GENTE QUE FAZ
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Entrevista - Carlos Minc, Deputado Estadual

 Quem sabe, faz a hora!

    
A ciência já demonstrou: a solidariedade é genética, faz parte do ser humano. Por isso, podemos observar tantas iniciativas em prol daqueles que sofrem dos mais variados tipos de carências. A diferença é que alguns se dedicam a uma ação objetivando uma resposta mais emergencial. É a doação de alimentos, roupas, remédios, geralmente para vítimas de catástrofes, como para as populações afetadas pelas tsunamis. Outros trabalham para transformar uma realidade, como as ações voltadas para o meio ambiente, ou as dedicadas a dar apoio à auto-transformação de indivíduos em situação de exclusão social. Seja individualmente, como voluntário em uma organização não governamental, ou em conjunto com os vizinhos do bairro ou do edifício, sempre é possível fazer alguma coisa para melhorar o mundo em que vivemos. E é o que muitos estão fazendo.

  
Os moradores que compõem a Associação de Moradores da Rua Lauro Muller, também conhecida como ALMA e localizada na Urca, resolveram cuidar da qualidade de vida de sua localidade, adotando a Praça General Leandro, que fica no centro dos prédios da área de atuação da ALMA. A Associação surgiu, justamente, desse movimento em defesa do lugar e pela luta para que se implantasse ali um parque. “Até o final da década de 80, a prefeitura mantinha uma equipe de jardineiros cuidando da área, mas aos poucos ela foi sendo reduzida até que tudo foi se degradando”, conta o presidente da Associação, Abílio Tozini. Foi quando os moradores compreenderam que quem mais perdia com aquela situação eram eles mesmos e partiram para ação.

Graças ao trabalho de moradores voluntários, a Associação começou a recuperar os jardins, até que em 1994 a diretoria da ALMA conseguiu convencer o conselho gestor da comunidade a contratar funcionários e partir para a adoção do parque, realizada em parceria com a prefeitura, através do Programa de Adoção de Áreas Verdes da Fundação Parques e Jardins.

Todos juntos fazem mais

“A ALMA mantêm os canteiros e gramados e faz pequenas podas, a Prefeitura faz os trabalhos mais pesados de poda, quando necessário, e a COMLURB faz a varredura das áreas de saibro, calçadas e pedras portuguesas”, explica Tozini. A mobilização se tornou contagiante e ao longo dos anos a Associação tem contado com a ajuda de empresas que atuaram ou atuam na vizinhança para melhorar os equipamentos urbanos, bancos, balanços etc. ou para trocá-los por novos.

O presidente da Associação diz que os objetivos que a comunidade tinha quando adotou a área estão plenamente alcançados, mas que há ainda outros benefícios de um processo de adoção. “O fato de sermos parceiros da Prefeitura, de certa forma, faz com que ela nos ouça em outras questões. Não que tenhamos tratamento privilegiado, mas de fato a maioria dos Órgãos da Prefeitura, mesmo em situações em que estamos criticando, nos olha e ouve como um parceiro e não uma comunidade que só pede. Nos vêem como uma coletividade que também se esforça de forma presente e participante na hora de fazer o que precisa ser feito para o bem de todos”, afirma.

Outro retorno do qual o presidente da ALMA se orgulha é do exemplo dado pela comunidade de que o que é público pode, e precisa, ser cuidado e preservado por todos. Um entendimento que, acredita, pode transformar o país. “Se esta iniciativa passar a ser praticada em cada canto da cidade, do estado, do país, com certeza seremos todos cidadãos de um Brasil muito melhor porque quem mora cuida do lugar onde mora. Afinal de contas, a parte de fora das paredes da sua casa não deixa de ser uma extensão dela”, defende.

