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| GENTE
QUE FAZ |
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Quem
sabe, faz a hora! |
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A ciência já demonstrou:
a solidariedade é genética,
faz parte do ser humano. Por isso,
podemos observar tantas iniciativas
em prol daqueles que sofrem dos
mais variados tipos de carências.
A diferença é que
alguns se dedicam a uma ação
objetivando uma resposta mais emergencial.
É a doação
de alimentos, roupas, remédios,
geralmente para vítimas de
catástrofes, como para as
populações afetadas
pelas tsunamis. Outros trabalham
para transformar uma realidade,
como as ações voltadas
para o meio ambiente, ou as dedicadas
a dar apoio à auto-transformação
de indivíduos em situação
de exclusão social. Seja
individualmente, como voluntário
em uma organização
não governamental, ou em
conjunto com os vizinhos do bairro
ou do edifício, sempre é
possível fazer alguma coisa
para melhorar o mundo em que vivemos.
E é o que muitos estão
fazendo.
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Os moradores que compõem
a Associação de Moradores
da Rua Lauro Muller, também
conhecida como ALMA e localizada
na Urca, resolveram cuidar da qualidade
de vida de sua localidade, adotando
a Praça General Leandro,
que fica no centro dos prédios
da área de atuação
da ALMA. A Associação
surgiu, justamente, desse movimento
em defesa do lugar e pela luta para
que se implantasse ali um parque.
“Até o final da década
de 80, a prefeitura mantinha uma
equipe de jardineiros cuidando da
área, mas aos poucos ela
foi sendo reduzida até que
tudo foi se degradando”, conta
o presidente da Associação,
Abílio Tozini. Foi quando
os moradores compreenderam que quem
mais perdia com aquela situação
eram eles mesmos e partiram para
ação.
Graças
ao trabalho de moradores voluntários,
a Associação começou
a recuperar os jardins, até
que em 1994 a diretoria da ALMA
conseguiu convencer o conselho gestor
da comunidade a contratar funcionários
e partir para a adoção
do parque, realizada em parceria
com a prefeitura, através
do Programa de Adoção
de Áreas Verdes da Fundação
Parques e Jardins.
Todos
juntos fazem mais
“A
ALMA mantêm os canteiros e
gramados e faz pequenas podas, a
Prefeitura faz os trabalhos mais
pesados de poda, quando necessário,
e a COMLURB faz a varredura das
áreas de saibro, calçadas
e pedras portuguesas”, explica
Tozini. A mobilização
se tornou contagiante e ao longo
dos anos a Associação
tem contado com a ajuda de empresas
que atuaram ou atuam na vizinhança
para melhorar os equipamentos urbanos,
bancos, balanços etc. ou
para trocá-los por novos.
O
presidente da Associação
diz que os objetivos que a comunidade
tinha quando adotou a área
estão plenamente alcançados,
mas que há ainda outros benefícios
de um processo de adoção.
“O fato de sermos parceiros
da Prefeitura, de certa forma, faz
com que ela nos ouça em outras
questões. Não que
tenhamos tratamento privilegiado,
mas de fato a maioria dos Órgãos
da Prefeitura, mesmo em situações
em que estamos criticando, nos olha
e ouve como um parceiro e não
uma comunidade que só pede.
Nos vêem como uma coletividade
que também se esforça
de forma presente e participante
na hora de fazer o que precisa ser
feito para o bem de todos”,
afirma.
Outro
retorno do qual o presidente da
ALMA se orgulha é do exemplo
dado pela comunidade de que o que
é público pode, e
precisa, ser cuidado e preservado
por todos. Um entendimento que,
acredita, pode transformar o país.
“Se esta iniciativa passar
a ser praticada em cada canto da
cidade, do estado, do país,
com certeza seremos todos cidadãos
de um Brasil muito melhor porque
quem mora cuida do lugar onde mora.
Afinal de contas, a parte de fora
das paredes da sua casa não
deixa de ser uma extensão
dela”, defende.
