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Lowndes Report
- A sua participação
nos Encontros de Síndicos
da ABADI tem sido muito
bem aceita pelo público,
sendo uma das palestras
mais citadas na avaliação
do evento. O que o levou
a se aproximar deste segmento?
Carlos
Minc - A ABADI
é uma entidade que
tem demonstrado muita preocupação
com as questões ligadas
à qualidade de vida
dos moradores de nossa cidade
e com o meio ambiente. Além
disso, tem uma credibilidade
muito grande entre síndicos
e administradores de condomínios.
Logo após a aprovação
da Lei de Saúde Auditiva,
fechamos uma parceria com
a ABADI para participarmos
desses encontros esclarecendo
dúvidas sobre a lei,
principalmente sobre a questão
das sinaleiras, que estão
diretamente ligadas aos
condomínios. Este
ano, desejo ampliar a parceria
com a ABADI para atuarmos
juntos em outras frentes,
como coleta seletiva de
lixo, economia de água
nos condomínios e
cursos para os porteiros
e funcionários de
prédios.
Lowndes
Report -
Que perguntas, reivindicações
e cobranças têm
recebido dos síndicos
a partir dos Encontros que
participou?
Carlos
Minc - Esses encontros
são espetaculares,
conseguindo reunir uma grande
quantidade de síndicos,
administradores de condomínios
e até representantes
de associações
de moradores. É um
público extremamente
gentil e que tem demonstrado
um grande interesse em melhorar
seus condomínios
para que estejam de acordo
com a legislação
ambiental em vigor. As perguntas
são variadas. Perguntam
muito sobre meio ambiente
e coleta seletiva de lixo,
mas a maioria das perguntas
acaba focando mesmo na Lei
de Saúde Auditiva,
principalmente as sinaleiras.
Desses encontros, saíram
inclusive dois pedidos da
ABADI ao meu mandato, que
foram atendidos. O primeiro,
para que derrubássemos
um projeto de lei em tramitação
na Alerj que obrigava os
condomínios a contratar
bombeiros e PMs para treinamento
de funcionários em
ações de prevenção
a incêndios e de normas
de segurança. Conseguimos
derrubá-lo. O segundo
pedido foi para que déssemos
entrada em um projeto de
lei para proibir a Cedae
de cobrar aos condomínios
pelo consumo mínimo
de água, independentemente
de eles terem hidrômetros
ou não. Uma cobrança
absurda, que inclusive incentiva
o gasto de água.
Nosso projeto de lei já
está em tramitação,
tendo passado por várias
comissões da Alerj.
Pelo projeto, os condomínios
terão que pagar apenas
pelo consumo efetivo de
água; nada além
disso.
Lowndes
Report -
Os conflitos em condomínios
causados pelo barulho são
freqüentes. Como síndicos
e moradores devem proceder
para dirimir o problema?
Carlos
Minc - O problema
da poluição
sonora vem aumentando significativamente
nos grandes centros urbanos,
onde a população
é incomodada constantemente
por fontes de poluição
sonora, às vezes
até mesmo dentro
de casa. A Lei 4324/04 estabelece,
por exemplo, o desligamento
do dispositivo sonoro dos
alarmes de garagem, a adoção
de normas que minimizem
os ruídos e o tratamento
acústico de atividades
de elevado potencial de
poluição sonora.
Os moradores podem fazer
denúncias sobre fontes
de ruídos à
Comissão de Defesa
do Meio Ambiente da Alerj
por email (carlos.minc@openlink.com.br)
ou por telefone (2588-1363),
à Secretaria Municipal
de Meio Ambiente (2503-2977
e 3972-6221), à Ouvidoria
do Meio Ambiente (2273-5515
e 2503-3149) ou, ainda,
ao Disque-Barulho (2503-2795).
Vale lembrar que os conflitos
em condomínios, muitas
vezes, podem ser amenizados
se houver a conscientização
de moradores para reduzir
algumas fontes de ruídos
que tanto atormentam seus
vizinhos, como um som alto,
por exemplo.
Lowndes
Report -
Como surgiu a Lei de Saúde
Auditiva e como ficou a
legislação
sobre o tema depois de sua
aprovação,
tanto no âmbito do
estado quanto do município
do Rio?
Carlos
Minc - Em 2004,
tivemos uma grande vitória
com a aprovação
da Lei 4324, de minha autoria,
uma legislação
pioneira no país
e que estabelece diretrizes
para proteger a saúde
auditiva da população
da cidade do Rio de Janeiro
e seus municípios.
A lei define as maiores
fontes de ruídos
e estabelece convênios
entre estado e municípios
para seu controle a partir
de políticas coordenadas.