Segundo a Fundação Parques e Jardins, os espaços passíveis de serem adotados são, além de praças e parques, largos e jardins, canteiros e ilhas, monumentos e chafarizes, equipamentos urbanos e até árvores. O importante é que haja uma aproximação entre a incitava privada, a sociedade civil e o Poder Público objetivando a conscientização de que a conservação do patrimônio da Cidade não é exclusividade da gestão pública. Para saber mais sobre o Programa de Adoção de Áreas Verdes, basta entrar em contato com a Fundação Parques e Jardins pelo telefone 2323-3567.

ONGS e OSCIPS mobilizam a população

Integrar-se a movimentos sociais ou criar um novo, buscando participar da melhoria das condições de vida de quem está próximo ou distante, pode unir e criar um clima de harmonia na coletividade. Isso é o que muitos grupos e indivíduos em todo o mundo estão fazendo, através de Organizações Não Governamentais (ONGS) e de Organizações Civis (OSCIPS).

Fundada em 1992, a APREC (Associação de Proteção a Ecossistemas Costeiros) possui cerca de 1.300 associados e/ou voluntários participantes, interagindo com diversas instituições, ONG’s e universidades e contribuindo para mudar a realidade dos moradores de Itaipú, em Niterói. Suas ações incluem projetos de recuperação ambiental, como o plantio de bromélias facilitadoras da biodiversidade e de manguezais, a geração de trabalho e renda, com o estudo e o ensino do cultivo de ostras, mexilhões, entre outros organismos marinhos, além de educação e cultura, com turmas de Telecurso Comunidade, Informática Popular e Ensino Interdisciplinar de Meio Ambiente.

Para o diretor presidente da APREC, Sérgio Mattos Fonseca, este tipo de mobilização é um passo importante na valorização do meio ambiente, o que inclui melhores condições de vida para os seres humanos: “O que se pretende alcançar é a melhoria da qualidade de vida para os moradores dessas áreas”, diz. Muitos dos voluntários moram ou são vizinhos da região e, em conjunto com universitários, empresários, organizações diversas e o poder público, trabalham para transformar a realidade local.

Informações sobre todos os projetos da APREC e as formas de participar encontram-se disponíveis no site da ONG: www.aprec.org.br.
  

Saindo das ruas
Voluntários ajudam a mudar a vida de quem vive nas ruas

Quem é que gosta de sair do conforto de seu condomínio e se confrontar com a triste realidade vivida pelos moradores de rua? Uma cena que incomoda muita gente e, por isso, alguns estão se mobilizando para modificá-la. A Organização Civil de Ação Social (OCAS) tem por objetivo gerar renda e oportunidades de trabalho para moradores de rua que têm mais de 18 anos. É ela a responsável pela a revista OCAS – saindo das ruas, uma publicação mensal, com apresentação caprichada e conteúdo dedicado a notícias, comportamento, lançamentos artísticos e ensaios, que é vendida pelos moradores de rua, no Rio e em São Paulo. Todo o trabalho de feitura e manutenção das ações da OSCIPS é realizado exclusivamente por voluntários. As revistas saem por R$ 1,00, cada uma, para os moradores de rua, que as vendem por R$ 3,00 e ficam com R$ 2,00. Para fazer parte do grupo, eles passam por uma triagem e por um treinamento, assinam um código de conduta e recebem um crachá de identificação. A maioria atua na Zona Sul, próximo aos cinemas, shoppings, universidades e supermercados, onde vêm conquistando novos leitores e, com isso, mudando suas vidas.

  
Paulo César Sorrilha da Silva conheceu o projeto em agosto de 2004 e, com a venda das revistas, já deixou a situação de rua para trás. “Estava saindo da rua e indo para um albergue. Um colega me falou da revista e comecei a trabalhar com ela ainda naquele mês. Eu tinha aquela garra de voltar a trabalhar, mas não sabia onde, nem como. Na rua a gente fica com a mente muito perturbada. Hoje tenho prazer quando pego a minha pasta e coloco debaixo do braço para trabalhar; sou outra pessoa. Escolhi a Ilha do Governador como ponto de vendas e estou refazendo a minha vida através da Ocas. Já encontrei um lugar para morar e agora é trabalhar mais para ir comprando o necessário: um fogão, uma cama, uma geladeira. Se não fosse a Ocas não sei se teria essa oportunidade”, afirma o ex-morador de rua.

