ALGO NÃO CHEIRA BEM?
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 É hora de fazer uma inspeção nas caixas de esgoto e de gordura do condomínio

    
A prática de usar o vaso sanitário e as pias como lixeira é a maior causadora de entupimentos e vazamentos na rede de esgoto. É comum, ao fazer uma limpeza ou um desentupimento, encontrar nas caixas e tubulações da rede sanitária papel higiênico, preservativos, absorventes higiênicos, fraldas descartáveis, cotonetes de plástico, fio dental, etc.

  
Este é um problema a que poucos condôminos prestam atenção e mesmo alguns síndicos não se preocupam até que algo feio e mal cheiroso comece a transbordar. É nesta hora que todos reclamam, inclusive a CEDAE. Para a Companhia de Água e Esgoto, a maioria dos entupimentos e vazamentos poderia ser evitada se pessoas usassem corretamente as instalações de seus imóveis. “Limpar caixas de gordura e não jogar detritos nas tubulações diminuiria sensivelmente o número de reclamações, principalmente por parte de alguns edifícios residenciais e comerciais, hotéis, bares e restaurantes”, afirma a assessoria de imprensa da Companhia.

Para quem sente os efeitos dos vazamentos de esgoto, pouco importa de quem é a culpa. Tudo o que quer é ver o problema resolvido. Depois, ter a tranquilidade de saber que medidas como inspeções regulares foram tomadas a fim de evitar que todos passem novamente pelo mesmo transtorno.

Limpeza periódica evitou contaminação de cisterna
José Dilson Fernandes, morador do condomínio Casmor, na Tijuca, acompanhou todo o esforço para sanar o problema das fossas sépticas do prédio. “Como conselheiro, acompanhava a limpeza periódica e vi que saía muita terra junto com outros detritos. Preocupado, enfiei um pedaço de pau e constatei que a caixa não tinha mais fundo, ele havia deteriorado com o tempo”, conta. Dílson, que é neto de construtor e trabalhou muitos anos com obras, levou a informação para uma assembléia, alertando para o risco de contaminação do reservatório de água.

“Conscientes da gravidade do problema, fizemos então uma concorrência e cinco empresas se apresentaram. Descartamos as primeiras e as últimas pelas discrepâncias nos valores cobrados e por não oferecerem soluções plausíveis. A primeira cobrou um valor muito inferior às demais e disse que lacraria as fossas”, diz. O condomínio acabou fechando com a terceira colocada que pediu 100 dias para fazer o serviço, o que conseguiu fazer apesar de complicações inesperadas. “O Casmor foi construído há quase 50 anos, mas sua estrutura é bastante forte, tanto que foram precisos oito macacos hidráulicos para quebrar o contrapiso, de quase 30 cm de espessura”.

  

Outra surpresa ficou por conta da descoberta de que os canos também estavam deteriorados. Decidiu-se então por embutir uma tubulação de pvc dentro do barbará, antes de refazer todas as caixas de gordura e esgoto do prédio.

Para completar, quando faltava apenas fechar e fazer o acabamento do piso, choveu forte e a tubulação da rua entupiu. “Agora aguardamos a Cedae vir fazer a parte dela para, enfim, terminarmos a nossa”, afirma.

  

Prevenção
Dissabores como este são mais comuns do que se imagina e, para evitá-los, somente realizando limpezas regulares, aproveitando-se estas ocasiões para inspecionar as condições das caixas e das tubulações.

A orientação técnica é para que este trabalho seja feito, pelo menos, a cada 15 dias, quando a gordura e os objetos sólidos devem ser retirados, ensacados e jogados fora como lixo. Em hipótese alguma eles devem ser jogados na rede de esgoto. Quem já enfrentou o problema recomenda: “Ao sentir mal cheiro, é preciso abrir as caixas para ver o que está acontecendo. Um empregado do edifício pode ficar encarregado de fazer o serviço. A contratação de uma empresa só é necessária em caso de entupimento, o que, com cuidados periódicos, não costuma acontecer”, conclui Dilson.

  
 

  
Orientações técnicas
  
Também chamadas fossas sépticas, as caixas de gordura e esgoto nada mais são do que tanques enterrados, de operação fácil e de custo baixo. Segundo as normas técnicas, elas não devem ficar muito perto das moradias para evitar mau cheiro, nem muito longe para evitar tubulações muito longas, que são mais caras e exigem fossas mais profundas. A recomendação é para que esta distância não supere os seis metros. Para evitar contaminações em caso de vazamento, devem ficar num nível mais baixo do terreno e longe de poços, cisternas ou de qualquer outra fonte de captação de água. Dimensionadas em função de um consumo médio de 200 litros diários de água por pessoa, sua capacidade nunca deve ser inferior a mil litros. Pré-moldadas ou construídas no local, o importante a saber é que elas não duram para sempre e exigem limpezas regulares.
  

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