ECONOMIA INTELIGENTE
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 Ações que valem muito

O conceito de economia inteligente poderia ser resumido da seguinte forma: economizar naquilo que estou gastando desnecessariamente. Se a noção de necessidade parece subjetiva demais, basta se perguntar se é necessário, por exemplo, manter todas as luzes das áreas comuns acesas 24 horas, quando os sensores de presença já são hoje tão difundidos. A lógica da chamada economia inteligente é assim: soma rigor contra desperdícios e atenção às novas soluções tecnológicas. Se existe alternativa mais eficiente, certamente estou perdendo dinheiro ao não aproveitá-la. Quando reduzir despesas condominiais torna-se algo tão necessário, nenhum síndico pode ficar de fora desta nova forma de economizar. Para três grandes despesas – luz, água e elevador – já há tecnologia para ajudá-lo nesta empreitada.

No quesito economia de energia, os sensores de presença surgiram como uma forma eficiente de automatizar o processo de acender e apagar as luzes, resultando em economia em locais com um fluxo temporário de pessoas, como halls de elevadores, longos corredores de hotel e grandes prédios, garagens, escadas, portarias e almoxarifados, entre outros. "Os fabricantes garantem que, com o uso desses equipamentos, pode-se obter uma economia de até 90% em relação ao gasto gerado por luzes que ficam 24 horas acesas por dia. Entenda-se que uma luz acesa é como um taxímetro girando. Com a utilização dos sensores de presença, a lâmpada que ficava acesa durante 24 horas passará a acender por 1 minuto para cada pessoa que passar, ou seja, troca-se 24 horas por minutos de consumo de energia”, afirma Maurício Helman, um dos fabricantes.

Ele explica que a instalação dos sensores de presença exige cuidados, pois estes aparelhos não são como simples interruptores que ligam e desligam lâmpadas. “Há uma variedade grande para diversas situações: sensores para teto e parede, sensores de embutir para tetos rebaixados, etc. Alguns só trabalham com lâmpadas incandescentes e outros servem para qualquer tipo de lâmpada. Projetos amadores podem custar caro e precisarem ser refeitos”, esclarece.

O síndico Deu Certo, Rogério Guimarães, do condomínio Sutton Place, de Niterói, adotou a solução mais adequada à sua necessidade e obteve uma economia da ordem de mil a mil e duzentos reais por mês, pagando o investimento em cinco meses. “Foi uma economia de 7,5%, sem prejuízo de serviços. Pelo contrário, isto possibilitou dar maior conforto aos moradores deixando os três elevadores ligados nos horários de maior movimento. Não posso economizar em itens que coloquem em risco o condomínio, como no pagamento da administradora, na manutenção de itens de segurança ou em qualquer coisa que traga dificuldade para os moradores. Agora o que vier é lucro e já estamos planejando outros investimentos que possam nos garantir a redução de outras despesas”, diz.

A intenção do síndico de Niterói é fazer o mesmo que fez Zilda Iandoli, administradora do condomínio do Edifício Sardenha, na Penha, em São Paulo. "Estamos armazenando toda água de chuva no 1º e 2º subsolos para a rega das plantas e a lavagem de carros, garagens e escadas, o que nos tem gerado uma economia de quase mil reais por mês”, conta.

Captação de água da chuva reduz conta de água e luz

A captação de água da chuva para aproveitamento em residências, condomínios e indústrias está ganhando força no Brasil. “O País detém muita água, porém não nos lugares onde a população se encontra concentrada (mais de 80% na região costeira). Em cidades grandes, como São Paulo, a situação se carateriza assim: "Seis meses com enchentes e seis meses sem água", afirma Jack M. Sickermann, que trabalha com gerenciamento sustentável de água da chuva. A tecnologia utilizada vem da Alemanha, país que há décadas faz o reaproveitamento de águas.

