo possível.
O importante é deixar claro a
destinação dada aos recursos
do condomínio e, especialmente,
colocar toda a informação
à disposição dos
moradores. “Na era da informação,
é impensável um condomínio
que não utilize todos os recursos
para dar ciência de sua administração”,
afirma Marcelo Ribeiro, Gerente de condomínio
da Lowndes. E esse é um quesito
para o qual as administradoras, com
suas funções de apoio
e suporte, podem contribuir muito, tanto
para a realização de prestações
de contas mais eficientes, quanto para
uma fácil e rápida disponibilização
dessas informações para
os condôminos.
| “A
má conservação
é maior por negligência
do condomínio”, concorda
Luís André Moreira
Alves, engenheiro técnico
da Defesa Civil. A falta de recursos
e problemas internos, motivos
apresentados como justificativa
para o adiamento de obras de conservação,
agravam a situação,
porque não há manutenção
e o custo, no total, será
maior. “O reboco é
feito para proteger as ferragens.
Quando ele se deteriora, passa
para um outro nível, os
ferros criam uma crosta que expande
e expulsa o revestimento. Com
isso, o custo de recuperação
é ainda maior”, adverte.
Com a experiência de quem
atua diretamente no atendimento
aos chamados, o engenheiro afirma
que 95% dos problemas resulta
da ausência de obras de
manutenção nas fachadas. |
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Informações à
disposição dos síndicos
Para
ajudar na orientação
aos síndicos e à
população em geral,
a Defesa Civil percorre a cidade,
coloca barracas na orla e faz
panfletagem alertando para os
problemas decorrentes da falta
de manutenção, além
de realizar palestras e cursos.
São
dois cursos, um para porteiros
e zeladores, mais objetivo, e
outro para administradoras de
imóveis e síndicos,
com noções de área
jurídica “para falar
dessa responsabilidade”,
e de engenharia “que aborda
os sintomas básicos que
podem ser observados nas vistorias
visuais preventivas”. Além
disso, há orientações
sobre como contratar uma empresa
idônea para fazer as obras.
Luis André considera que
o mais importante, no entanto,
é orientar sobre a responsabilidade
civil e criminal do síndico.
“Por isso, alertamos sempre
sobre a importância das
vistorias preventivas, afirma.
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O
engenheiro aconselha que cada condomínio
institua uma comissão de
obras que se responsabilize por
fazer as vistorias visuais periódicas,
“o que não exige necessariamente
a visita da Defesa Civil, ou de
qualquer especialista”, e,
diante de uma necessidade, contrate
uma empresa competente para realizar
os serviços. “Ao primeiro
sinal de desgaste, é melhor
fazer logo a obra, pois com o tempo
o problema só se agravará”,
explica.
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Crea-RJ
tem catálogo gratuito
O
Crea também dá orientações
aos síndicos. “Temos
impressos desenvolvidos especificamente
para o público de condomínio.
O enfoque é de alerta,
pois o grau de desinformação
é muito grande. Muitas
vezes, há boa intenção
nas decisões tomadas, mas
o índice de atividades
exercidas irregularmente ainda
é alto”, afirma Barros.
O Conselho também sempre
está presente em feiras
e eventos destinados a este público
e foi a partir de um contato mais
estreito com ele que nasceu o
catálogo empresarial de
serviços profissionais
do Crea-RJ, uma espécie
de páginas amarelas da
área técnica, distribuído
gratuitamente aos interessados.
“Com esta ferramenta, os
síndicos têm a garantia
de que estão contratando
empresas regulares perante o Conselho.
É um caminho seguro. E
o melhor é que é
grátis”, informa
Reynaldo de Barros.
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O
Conselho disponibiliza para a sociedade
diversos canais para contato e esclarecimentos.
A gerência de fiscalização
é a principal porta de entrada
para orientação a respeito
de atividades técnicas, possíveis
irregularidades e procedimentos para
os tomadores de serviços se protegerem
contra riscos provenientes da ação
de leigos ou da falta de ações
preventivas. A ouvidoria do Conselho
também atende a população.
Os meios utilizados são o atendimento
pessoal, telefônico e a internet
(www.crea-rj.org.br ). “O mais
importante é que o Crea, hoje,
sabe que há desconhecimento e
tem trabalhado para ajudar os síndicos
a não embarcar em canoas furadas”,
afirma.
