RIO CARD
 
  

Os transtornos causados com a mudança do vale-transporte de papel para o eletrônico – RioCard – fez com que muitos condomínios voltassem a adotar uma prática já abandonada: o pagamento em dinheiro do valor necessário para o transporte dos empregados. E, apesar de haver um acordo coletivo entre o Sindicato da Habitação (Secovi/RJ), que representa os condomínios, e o sindicato de trabalhadores do setor, que prevê o pagamento em espécie, os especialistas alertam que se trata de um procedimento arriscado para o empregador.
  

"O pagamento de transporte em dinheiro pode ser incorporado ao salário, ou seja, em caso de um litígio trabalhista o funcionário pode requerer todos os benefícios, como férias, décimo terceiro, inclusive verbas de rescisórias, calculados sobre o valor do salário acrescido da quantia paga para transporte", ressalta a advogada Fátima Santoro, da Associação Brasileira de Advogados do Mercado Imobiliário (Abami).

O coordenador de bilhetagem da Federação das Empresas de Transporte (Fetranspor) Marcos Rodrigues da Silva acentua ainda que o procedimento fere a legislação vigente: "A lei estabelece que o pagamento do transporte não deve ser feito em espécie, mas em “papel” próprio para este fim.

O fato é que não dá para negar que a troca do sistema de papel pelo eletrônico vem causando uma série de problemas para condomínios e administradoras, como aumento de burocracia na hora da compra dos “créditos”, assim como no dia-a-dia com problemas de funcionamento encaminhados pelos empregados.

Na Lowndes, por exemplo, Marcelo xxx, da área de Recursos Humanos, informa que o tempo necessário para a compra dos créditos para os condomínios administrados pela empresa triplicou: "Este é um serviço que era feito em um dia e agora leva três. Além da burocracia, enfrentamos outro problema: a lentidão do sistema, já que a compra é toda feita, necessariamente, pela Internet e o provedor da Fetranspor fica sobrecarregado.

Segundo a Fetranspor, o sistema ganhou mais velocidade desde a sua implantação. Apesar das reclamações, Rodrigues da Silva garante que a questão é aprender a usar a ferramenta, de acordo com o perfil de cada atividade : "Temos uma equipe que dá consultoria às empresas e explica a melhor forma de usar as ferramentas disponíveis para a compra e a gestão do RioCard , a partir das necessidades de cada empresa. Há ainda muita resistência à nova tecnologia. As pessoas querem dizer que com o papel era mais simples, mas quando foi lançado também não parecia tão fácil. Os sistemas vão se adaptando, inclusive com as sugestões que nos são encaminhadas.

Uma das alterações resultantes das queixas encaminhadas à Federação começa a valer este mês. A partir de agora, o trabalhador não poderá verificar nas máquinas dos ônibus seu crédito diariamente. O valor só será exibido quando o volume de crédito for igual ou inferior a R$ 20. Tudo isso visa reduzir o índice de roubos a cartões. A Federação está corrigindo ainda um bug do sistema, que provoca a recusa do RioCard devido à falta de sincronia dos equipamentos, o que pode ocasionar erro no sistema.

Outros problemas, no entanto, ainda não estão solucionados. É o caso da recarga dos cartões, que vem apresentando falhas vez por outra. Uma das causas do problema, segundo a Fetranspor, é o fato de as máquinas validadoras dos ônibus não conseguirem processar o volume de informações recebidas, que aumentam significativamente entre os dias 20 e 30 do mês e, por isso, a recarga não ser validada. No entanto, segundo o coordenador de bilhetagem da Fetranspor, grande parte dos problemas com recarga dos cartões se dá pelo fato de muitos trabalhadores pedirem vale em um valor acima do que precisam para o seu dia-a-dia. O cartão recarregável tem duas áreas de memória e, se pelo menos uma delas não tiver sido zerada, não será possível contabilizar novos créditos: "Há, inclusive, pessoas que não conseguem zerar nem mesmo o crédito do primeiro mês quando chega a data da terceira recarga. O vale de papel era usado como dinheiro para outros fins, que não o pagamento de transporte, e agora isso não é mais possível", ressalta o coordenador.

João Augusto Monteiro, diretor de Marketing e Comunicação da Fetranspor, acrescenta que Niterói, São Gonçalo e Maricá já aderiram ao sistema e Nova Iguaçu está fazendo os últimos acertos.

O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Alternativo (Sintral) também está entrando na onda dos vales, com o lançamento do Van Card, um vale-transporte para uso exclusivo nas seis mil vans legalizadas do Rio que, a princípio, será papel, mas até março de 2006 também já ganhará uma versão eletrônica.

Hélio de Figueiredo Júnior, presidente do Instituto Brasil Solidariedade, parceiro do Sintral na administração do Van Card, informa que as vendas dos vales começam em julho: "A idéia é dar mais comodidade ao usuário de van".

Felipe Ramalho, diretor da Master Vig, empresa que distribui os vales da Fetranspor e que administrará o Van Card, acredita na migração de parte dos trabalhadores do RioCard para o Van Card: "Desde 2002, o Sintral vem se organizando para viabilizar o vale van. E acredito que, com a oferta deste benefício, os trabalhadores migrem de um transporte para o outro, já que em alguns trajetos há mais opções de vans do que linhas de ônibus. Nada impede que o empregador compre os dois sistemas, de acordo com a comodidade de cada um dos seus funcionários.

Ramalho adianta que está fazendo um levantamento entre os funcionários de condomínio para poder traçar um perfil em relação ao uso de transporte desta categoria, que soma 80 mil pessoas só no Rio de Janeiro: "Mas esse é um trabalho que ainda está engatinhando", ressalta.

   

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