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| DEU
CERTO
- NEGOCIAÇÃO VITORIOSA |
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Varandas, ampliação
do hall de entrada, reformas na
portaria e de elevador. Tudo sem
custos para os moradores. Este é
o saldo da negociação
bem-sucedida realizada pelo síndico
Hugo de Palha Freitas, do condomínio
do Edifício São Paulo
e São Pedro, de Niterói.
A história começa
com o interesse de um novo proprietário
em transformar em loja uma unidade
residencial. Síndico do condomínio
há 12 anos, engenheiro civil
e profissional do setor imobiliário
de uma das maiores estatais do país,
Hugo Freitas considerou lesiva a
primeira proposta, mas não
fechou portas.
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Foi
conduzindo a negociação
para que as melhorias oferecidas para
o edifício estivessem em igual
proporção ao valor do imóvel,
contabilizadas ainda a localização
privilegiada e o potencial comercial da
área. O
Edifício São Paulo e São
Pedro é uma construção
do início da década de 50,
localizada em uma área nobre do
bairro de Icaraí, e tinha 12 apartamentos
e duas lojas com entradas independentes
no térreo. |
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| “O
interesse em investir nas lojas começou
no momento em que o condomínio
criou condições favoráveis
para isso. A primeira importante negociação
foi para a remoção da marquise
nas áreas correspondentes às
duas lojas já existentes, por conta
das duas lojas, o que modificou o visual
dos estabelecimentos. Com isso, o proprietário
do até então apartamento
no térreo não teve mais
sossego. A todo momento era procurado
por corretores interessados na unidade”,
conta Freitas. O proprietário não
tardou a procurar o síndico para
saber sobre a possibilidade de utilizar
a unidade como loja, mas obteve inicialmente
resposta negativa. “Fui obrigado
a dizer que a proposta dele era lesiva
ao condomínio e, o pior, desigual.
Além de somente dar vantagem para
um lado, reduzia o direito do outro”,
afirma. A oferta inicial se restringia
à redução em um terço
da única área que o edifício
dispunha, em troca da reforma superficial
das portarias.
Equiparação
de ganhos
O
imóvel possuía uma área
três vezes maior que a área
das lojas que, estima-se, tenham sido
negociadas para locação
luvas de R$250.000,00, cada. Exatamente
o valor de avaliação do
apartamento em questão. Sem conhecermos
detalhes técnicos de avaliação,
a área de 130 m2, se transformada
em comercial no local onde se situa, passaria
a valer, pelo menos, R$1.700.000,00. Daí,
o descaso inicial com a proposta. “O
fato preponderante é que também
tínhamos consciência do valor,
em termos de qualidade, espaço
e localização do imóvel.
Então, eles nos perguntaram se
não haveria um jeito de chegarmos
a uma solução que atendesse
a todos. Naquele momento, começamos
a pensar juntos”, conta o síndico.
Conhecendo as necessidades da edificação,
o síndico deu início a considerações.
“Pensei comigo: as coisas somente
são boas se forem boas para as
duas partes; eles estavam necessitando
de uma área, nada mais justo que
também cedessem algum espaço
em troca; a reforma das portarias já
era um ponto formalizado, porém,
nossas janelas são muito reduzidas,
em proporção ao tamanho
das salas. Há muito tempo, venho
idealizando a ampliação,
e isso pode ser negociado. O elevador
encontra-se em precárias condições.
Poderia fazer menção à
necessidade de reparo no revestimento
das fachadas em mármore, que, devido
ao descolamento de peças, dependia
de uma correção”,
ponderou. A contraproposta então
foi feita e, por questão de estratégia,
mantida em sigilo. Ou seja, o síndico
nada contou aos condôminos naquele
momento.
Valorização
de 40% para os imóveis |
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Uma
semana depois, o condomínio recebeu
outra visita com a oferta da colocação
de sacadas na unidades. “Pedi que
me apresentassem a proposta, de fato,
e com projeto. O que foi feito”.
A nova proposta foi igualmente recusada.