A publicação reserva espaço para que casos como este sejam contados, pois, além de gerar renda, a Organização tem, também, a intenção de contribuir para vencer preconceitos. “Pesa sobre estas pessoas um estigma muito forte: elas são sempre associadas a atividades criminosas ou à vagabundagem quando, na verdade, muitas têm uma alternativa de sobrevivência, seja catando papel, guardando ou lavando carros, fazendo transporte de entulho ou atuando como camelô – ainda que estas atividades não permitam uma renda suficiente para manterem uma moradia. Ninguém está na rua porque quer; as pessoas foram levadas a esta situação. Assim como enfrentaram um longo caminho até a rua, terão de trilhar um árduo percurso até conseguirem sair dela. Nosso objetivo é contribuir para isso”, explica Luciano Rocco, diretor-presidente da Organização.

E é isso que os voluntários da OCAS estão fazendo. Assim como aconteceu com Paulo, e tantos outros, espera-se que outras pessoas em situação de rua possam recuperar-se por meio de seu próprio esforço. “A gente vive em uma cultura de assistencialismo. A maioria das ações acaba formando pedintes e a gente vai no caminho contrário. As pessoas chegam aqui acostumadas a pedir, a viver de instituição em instituição pedindo comida aqui, roupa ali, dependendo da estrutura do estado para morar. E onde fica a cultura do trabalho nessa história? A gente briga contra uma força muito grande. Quanto maior o número de pessoas que quiserem participar de iniciativas como esta, mais nos distanciaremos dessa visão equivocada da questão”, conclui.

Para saber mais sobre a Organização e a revista OCAS entre no site: www.ocas.org.br.
  

  
PARTICIPAÇÃO CONSCIENTE
  
“O estado somos nós, não existe o governo e a sociedade. O governo é a sociedade. Se a gente quer transformar este país, cada um tem que fazer por onde. Há milhões de maneiras e esta (a OCAS) é apenas uma delas. Isso aqui é um grão de areia no deserto, mas, se cada um fizer a sua parte, mudaremos esse deserto. O mais importante é ter consciência de que, embora existam ações que não transformam, existem também as que transformam. E, se há a vontade de participar, deve-se refletir se essas ações irão criar autonomia, se as pessoas com as quais vai trabalhar estão dando condições de se tornarem sujeitos de sua própria transformação, se vai contribuir, efetivamente, para que se apropriem dos meios para continuar, por si só, melhorando a sua qualidade de vida”.
Luciano Rocco, presidente da Organização Civil.

“Não entendemos a sobrevivência de qualquer ecossistema sem uma integração participativa da comunidade de seu entorno na gestão/conservação dos seus recursos naturais, garantindo de forma sustentável o desenvolvimento desses ambientes. Esta é a única forma de as futuras gerações poderem contar com a herança do convívio harmonioso entre a espécie humana e a biodiversidade”.
Sérgio de Mattos Fonseca, Diretor da APREC Ecossistemas Costeiros.

“Cremos que, ao dar ciência que cada morador, com a doação que o seu condomínio faz para a ALMA, conserva a praça, os jardins, os gramados e os brinquedos, garantimos uma conscientização necessária para o cuidado com o que é de todos. Afinal, são os moradores que terão que consertar o que for estragado. Assim, fica muito mais fácil explicar para crianças e adolescentes, ou mesmo para adultos, que todos devemos preservar. Acreditamos que com essa participação damos uma aula constante de que o que é público não é coisa sem dono, mas sim com muitos donos”.
Abílio Tozini, Presidente da ALMA - Associação de Moradores da Lauro Muller, Ramon Castilla, Xavier Sigaud e Adjacências.

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