Segundo a Fundação
Parques e Jardins, os espaços
passíveis de serem adotados
são, além de praças
e parques, largos e jardins, canteiros
e ilhas, monumentos e chafarizes,
equipamentos urbanos e até
árvores. O importante é
que haja uma aproximação
entre a incitava privada, a sociedade
civil e o Poder Público objetivando
a conscientização
de que a conservação
do patrimônio da Cidade não
é exclusividade da gestão
pública. Para saber mais
sobre o Programa de Adoção
de Áreas Verdes, basta entrar
em contato com a Fundação
Parques e Jardins pelo telefone
2323-3567.
ONGS
e OSCIPS mobilizam a população
Integrar-se
a movimentos sociais ou criar um
novo, buscando participar da melhoria
das condições de vida
de quem está próximo
ou distante, pode unir e criar um
clima de harmonia na coletividade.
Isso é o que muitos grupos
e indivíduos em todo o mundo
estão fazendo, através
de Organizações Não
Governamentais (ONGS) e de Organizações
Civis (OSCIPS).
Fundada em 1992, a APREC (Associação
de Proteção a Ecossistemas
Costeiros) possui cerca de 1.300
associados e/ou voluntários
participantes, interagindo com diversas
instituições, ONG’s
e universidades e contribuindo para
mudar a realidade dos moradores
de Itaipú, em Niterói.
Suas ações incluem
projetos de recuperação
ambiental, como o plantio de bromélias
facilitadoras da biodiversidade
e de manguezais, a geração
de trabalho e renda, com o estudo
e o ensino do cultivo de ostras,
mexilhões, entre outros organismos
marinhos, além de educação
e cultura, com turmas de Telecurso
Comunidade, Informática Popular
e Ensino Interdisciplinar de Meio
Ambiente.
Para
o diretor presidente da APREC, Sérgio
Mattos Fonseca, este tipo de mobilização
é um passo importante na
valorização do meio
ambiente, o que inclui melhores
condições de vida
para os seres humanos: “O
que se pretende alcançar
é a melhoria da qualidade
de vida para os moradores dessas
áreas”, diz. Muitos
dos voluntários moram ou
são vizinhos da região
e, em conjunto com universitários,
empresários, organizações
diversas e o poder público,
trabalham para transformar a realidade
local.
Informações
sobre todos os projetos da APREC
e as formas de participar encontram-se
disponíveis no site da ONG:
www.aprec.org.br.
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| Saindo
das ruas
Voluntários ajudam
a mudar a vida de quem vive
nas ruas
Quem
é que gosta de sair
do conforto de seu condomínio
e se confrontar com a triste
realidade vivida pelos moradores
de rua? Uma cena que incomoda
muita gente e, por isso, alguns
estão se mobilizando
para modificá-la. A
Organização
Civil de Ação
Social (OCAS) tem por objetivo
gerar renda e oportunidades
de trabalho para moradores
de rua que têm mais
de 18 anos. É ela a
responsável pela a
revista OCAS – saindo
das ruas, uma publicação
mensal, com apresentação
caprichada e conteúdo
dedicado a notícias,
comportamento, lançamentos
artísticos e ensaios,
que é vendida pelos
moradores de rua, no Rio e
em São Paulo. Todo
o trabalho de feitura e manutenção
das ações da
OSCIPS é realizado
exclusivamente por voluntários.
As revistas saem por R$ 1,00,
cada uma, para os moradores
de rua, que as vendem por
R$ 3,00 e ficam com R$ 2,00.
Para fazer parte do grupo,
eles passam por uma triagem
e por um treinamento, assinam
um código de conduta
e recebem um crachá
de identificação.
A maioria atua na Zona Sul,
próximo aos cinemas,
shoppings, universidades e
supermercados, onde vêm
conquistando novos leitores
e, com isso, mudando suas
vidas. |
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Paulo César Sorrilha
da Silva conheceu o projeto
em agosto de 2004 e, com a
venda das revistas, já
deixou a situação
de rua para trás. “Estava
saindo da rua e indo para
um albergue. Um colega me
falou da revista e comecei
a trabalhar com ela ainda
naquele mês. Eu tinha
aquela garra de voltar a trabalhar,
mas não sabia onde,
nem como. Na rua a gente fica
com a mente muito perturbada.
