PORTEIROS

 O LUXO DE QUEM RECICLA LIXO   
  Por: Dominique Valansi

Quem vê a elegância do porteiro Claudiano Bezerra Fernandes, do Condomínio Edifício Rio Tapajós, não imagina que tudo isso é conseguido às custas de muito lixo. Estranho? Não. Trata-se de uma idéia eficiente, que além de econômica é politicamente correta: fazer a seleção do lixo para vendê-lo e, com o lucro, comprar os uniformes. Ele divide a tarefa com seus colegas de trabalho Vicente Vieira do Carmo, o vigia João Cabral de Lima e o faxineiro Edgar Batista Freire.

  
O síndico, o advogado Alexandre Tadeu Martins Silva, chama Claudiano de “Mel Gibson”, e essa fama tem fundamento. Ele fez uma ponta no longa-metragem O Outro Lado da Rua, do diretor Marcos Bernstein, que é passado no bairro de Copacabana e tem uma cena na porta do prédio. “A cena foi muito simples. Eu conversava com uma senhora enquanto a Fernanda Montenegro e o Raul Cortez passavam”, descreve. Sem pretensões artísticas, mas admirador do cinema de ação, ele cita Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger como seus ídolos estrangeiros e Tony Ramos, como o ídolo nacional.

Nascido em Esperança, na Paraíba, Claudiano seguiu o destino de grande parte de sua família e veio para o Rio de Janeiro atrás de trabalho. Hoje, com jeito de carioca, afirma que acha a cidade ótima e que pretende ficar por aqui, indo para sua terra natal só para passar as férias e visitar os pais. Casado, mas ainda sem filhos, ele diz que gosta mesmo de jogar futebol e escutar música, principalmente MPB. “Gosto muito de Zé Ramalho, Fagner e Geraldo Azevedo”.

Sobre a reciclagem, Claudiano diz que foi uma iniciativa do síndico, que administra o prédio há quatro anos. A seleção do lixo começa nos apartamentos. A segunda fase da triagem é quando o material é armazenado na garagem do prédio. Por fim, o lixo é vendido para a Cooperativa dos Catadores de Copacabana, na rua Sá Ferreira. São cerca de 350 quilos de papel e quatro quilos de alumínio por semana. E o lucro vira roupas novas.

Sobre a reciclagem, Claudiano diz que foi uma iniciativa do síndico, que administra o prédio há quatro anos. A seleção do lixo começa nos apartamentos. A segunda fase da triagem é quando o material é armazenado na garagem do prédio. Por fim, o lixo é vendido para a Cooperativa dos Catadores de Copacabana, na rua Sá Ferreira. São cerca de 350 quilos de papel e quatro quilos de alumínio por semana. E o lucro vira roupas novas.

A escolha do novo modelo de uniforme foi para lá de democrática, decidida por Claudiano e pelos outros três funcionários. O antigo uniforme, na cor padrão azul, com o tradicional nome bordado (que encarecia a roupa), foi abolido. Em seu lugar entrou uma camisa branca e calça social escura, com sapatos que podem ser de grifes. A identificação do funcionário fica por conta de uma plaquinha que é aplicada na blusa e pode ser tirada com o término do expediente.

Além de ajudar na preservação do meio ambiente, a idéia ainda trouxe outros benefícios: a conscientização dos moradores para a importância da seleção do lixo, gerando mais uma receita para o prédio e reduzindo despesas. O resultado é condôminos satisfeitos e funcionários chiques como galãs de cinema!
   

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