Além das melhorias já oferecidas
anteriormente, dessa vez incluía
a substituição de todo o
revestimento das fachadas em mármore
por material mais simples e a colocação
de sacadas de aproximadamente 1,20 metros,
que corresponderiam a menos da metade
das janelas que já existiam. “
Foi então que fiz a contraproposta
final. Em vez da substituição
do revestimento da fachada, manteríamos
o mármore, com os necessários
reparos técnicos; as sacadas seriam
construídas em toda a extensão
das salas dos apartamentos e quartos do
imóvel na fachada da Rua Moreira
César, o que foi aceito de imediato,
sem questionamento. Fechado o assunto,
fomos enfim à Assembléia”,
conta.
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O
síndico conta que ficou decepcionado,
pois não houve a unanimidade necessária
na primeira reunião, o que resultou
em meses de novas negociações,
agora com os condôminos, até
que a proposta fosse enfim aceita por
todos e as obras fossem iniciadas. “Foi
quase um ano de conversas com os moradores.
Mas, no fim, todos nós saímos
ganhando. A valorização
das unidades foi de cerca de 40%”,
comemora.
Muitas
outras benfeitorias
Ao
longo das gestões do síndico,
foram muitas as melhorias : “Meu
primeiro ato foi o cancelamento do contrato
com a empresa prestadora de serviços
de mão-de-obra, pois, para dispormos
de um empregado, pagávamos cinco
salários-mínimos e meio,
sendo que no Natal este valor subia para
onze salários, de uma única
vez . Era o custo de, pelo menos, dois
empregados por mês. Além
disso, a partir das 18:00 horas em ponto,
não dispúnhamos de mais
de ninguém. A solução
foi encontrar um empregado que trabalhasse
em horários alternados. Mesmo que
ganhasse um pouco mais, representaria
mais economia e eficiência para
o condomínio”, conta.
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O
passo seguinte foi averiguar e corrigir
os desperdícios com as contas de
água e luz. Depois, o síndico
aproveitou as sobras de caixa proporcionadas
pelas reduções de custos
para realizar pinturas externa e interna,
a substituição de todo a
fiação elétrica e
a troca de parte das instalações
de esgoto em todo o prédio, principalmente
na garagem, onde ocorriam as maiores infiltrações.
Também foram feitas outras reformas
de menor vulto, sem precisar recorrer
a cotas extras. |
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Dicas do Síndico:
Para ser bem-sucedido à frente
de uma administração de
condomínio, é necessário,
antes de tudo, altruísmo. Aliás,
isso serve para tudo na vida, e o condomínio
é parte da vida de todos nós.
Boa vontade não é suficiente.
É necessário pensar nas
prioridades, escolher e planejar o que
precisa ser feito primeiro, sempre de
acordo com as características
do condomínio, dos condôminos
e dos usuários.
Custo elevado da cota condominial, infiltrações,
insatisfação com a administração,
deterioração generalizada
do imóvel e desobediência
à convenção são
questões decorrentes da falta
de assistência de uma administradora
quando o síndico não possui
conhecimentos técnicos. Esta
carência administrativa expõe
o condomínio à degradação
física, ações trabalhistas
e custos excessivos.
A redução de custos deve
vir em primeiro lugar. A maior benfeitoria
para um condomínio é lançar
os gastos em uma planilha, verificando
se as maiores despesas e consumos encontram-se
proporcionais ao porte e ao tipo do
imóvel. Depois, efetuar as adequações
e correções necessárias,
que podem até mesmo limitar o
número de pessoal. Neste quesito,
é importante um comentário:
os empregados não devem ter função
"aquece cadeira ou informante".
Devem ser preparados para diversas funções
(pedreiro, carpinteiro, eletricista,
tudo menos "fofoqueiro").
Certamente, eles gostarão de
ser reconhecidos pelos seus potenciais.
Delegar é, antes de tudo, um
ato de humanidade, pois representa dar
oportunidades.
Outro ato importante corresponde ao
levantamento das pendências físicas
do imóvel, iniciando as correções
com moderação, pois, quando
o orçamento extrapola, as idéias
tornam-se contrárias às
melhorias. É a resistência
monetária. Por outro lado, as
benfeitorias geram uma economia que
ajuda a investir mais em melhoramentos.
Deve-se sempre começar pelos
mais úteis e necessários,
cuidando depois do conforto e da aparência.
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