Hoje tenho prazer quando pego
a minha pasta e coloco debaixo
do braço para trabalhar;
sou outra pessoa. Escolhi
a Ilha do Governador como
ponto de vendas e estou refazendo
a minha vida através
da Ocas. Já encontrei
um lugar para morar e agora
é trabalhar mais para
ir comprando o necessário:
um fogão, uma cama,
uma geladeira. Se não
fosse a Ocas não sei
se teria essa oportunidade”,
afirma o ex-morador de rua.
A
publicação reserva
espaço para que casos
como este sejam contados,
pois, além de gerar
renda, a Organização
tem, também, a intenção
de contribuir para vencer
preconceitos. “Pesa
sobre estas pessoas um estigma
muito forte: elas são
sempre associadas a atividades
criminosas ou à vagabundagem
quando, na verdade, muitas
têm uma alternativa
de sobrevivência, seja
catando papel, guardando ou
lavando carros, fazendo transporte
de entulho ou atuando como
camelô – ainda
que estas atividades não
permitam uma renda suficiente
para manterem uma moradia.
Ninguém está
na rua porque quer; as pessoas
foram levadas a esta situação.
Assim como enfrentaram um
longo caminho até a
rua, terão de trilhar
um árduo percurso até
conseguirem sair dela. Nosso
objetivo é contribuir
para isso”, explica
Luciano Rocco, diretor-presidente
da Organização.
E
é isso que os voluntários
da OCAS estão fazendo.
Assim como aconteceu com Paulo,
e tantos outros, espera-se
que outras pessoas em situação
de rua possam recuperar-se
por meio de seu próprio
esforço. “A gente
vive em uma cultura de assistencialismo.
A maioria das ações
acaba formando pedintes e
a gente vai no caminho contrário.
As pessoas chegam aqui acostumadas
a pedir, a viver de instituição
em instituição
pedindo comida aqui, roupa
ali, dependendo da estrutura
do estado para morar. E onde
fica a cultura do trabalho
nessa história? A gente
briga contra uma força
muito grande. Quanto maior
o número de pessoas
que quiserem participar de
iniciativas como esta, mais
nos distanciaremos dessa visão
equivocada da questão”,
conclui.
Para
saber mais sobre a Organização
e a revista OCAS entre no
site: www.ocas.org.br.
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PARTICIPAÇÃO CONSCIENTE
“O estado somos nós,
não existe o governo e a sociedade.
O governo é a sociedade. Se a
gente quer transformar este país,
cada um tem que fazer por onde. Há
milhões de maneiras e esta (a
OCAS) é apenas uma delas. Isso
aqui é um grão de areia
no deserto, mas, se cada um fizer a
sua parte, mudaremos esse deserto. O
mais importante é ter consciência
de que, embora existam ações
que não transformam, existem
também as que transformam. E,
se há a vontade de participar,
deve-se refletir se essas ações
irão criar autonomia, se as pessoas
com as quais vai trabalhar estão
dando condições de se
tornarem sujeitos de sua própria
transformação, se vai
contribuir, efetivamente, para que se
apropriem dos meios para continuar,
por si só, melhorando a sua qualidade
de vida”.
Luciano Rocco, presidente da Organização
Civil.
“Não
entendemos a sobrevivência de
qualquer ecossistema sem uma integração
participativa da comunidade de seu entorno
na gestão/conservação
dos seus recursos naturais, garantindo
de forma sustentável o desenvolvimento
desses ambientes. Esta é a única
forma de as futuras gerações
poderem contar com a herança
do convívio harmonioso entre
a espécie humana e a biodiversidade”.
Sérgio de Mattos Fonseca, Diretor
da APREC Ecossistemas Costeiros.
“Cremos
que, ao dar ciência que cada morador,
com a doação que o seu
condomínio faz para a ALMA, conserva
a praça, os jardins, os gramados
e os brinquedos, garantimos uma conscientização
necessária para o cuidado com
o que é de todos. Afinal, são
os moradores que terão que consertar
o que for estragado. Assim, fica muito
mais fácil explicar para crianças
e adolescentes, ou mesmo para adultos,
que todos devemos preservar. Acreditamos
que com essa participação
damos uma aula constante de que o que
é público não é
coisa sem dono, mas sim com muitos donos”.
Abílio Tozini, Presidente da
ALMA - Associação de Moradores
da Lauro Muller, Ramon Castilla, Xavier
Sigaud e Adjacências.
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