PORTEIROS
 CABEÇA DE ÁREA NO LAZER E NO TRABALHO   

Reginaldo Alves Siqueira é porteiro-chefe do condomínio Moretto, na Barra da Tijuca, desde 1989. À frente de uma equipe de 15 empregados que cuidam de dois blocos de 20 andares cada um, ele ainda encontra tempo para ser o cabeça de área do Vasquinho, time de porteiros que já participou de muitos campeonatos no estado do Rio. A experiência como integrante de uma equipe campeã reflete-se positivamente no campo profissional. Da limpeza a toda a organização do dia-a-dia do condomínio, é ele quem articula as jogadas para que tudo esteja em ordem. "Levo ao síndico apenas aquilo que não posso resolver sozinho. Para isso, conto com o apoio dos colegas. Trabalhamos em equipe, um ajudando o outro e cada um sabendo qual é a sua responsabilidade.Tenho 17 anos aqui e meus colegas, dois, três anos menos que isso. Somos muito entrosados e isso ajuda a não termos problemas para atender bem as pessoas e cumprir nossas atividades", diz.

O porteiro-chefe, diferentemente dos colegas, que atuam em escala de 12 por 36, trabalha de segunda-feira a sábado, em uma rotina que vai das 7 da manhã às 7 da noite. A água, a limpeza, o cuidado com as garagens e a organização geral para o pleno funcionamento do condomínio são suas principais preocupações e as primeiras atividades de todo dia. Fazer levantamento de preços, acompanhar as obras e corrigir problemas em torneiras e descargas vazando são outras de suas tarefas regulares. "Avaliamos diariamente a média de consumo de água e, a qualquer variação mais acentuada, começo a percorrer as unidades para verificar se há a necessidade de trocar uma peça ou fazer um ajuste. E isso vai até o nível voltar à média normal", conta.

Quanto ao trabalho de orçar preços, Reginaldo conta que o fato de ter contato com lojas que já atendem aos edifícios há algum tempo facilita. "São empresas que conhecemos e sabemos tanto da qualidade de produtos quanto dos prazos de entrega e das formas de pagamento que costumam praticar. Além disso, por não quererem perder um freguês antigo, ainda podemos negociar caso encontremos custos mais baixos em outros lugares", afirma. O porteiro-chefe acredita que a baixa rotatividade, tanto de empregados quanto de prestadores de serviços, é outro fator que muito contribui para o bom andamento dos trabalhos no condomínio.
   

Boa convivência é motivo de orgulho

Para a presidente do Conselho Consultivo do Condomínio, Duleina Bacelar Duarte, moradora do Moretto há 19 anos, não há críticas a fazer ao Reginaldo, pelo contrário: "Ele sempre foi prestativo no trabalho, além de educado e simpático com os moradores. O único comentário que faria sobre o nosso porteiro-chefe é que, nos últimos anos, ele aumentou muito a sua eficiência", elogia. Crítica mesmo, somente de brincadeira, como a feita por um dos moradores mais antigos, com 25 anos no edifício: "Como é que um camarada que se diz flamenguista pode jogar em um time chamado 'Vasquinho'? Acho que ele é um vira-casaca, isso sim. Mas, a gente releva, afinal ele já é da família", brinca Carlos Soares.

  
Esta boa convivência com os condôminos é um dos fatores que mais gratifica o porteiro. Entre os muitos motivos de orgulho está, especialmente, morar e trabalhar em um lugar em que todos são muito amigáveis e onde há muita tranqüilidade. "Em todos estes anos, se presenciei uma ou duas confusões, foi muito. Os moradores são muito educados e unidos. Apesar de serem 160 pessoas morando no mesmo condomínio, não há atos de vandalismo nem discussão. Sempre fui tratado com muita consideração e sou muito grato por isso", diz.

Outro motivo de satisfação para o porteiro é o de ter conseguido ajudar parentes e amigos. Nascido na pequena cidade de Sumé, na Paraíba, Reginaldo é filho de uma família numerosa e vive longe do pai, da mãe e das quatro irmãs. Ao todo são 12 irmãos, a maioria hoje espalhada pelo país, depois de terem saído de casa em busca de trabalho. "Não há empregos por lá e saímos buscando oportunidades. Hoje me sinto feliz porque, além de ter um bom trabalho, ainda pude oferecer ajuda para que outros pudessem também vir trabalhar aqui", conclui.

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