Atualmente, estamos mapeando
as principais fontes de
poluição sonora
com a ajuda de várias
associações
de moradores - desde o Leblon
até Campo Grande.
Com esses mapas prontos,
vamos realizar novas audiências
públicas com autoridades
em busca de soluções
para os principais problemas
detectados. Já obtivemos
avanços, com a Comlurb
implantando uma nova política
para diminuir os ruídos
dos caminhões que
fazem coleta noturna.
Lowndes
Report -
E quanto à lei das
sinaleiras?
Carlos
Minc - Diariamente,
a Comissão de Defesa
de Meio Ambiente da Alerj
recebe várias denúncias
de poluição
sonora, 80% delas relacionadas
aos alarmes de garagem,
as terríveis sinaleiras.
Também é grande
o número de ligações
de moradores e síndicos
irritados com as sinaleiras,
querendo informações
sobre como proceder para
desligar o dispositivo sonoro
do alarme de garagem, conforme
estabelece a Lei de Saúde
Auditiva. A Lei Municipal
nº 938/86 determina
a obrigatoriedade de instalação
de sinaleiras de advertência
para pedestres nas entradas
e saídas de veículos
e vincula a concessão
do habite-se e licenciamento
de obras no prédio
à instalação
das mesmas. A Lei Estadual
nº 4324/04 desobriga
a instalação
dos alarmes de garagens
e proíbe o uso dos
que não sejam acionados
apenas na saída dos
veículos.
Lowndes
Report -
Muitos síndicos se
preocupam com as conseqüências
da retirada dos equipamentos
sonoros. Como tem sido a
resposta dos síndicos
à modificação
na legislação
e que sugestões estão
sendo apontadas a fim de
evitar acidentes?
Carlos
Minc - Em alguns
bairros, o problema da sinaleira
está sendo sanado.
Alguns síndicos nos
procuram aliviados para
comunicar que desligaram
as sinaleiras e que fizeram
modificações
nas entradas das garagens,
como a instalação
de redutores de velocidade
e placas no interior das
mesmas para alertar os motoristas
a saírem da garagem
com atenção.
Essas sinaleiras não
evitam acidentes; elas só
servem para incomodar a
população
do Rio de Janeiro. Vamos
continuar denunciando e
alertando a população
sobre os riscos sonoros
para a saúde humana.
Lowndes
Report -
Sobre a coleta seletiva,
quais as propostas para
a melhoria do atendimento
à população?
Carlos
Minc - A coleta
seletiva de lixo realizada
pela Comlurb é uma
exigência da lei municipal
de limpeza urbana - nº
3273/01. Essa coleta seletiva
porta a porta é realizada
apenas uma vez por semana
em alguns bairros do Rio
de Janeiro - e o grande
volume de lixo restante
acaba mesmo em lixões.
Precisamos de uma política
pública séria
e funcional para dar solução
a este grande desafio, que
é gerenciar nosso
lixo. É preciso organizar
campanhas para conscientizar
a população
e acabar com o desperdício
e o consumismo inútil.
E, também, criar
cooperativas de catadores
para acabar de vez com a
exclusão social daqueles
vivem do lixo.
Lowndes
Report -
Além destas leis,
que outras interferem mais
diretamente no cotidiano
dos condomínios?
Quais as que merecem maior
atenção dos
síndicos e dos moradores?
Carlos
Minc - Basicamente,
as leis que têm a
ver com o cotidiano dos
condomínios estão
diretamente ligadas à
segurança pública,
à prevenção
de incêndios, às
melhorias no acesso de deficientes
físicos em edifícios,
à proibição
de discriminação
em elevadores sociais a
empregadas e funcionários,
à conservação
de fachadas e calçadas
e à coleta de lixo
e à saúde
auditiva.
Lowndes
Report -
Como a população
e, especialmente, os síndicos
podem manter-se informados
sobre as leis em vigor e
suas implicações?
A quem pode-se recorrer
em caso de reclamações
e dúvidas quanto
à aplicação
dessas leis?
Carlos
Minc - Para obter
mais informações,
basta acessar meu site (www.minc.com.br).
O ideal é que os
interessados enviem seus
dados pessoais (nome, telefone
e email) para serem cadastrados
em nossos arquivos e receberem
nosso material, com todas
as informações
e atualizações
das leis. O endereço
eletrônico para contato
é carlos.minc@openlink.com.br
e o telefone é 2588-6313.
A ABADI também é
uma boa fonte para a população
se manter informada sobre
novas leis e outras notícias
do seu interesse. |