O
presidente do Conselho alerta para a
falta de um engenheiro responsável
que acompanhe as obras de manutenção,
afirmando que, juntamente com a ausência
de conservação, este é
um dos principais responsáveis
por penalidades aplicadas aos condomínios.
Barros adverte que toda e qualquer atividade
técnica só pode ser executada
por profissional legalmente habilitado.
“Da mesma forma que só
um médico pode operar um coração,
somente um engenheiro civil pode efetuar
serviços de fundação
ou sondagem, por exemplo. Desrespeitar
isso constitui contravenção
penal. O síndico é o representante
civil do condomínio e, como tal,
responde juridicamente por ele. Nem
mesmo o desconhecimento da lei o isenta
de culpa em caso de ausência de
um profissional responsável.
Por isso, meu conselho é simples:
siga a lei”, orienta.
A
Defesa Civil também disponibiliza
canais para informações
ao público. São o telefone
199, que funciona 24h, e também
a ouvidoria, que funciona através
dos endereços eletrônicos
ouvidoria-defesacivil@rio.rj.gov.br
e cosidec@rio.rj.gov.br, ou pelo telefone
2577-2016.
O
órgão da prefeitura não
é acionado somente em situações
de emergência. É a Defesa
Civil quem chama os órgãos
responsáveis, isola a área
e retira o material que caiu do local.
Sobre advertências e punições
pelos acidentes, explica que é
da alçada da prefeitura somente
a apresentação de um laudo
intimando o condomínio a executar
obras. “Quando há um sinistro,
um reboco que feriu uma pessoa ou danificou
bens materiais, passa a ser uma questão
de competência da polícia.
O Corpo de Bombeiros geralmente faz
o encaminhamento para a delegacia da
área para que o Instituto Carlos
Éboli faça um laudo criminal.
Quando há vítima, é
considerado crime de lesão corporal
ou de morte”, acrescenta.
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DEPOIS
DE 20 ANOS
Era
o prédio mais sujo, mais feio
e mais velho de Laranjeiras. Hoje
é o mais bonito, conta orgulhosa
a síndica Maria Odete, que
enfrentou verdadeira via crucis para
reformar a fachada do prédio.
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Na
outra ponta da situação
de precariedade de alguns prédios
da cidade está, muitas vezes,
a resistência de proprietários
em investir na conservação
do patrimônio, protelando ao
máximo as obras de manutenção,
mesmo quando há uma necessidade
emergencial evidente. O edifício
da rua das Laranjeiras ficou por 20
anos sem obras de fachada até
que começaram os problemas
com quedas de reboco. Por muito tempo
não houve meio de convencer
os proprietários da emergência
da situação, até
que o condomínio foi multado
pela prefeitura. Com o peso da multa,
os condôminos aprovaram a obra
e, a partir de uma pesquisa de preços,
foi contratado um empreiteiro que
fez os consertos e pintou a fachada.
“Ele deu cinco anos de garantia
e parece brincadeira, mas foi o quanto
durou. Depois deste prazo, os problemas
voltaram a se apresentar nos lugares
onde antes havíamos consertado”,
conta Maria Odete, síndica
do condomínio Esterleo, de
Laranjeiras.
Mais
uma vez, a história se repetiu.
Apesar da multa recebida no passado,
os moradores protelaram para aprovar
as obras, até que uma noite
caiu um reboco na rua que, por sorte,
não feriu ninguém.
Com
o susto, veio a aprovação
dos moradores e foi feita a escolha
de uma empresa. Como a intenção
era obter um resultado mais duradouro,
optaram por colocar pastilhas na fachada
em vez de apenas pintar. E assim a
síndica conseguiu, afinal,
ter sua fachada reformada. “Conseguimos
ter tudo pronto em seis meses. Tivemos
que pagar sete cotas extras, porque
não foi possível fazer
sem elas. Mas agora está tão
bonitinho. Uma beleza!”, orgulha-se.
Maria
Odete reconhece as dificuldades dos
condôminos, até porque,
assim como eles, também sente
no bolso o aumento de qualquer despesa.
Explica que o condomínio tem
uma peculiaridade que o prejudica
neste sentido: tem poucos proprietários
com vários imóveis,
muitos estrangeiros, o que faz com
que mobilizá-los seja sempre
a parte mais difícil da administração
para a síndica, que está
há 14 anos à frente
do condomínio. Mas, apesar
de tudo, diz adorar tomar conta do
prédio e não se cansa
de admirar a transformação
pela qual passou com a reforma da
fachada.
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