O Rio já dispõe de lei que prevê o aproveitamento das água da chuva (nº 4.393, de 6 de setembro de 2004, e o decreto municipal nº 23940), que obriga as empresas projetistas e de construção civil do Rio a prover coletores, caixa de armazenamento e distribuidores para água de chuva nos empreendimentos residenciais que abriguem mais de 50 famílias ou nos empreendimentos comerciais com mais de 50 m2 de área construída, o mesmo acontecendo com São Paulo, que dispõe de dois grandes centros de pesquisa – a Universidade da Água (Uniagua) e a Universidade de São Paulo (USP). Ambas estão desenvolvendo estudos para viabilizar o uso da água. No campus da USP, foi montado um sistema de captação para os prédios. A captação é feita pelo telhado e chega ao reservatório via tubulação. Uma grade é utilizada para evitar que a sujeira mais grossa (folhas e detritos) entre no sistema e entupa as tubulações. Há ainda um outro sistema para remover a sujeira mais fina. A água fica acondicionada em um reservatório diferente daquele que recebe a água tratada. Segundo os pesquisadores, a água das chuvas sofre um processo natural de diluição e autodepuração ao longo de seu percurso hídrico, porém, para uso humano como água potável deve passar por filtragem e cloração.

No site da Uniagua (www.uniagua.org.br), no ícone Dicas, há uma série de dicas sobre economia d'água, desde como detectar vazamentos nos diferentes pontos de instalações hidráulicas até campanhas de conscientização para a economia, tudo ilustrado e de acesso gratuito. O material pode ser uma boa opção para iniciar um trabalho de sensibilização dos moradores para um consumo racional de água. Outro site que contém informações é o www.agua-de-chuva.com.

Economia é utilizada em benfeitorias

“Desde pequena aprendi a economizar água porque minha mãe nos dizia que um dia ela iria acabar. Quando assumi a gestão, em 1998, comecei a passar para os condôminos a idéia da cisterna. Fui criticada porque muitos diziam que era um absurdo querer aproveitar a água de chuva, mas não dei importância”, recorda Zilda Iandoli. As críticas do passado deram lugar a elogios, quando o condomínio começou a utilizar o dinheiro economizado para benfeitorias. “Antes de 1999, nosso consumo em m3 era de 980 a 1.100, hoje fica entre 680 e 750. Já a luz era de 5300 kwz e atualmente não passa de 3550 kwz. Com a economia, colocamos 13 pontos de câmeras para o circuito interno de TV, impermeabilizamos as caixas d´água, reestruturamos e equipamos o play-ground e trocamos os pisos do hall social, entre outras coisas. Desde que assumi, a cota condominial não teve aumento”, orgulha-se.

O condomínio utiliza a água da chuva para limpeza das garagens, calçadas e escadas a cada 15 dias, bem como para a lavagem dos sete banheiros do andar térreo diariamente. “Estamos iniciando um reservatório de 5 mil litros no andar térreo com uma bomba que jogará a água do 2º subsolo para este andar, onde será utilizada para as descargas dos banheiros. Os gastos dessa obra estão estimados em R$ 2.000,00”, conta.

Esgoto a vácuo e dispositivos contra usuários mal educados

Outra novidade que promete contribuir para a redução de custos é o sistema de coleta de esgoto a vácuo. Criado na Suécia há mais de 40 anos, só agora ele começa a ser difundido no Brasil como um meio efetivo de economizar água. Mais utilizado em aviões, trens e navios, ele começa a ganhar adeptos nas indústrias, shoppings, hospitais, estádios esportivos e condomínios, sejam nas novas construções ou como opção em reformas. Sua principal característica, a economia de água, se dá através da descarga dos vasos sanitários efetuada com apenas 1,2 litros. As vantagens dos sistemas incluem a geração de esgoto, que acompanha o volume de água usado e, também, é reduzido.

E quando o assunto é elevadores, trocar equipamentos antigos ou modernizá-los é a medida mais indicada para quem quer reduzir gastos. O investimento, alto, paga-se com o tempo pela economia gerada, tanto de energia, quanto em manutenção e durabilidade de peças. Alguns dos dispositivos mais pedidos pelos condomínios são os dispositivos contra a duplicidade de chamadas de elevadores - que registram as chamadas apenas para o elevador mais próximo do andar solicitante; o sinalizador de elevador preso – que toca quando um usuário prende o elevador em um andar, com a porta aberta, após 15 ou 30 segundos; e o sistema contra chamadas múltiplas - que identifica automaticamente quando o elevador parou em três andares sem que nenhuma porta tenha sido aberta e interrompe o processo a fim de evitar perdas com uma das brincadeiras preferidas das crianças: acionar vários botões.
  

  
Superdica:

Inicie a economia inteligente com uma medida que não exige gastos. Oriente e divulgue informações aos empregados e aos condôminos, colocando avisos e cartazes em pontos estratégicos, sobre o combate ao desperdício. Estimule a conscientização para um consumo racional.
  

 
  
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