OS CANOS NOS EDIFÍCIOS
Aproveite as reformas para resolver os problemas
  

Todo mundo sabe como é. Ao primeiro sinal de infiltração ou de vazamentos, os mesmos transtornos de sempre: quebra-quebra, reclamação dos moradores, a necessidade de acertar na escolha de uma empresa ou de um profissional que seja competente e muitas outras preocupações.

A boa nova é que muitos avanços no que diz respeito às instalações hidráulicas já estão sendo postos em prática, e com sucesso. Há novas construções que já dispõem de um sistema que permite fechar a água de uma única unidade, têm tubulações acessíveis através de shafts e mangueiras em vez de canos que passam por dentro de tubos ou contam com um tratamento da água para acabar com a corrosão, no caso de tubulações de ferro. Todas essas novidades prometem acabar de vez com um dos problemas que causam os maiores custos financeiros e sociais aos condomínios.

   
Novas soluções para velhos problemas
   

As novas tecnologias estão substituindo até mesmo os tubos de plástico, que não têm o problema da oxidação como os de ferro, mas que, por outro lado, podem quebrar ou furar com mais facilidade. São mangueiras de água, projetadas para esta finalidade e que, a exemplo das instalações elétricas, ficam dentro de tubos e não exigem a quebra das paredes quando há necessidade de se fazer um conserto. Basta abrir um quadro que, neste caso, funciona como uma janela de acesso à tubulação.

Feitas em gesso, fórmica ou outros materiais de proteção, esse tipo de mangueira põe fim ao quebra-quebra das obras para as instalações hidráulicas. Elas são mais comuns em hotéis e resorts, mas já estão sendo utilizadas também por edifícios de apartamentos. Elas surgiram com as possibilidades abertas pelos shafts, locais para a passagem da tubulação e que, em conjunto, permitem que sejam feitas obras o tão comum e indesejado quebra-quebra de paredes. "Estas soluções exigem que se avaliem as condições de cada edifício isoladamente, em especial daqueles mais antigos, pois alguns deles não permitem o uso de shafts, mas podem contar com outras soluções", explica o arquiteto Jerônimo Moraes Neto, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB).

      

Para dar fim a um problema bastante comum e que torna as obras muito mais complicadas - que é a falta de plantas das instalações hidráulicas - há uma outra solução que já virou modismo: as tubulações aparentes. Viável a todas as construções, elas nem sempre são aprovadas pela maioria, segundo o arquiteto. "As mulheres, geralmente, não gostam, pois há dobras e cantos difíceis de limpar", diz. Estas são instalações que requerem uma mão-de-obra melhor qualificada, além de criatividade quanto aos acabamentos. "É preciso atenção às soldas e ao prumo dos cantos. Tudo tem de ficar perfeito porque, afinal, é aparente. Uma torneira, por exemplo, em uma tubulação aparente traz dificuldades porque geralmente os fabricantes tem essas peças com uma canopla, feita para ajustar-se sobre o azulejo. Sem ele, fica aquela "saia" solta, algo realmente esquisito", adverte.

No IAB, há instalações modelo, desde os canos de ferro aparentes, que preservam o estilo arquitetônico da construção do início do século passado, até as tubulações com mangueiras e shafts. A construção foi toda adaptada, unindo conservação de patrimônio e inovações tecnológicas.

Aproveite a oportunidade e troque tudo

O presidente da IAB orienta que se aproveite a troca dos canos para fazer um "upgrade" geral nas instalações hidráulicas do prédio. "Ainda que apenas um cano tenha dado problema, esta é uma oportunidade que deve ser aproveitada, pois o custo dos materiais e da mão-de-obra é inferior à troca de azulejos e peças do banheiro e da cozinha, o que normalmente precisa ser feito nestes tipos de obras. Quando se remove o revestimento, alguns canos podem ser danificados. Então, é melhor trocar tudo", aconselha. A medida preventiva é especialmente indicada para edifícios com mais de 25 anos.

Outra orientação é para que a nova tubulação seja testada antes de ser colocado o revestimento. Deve-se enchê-la com água, deixando com pressão por dois ou três dias, a fim de verificar se está tudo em ordem. Só depois deve-se recobrir as paredes. "Se o arquiteto contratado encontrar uma solução para fazer o shaft, mesmo que parcial, vale a pena. Se puder usar essa nova tecnologia de mangueira de borracha dentro de tubo, melhor ainda. Isso porque, quando for necessário trocar uma mangueira, não precisará quebrar parede nenhuma. Essa é a tecnologia mais indicada", continua.

É importante estar atento também aos materiais utilizados, procurando sempre optar pelos de primeira qualidade. Também vale a pena estar atento à questão de possíveis revisões e assistência técnica, o que implica a contratação de profissionais qualificados. "Não adianta nada investir em materiais sem uma mão-de-obra capacitada, seja para fazer as soldas, seja para trabalhar com as técnicas modernas", alerta.

O Instituto dos Arquitetos do Brasil oferece orientações e pode ser contato pelos telefones 2557-4192 e 2557-4480.

Anti-oxidante é solução para canos de ferro

Outra solução que começa a ganhar força é o tratamento da água a fim de evitar a corrosão que leva à destruição das tubulações em ferro. Trata-se de um processo químico em que se utiliza uma dosagem de ortofosfato, sal hidrosolúvel, na água. Segundo o engenheiro Nelson Schneider, especialista em manutenção predial, o resultado é o aumento da vida útil do material. Mas esse tratamento também traz outros benefícios, como a volta de uma água cristalina, sem o aspecto de ferrugem característico de tubulações antigas, e sem odor. O produto é dosado diretamente na cisterna do prédio, com a utilização de um tanque e uma bomba dosadora automática, que mantém a água sempre tratada.

A opção foi aprovada por Bruno Sabóia, síndico profissional que atende a vários condomínios: "Logo que assumi a gestão no edifício Mirante da Gávea, os moradores me falaram que tinham que comprar garrafões de água para beber e cometiam um grande desperdício, pois para tomar banho esperavam um longo tempo com a torneira aberta até sair um líquido menos avermelhado", conta. Ele havia tomado conhecimento do tratamento para evitar a corrosão e pesquisou mais, fazendo contato com três empresas diferentes. Ao final, fechou com a que tem mais anos no mercado e uma ação mais abrangente em outras questões ligadas à água.

A solução foi um sucesso. "No começo, os moradores passavam por mim e mostravam a roupa. Eu não entendia nada. Até que a coisa foi aumentando e fiquei por um tempo como se fosse um deus ou um mágico, alguém que tivesse feito um milagre", brinca. A reação também foi positiva em outro condomínio que administra, na Gávea. "Realmente, em ambos os casos, o consumo de água caiu e o da luz também, e a qualidade da água melhorou", afirma.

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