PORTEIROS

 O Porteiro-cineasta   
 

Luz, câmera, ação! Quem está hoje à frente da portaria e atrás das câmeras é o paraibano Edimilson Justino da Silva, de 36 anos. Ele trabalha no Condomínio Edmond Rostand, no Jardim Botânico há treze anos e tem uma paixão (ou seria vocação?) muito especial: o cinema.

Nas horas vagas, ele filma de tudo: casamentos, aniversários, festas, batizados e despedidas, e ainda faz vídeos de pessoas mandando mensagens e até cenas de pontos exuberantes do Rio para turistas levarem de recordação. Segundo ele, até agora ele só não filmou enterro de anão e de cachorro, nem fez produção pornográfica, o que se recusa a fazer. No prédio, ele se dá muito bem com todos e até já registrou festas de alguns moradores.
  

Uma delas foi o casamento do filho do Sr. Ítalo Balbo, condômino do apartamento 204, e também da irmã de sua nora. “O Edmilson é um ótimo profissional. Gosto muito dele. É um rapaz bom, educado e muito religioso. Ele tem um comportamento excepcional!”, conta o morador.

Sobre conciliar as filmagens com o trabalho no edifício, nosso porteiro-cineasta garante que não é difícil. Quando um evento acontece no mesmo horário do trabalho, ele troca de turno com os outros porteiros.

Nos eventos que registra, Edimilson já viveu algumas situações cômicas e até trágicas. Numa delas, a mãe de uma noiva não agüentou de emoção e desmaiou. Em outra, durante um casamento em um salão de festas, o noivo não apareceu. “Aí o pai da noiva, muito educado, foi até o microfone e se desculpou pela ausência do rapaz. E, comentou que, como tinha muita comida, bebida e música, a festa iria acontecer mesmo sem a cerimônia de casamento. E foi o que aconteceu. Filmei tudo e recebi meu cachê direitinho”, conta.

Antes de trabalhar como porteiro, Edimilson trabalhava na noite como discotecário na boate Oba Oba, dirigida por Sargentelli, que ele considera uma pessoa excepcional. Quando o lugar fechou, passou a trabalhar por conta própria em bailes. Depois de um tempo, viu que não estava dando para viver com o salário de DJ e, por sugestão de um amigo, foi fazer um curso de filmagem. Acabou estudando no Templo Glauber e hoje faz operação de câmera e pode até se arriscar em uma direção de fotografia.

“Não sou roteirista. Prefiro dirigir, fazer as tomadas. Gosto de fazer ficção e drama. Meu diretor preferido é o Steven Spielberg. Outra coisa que gosto muito é de literatura. Não tive a oportunidade de estudar muito, pois vivia numa zona rural no Nordeste, trabalhando com agricultura, mas gosto muito de ler. Tenho uma coleção de mais de 600 livros”.

Uma obra que recomenda é O Maior Vendedor do Mundo, de Og Mandino, “um livro que dá a reviravolta na vida de uma pessoa, e que mudou a minha vida”. Outros são A Lei do Triunfo, de Napoleon Hill, além de obras de Deepak Chopra e do pensador americano Ralphwaldo Emerson.

Para o futuro, Edimilson tem um grande projeto: “Trabalho em portaria, pois preciso. Mas sonho em montar uma videoteca própria para um dia poder me dedicar a filmagens, produções e edições e também ministrar aulas”. Carismático e perseverante, Edimilson tem tudo para conseguir realizar este sonho.  

7 Filmes Marcantes
1- Parque dos Dinossauros (Steven Spielberg, 1993).
2- Não somos anjos (Neil Jordan, 1989).
3- Titanic (James Cameron, 1997).
4- Lagoa Azul (Randal Kleiser, 1980)
5- Noviça Rebelde (Robert Wise, 1965)
6- Alexandre, O Grande (Robert Rossen, 1955)
7- Django (Sergio Corbucci, 1966).

Página de Edmilson na Internet
http://www.edfilmes.com

Por: Dominique Valansi.
   

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